O senador Osmar Dias está cada vez mais próximo do esquema PT e se distanciando da coligação de 2006/08 com os tucanos.

O senador Osmar Dias está cada vez mais próximo do esquema PT e se distanciando da coligação de 2006/08 com os tucanos. Em Umuarama, onde recebeu o apoio explícito do ministro Reinhold Stephanes, o senador e presidente estadual do PDT reclamou da postura dos tucanos, empenhados em formatar eventos em favor de Beto Richa.

O que aflora é a teimosia dos dois prováveis adversários no próximo ano, amigos nos últimos pleitos: Osmar fica esperando um gesto de Beto; Beto parece querer vencer pelo cansaço, no aguardo de que Osmar Dias fique com o PT de Dilma Roussef e, sobretudo, do presidente Lula. E se dissermos que está tudo precipitado, nada de novo estaremos formulando. E é visível o embolado que envolve partidos, lideranças e pretendentes.

Nessa marcha, fica evidente que Osmar Dias é candidato e precisa apurar sua decisão quanto ao caminho a seguir, se com a oposição federal, se com o governo idem. O daqui pouco conta, nestas alturas em que Roberto Requião quer é voltar ao Senado. Portanto, Orlando Pessuti que se cuide, podem tirar-lhe o tapete, se é que vão estendê-lo. Problema será com a posse de Pessuti. Governador, caneta na mão direita, quem haverá de impedir sua candidatura.

Se Requião pender para um dos lados que se preparam, indefinidos, que importância tem isso quando um interesse maior se alevanta? Uma composição será preparada, desde que o PMDB (leia-se Requião) tiver um caminho mais seguro e que se tema uma cristianização de Pessuti. Difícil cristianizar quem está em cima, no exercício do cargo executivo. Por isso, essa precipitação toda pode determinar novos rumos, antes de Requião entregar o governo, asfaltando a estrada para o ungido pelo "velho de guerra". No andar da carruagem tudo pode acontecer, inclusive o PMDB sair de Pessuti, que afiança já ter o apoio do amigo Requião.

Enquanto isso, já se olha aqui a província com outros olhos, o da importância que por anos se negaram a ver. Serra tem vindo com freqüência e tudo indica que trata de mediar uma disputa entre antigos e novos companheiros, possíveis eleitores seus, alguns como na candidatura anterior contra Lula. O presidente, por sua vez, quer é deixar Osmar Dias sem condições de recuar dos entendimentos com a candidatura de Dilma Roussef, mesmo que ainda em tom preliminar.

Desse esforço por uma definição do Senador paranaense participa o presidente licenciado do PDT nacional, Carlos Lupi, sucessor de Brizola no comando partidário, um homem que fala tanto quanto o antecessor embora nada com o mesmo charme a carisma. Lupi quer Osmar na sua linha, pois nada como continuar ministro. Libera, entretanto, o senador à decisão que melhor lhe aprouver. Uma espécie assim de que qualquer casamento é bom, desde que seja com Maria.

Ressalta-se disso tudo que o senador Osmar Dias vai dar o tom nos próximos meses (se chegarmos a essa distancia de tempo). A política paranaense, seu irmão Álvaro Dias, inclusive, vai dele depender. Uma posição, como já assinalamos neste espaço, enganosa, pois quando decidir encontrará tanto aplausos como vaias. Certo, mesmo, é que ele não arreda o pé. E talvez até aceitando o conselho de Carlos Lupi – apoio não se rejeita.

Ayrton Baptista, jornalista.