Detalhes de Mad Max, De Volta ao Futuro, Guerra nas Estrelas, entre outros filmes que me fogem à lembrança, formam as referências visuais de Máquinas Mortais, que chega ao cinema produzido e co-roteirizado pelo neozelandês Peter Jackson, diretor de O Senhor dos Anéis.

Mas essa lembrança de O Senhor do Anéis, em termos épicos  e carismáticos, fica bem apagada em Máquinas Mortais, filme de férias que estreia nesta quinta dia 10.  A ideia é interessante: a história, extraída do livro juvenil de Philip Reeve, fala da Terra pós-apocalíptica, em que cidades inteiras, como Londres, foram transformadas em incríveis e antropofágicos veículos de guerra, que vagam por desertos consumindo uns aos  outros. Sim, as cidades se comem – metáfora da conquista de territórios, do capitalismo selvagem e outras mazelas dos nossos tristes tempos.

Dirigido pelo estreante Christian Rivers, já que Peter Jackson teve que optar por outro projeto, o filme não emociona, nem surpreende. Parte devido ao roteiro, parte devido aos chavões e também por um elenco decepcionante em seus papéis.

 Talvez seu maior problema seja justamente o efeito visual. Mesmo em 3D, a imagem do que seria uma monumental cidade-chinesa-muralha se acanha. E o mesmo acontece com a Londres sobre rodas criada por Rivers. “Engordada” a cada cidade deglutida, ela deveria ser mais exuberante. Se houver sequência, que a decepção dos espectadores seja levada em consideração pelos estúdios Universal.

 A própria sinopse ignora a geopolítica da história, pois o âmago da aventura é essa: a jovem mascarada Hester Shaw (Hera Hilmar) busca vingança pela morte de sua mãe, perseguindo o assassino Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), comandante da cidade-tração de Londres. Na perseguição, conhece o garotão Tom (Robert Sheehan), reencontra um zumbi-andróide e é salva por um exército formado por diversas etnias. Ao final, uma simplória mensagem de fraternidade ao intolerante mundo de 2018/2019.