Um filme vai ter dificuldade em ter boa plateia, não por culpa, neste dia de estreias nos cinemas, da abertura da Copa do Mundo e Dia dos Namorados. É que Avanti Popolo não tem apelo popular, caminhando mais em direção do segmento cult, desses de colecionar elogios em festivais – tanto é que ganhou diversos prêmios, entre eles: Melhor Filme em Roma ( 2012),  Direção no  México (2013) e nas categorias Crítica,  Direção e  Ator Coadjuvante no Festival de Cinema de Brasília (2013).

Trata-se de um filme incrível, ainda mais que é o primeiro longa do diretor Michael Wahrmann, israelense-uruguaio que vive em São Paulo desde 2004. Inventivo e ousado desde os créditos iniciais ao final, Avanti Popolo  mistura ficção e documentário, tendo um elenco de não-atores,  André Gatti (professor universitário de Wahrmann) e Carlos Reichenbach (diretor de cinema que veio a falecer em 2012). O único profissional do elenco é a cadela que faz o personagem Baleia (homenagem à obra Vidas Secas).

O drama conta a história de um rapaz que resgata imagens em Super-8 captadas pelo seu irmão nos anos 1970, que se exila na Rússia devido à ditadura. E espera exibir as cenas para reavivar a memória do melancólico pai, há 30 anos esperando a volta de seu filho desaparecido. A narrativa segue a perspectiva de um projetor (velho, arrastado) e é pontuada por músicas, que ajudam a arquitetar a desesperança política ou utópica embutida na história.

Também está estreando,em todo o país, Versos de um Crime, de John Krokidas, com Daniel Radcliffe, Dane DeHaan, Ben Foster, Michael C. Hall e Jennifer Jason Leigh. E também conta com um diretor estreante e uma história não afeita a multidões, pois é sobre o poeta beat Allen Ginsberg (1926-1997), colega de universidade de Lucien Carr, que tem por amigos Jack Kerouac e William Burroughs, mas sofre assédio de David Kammerer.

O crime do título: em 1944, Carr matou Kammerer, com um canivete de escoteiro. O filme fala do assassinato sob a ótica de Ginsberg, que nutria amores por Lucien Carr. Dá boa pincelada sobre a época que viu nascer a contracultura. Mas, segundo o filho de Carr, a história não está bem contada.