Coluna Archi & Design 14-12-2018

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As paixões humanas por Juarez Machado

Juarez Machado com a decoradora Yara Mendes no vernissage de “Estive e Estou Curitiba”: cenas humanas com a máxima expressão
Crédito foto: Plataformas Lifestyle

Um artista movido pela paixão pela pintura e também pela vida, pelo ser humano, por suas formas e movimentos, por suas atitudes e interações. Aos 77 anos, Juarez Machado, um dos principais e mais respeitados nomes da arte contemporânea, é um sensível, múltiplo, irreverente e poético investigador da alma humana, expressa no traço único, preciso e marcante de suas obras. Com um olhar multidisciplinar, cosmopolita e, ao mesmo tempo, particular, o artista, que se divide entre Paris, Joinville, Rio e a capital paranaense, além das andanças pelo mundo, esteve em Curitiba para abrir sua exposição “Estive e estou Curitiba”, em 29 de novembro, no Museu Guido Viaro. Na ocasião, Juarez Machado concedeu esta entrevista exclusiva à Coluna Archi & Design, com a qual fechamos, com chave de ouro, as publicações de 2018. Um Natal e um Ano Novo plenos de beleza, saúde e bênçãos! Até 2019!

** Imperdível, a exposição “Estive e Estou Curitiba” por Juarez Machado, promovida pela Artestil, está em cartaz até 17 de dezembro no Museu Guido Viaro, de terça a sábado, das 14h às 18h.

Este retorno a Curitiba, após um tempo sem expor na cidade: o que isso representa, também afetivamente, para o senhor?

Juarez Machado – É a continuação da minha vida, antes de mais nada. Quando saí de Joinville, que é minha cidade natal, de ônibus, para Curitiba para estudar Belas Artes. Quando estava chegando, pude ver do alto a silhueta da cidade. Eu tinha 19 anos, e falei: “Esta cidade será minha”. E ficou no meu coração para sempre. Fiz amigos que permanecem até hoje e posso dizer que sou até mais curitibano do que muita gente que nasceu aqui. Aqui encontrei minha tribo. Tudo virou uma grande família. Mesmo no Instituto Internacional Juarez Machado, que construí em Santa Catarina, em Joinville, já fiz uma exposição de todos os meus amigos daqui. Um sortido. Comoveu a cidade inteira! Foi lindo, espetacular.

Como você vê este momento da arte contemporânea brasileira?

É um momento muito forte. A arte contemporânea está em um período de passagem, mas logo em seguida vai se fixar. Meus filhos, que também atuam nas artes, e são muito cosmopolitas, eles mesmos me falaram isso. É um momento de transição.

E como o senhor consegue manter suas obras sempre atuais, e universais?

É, minhas obras falam da época e falam do que eu sinto, dos amores. Eu não sou um pintor de paisagens, de objetos. Sou um pintor de homem e mulher. Minha paixão é o ser humano. Tenho que pintar a figura humana, eu tenho uma paixão pelo ser humano, realmente. Quando eu estudava aqui, na Escola de Belas Artes, fui à universidade, fazendo Medicina, para bem entender a arquitetura do corpo humano. Este conhecimento profundo me deu mais prazer em pintar. Não consigo pintar um quadro, pinto dez ou quinze ao mesmo tempo. De temas, cores, séries, formatos, diferentes. Tem que mudar para não se repetir. Quando vou pintar, o quadro já está pronto em minha cabeça. Já está tudo pronto, é só pintar.

Então, neste momento da sua vida você está trabalhando em novas obras, certo?

O tempo todo, das cinco da manhã às dez da noite, sábado, domingo. Não me chame para ir passear, para ir ao sítio ou sair de barco, porque não vou, eu quero é pintar. E o tema sempre é a figura humana. Agora estou até aumentando os grupos, de pessoas à mesa,  bebendo, rindo ou não se olhando. É a questão do coletivo. Está crescendo mais esta questão do povo, da população, dentro dos meus próprios quadros.

Isso vem de sua observação do mundo?

Sim, por exemplo, o que ocorre aqui [no vernissage], eu olho e já registro esta imagem. É só chegar no ateliê e pintar este grupo, um encostado ali, o outro de costas. Quer dizer, já é um balé. Meu viver é esse, e sempre foi assim. Brinco que nasci artista. Eu queria ser o Juarez Machado. Esta que era a dificuldade, ser o personagem. Para isso, estudei muito, morei em várias partes do mundo, continuo morando e andando para lá e para cá para não perder o personagem. Esta é uma relação “eu com eu”, é um negócio complicado. Não dá para ceder a pressões externas.

Juarez Machado, ao centro, com Melina Mosimann e Marden Machado: Curitiba como cidade de referência e amizades do artista universal
Crédito fotos: Divulgação / Matheus de La Palm/ Leonardo Weiss
A icônica Série Tangos, de Juarez Machado, pode ser conferida na exposição

 

La Fête Est Chez Moi: interesse pelo ser humano e seus movimentos, formas e interações

Aromatologia em pauta na Sierra Móveis

Crédito foto: Divulgação

O universo envolvente dos aromas e sua expressividade na decoração estão em pauta em bate-papo para convidados promovido em 12 de dezembro pela Sierra Móveis. Com a participação da expert Regina Amarante Manzochi, da MZ Aromas e Alquimia, a talk “Aromatologia: a ciência para o bem-estar” abordará a intrínseca relação entre estímulos sensoriais, como os aromas, e um morar personalizado e voltado à qualidade de vida.

Léo Shehtman na CASACOR Paraná 2019

O arquiteto e designer Léo Shehtman assina na CASACOR Paraná 2019 o “Living do apartamento sênior”
Crédito foto: Divulgação

O inspirador talento do arquiteto e designer Léo Shehtman, um dos mais consagrados nomes do design de interiores contemporâneo, poderá ser conferido na CASACOR Paraná 2019. Com escritório em São Paulo, o arquiteto, que assina projetos referenciais no Brasil e no mundo, assina o “Living do apartamento sênior” na mostra paranaense, que se realiza no edifício Zoller Building Center entre 17 de maio e 7 de julho.