Câncer de pele atinge 1 em cada 4 novos casos de câncer no Brasil

624
Medica do Frischmann Aisengart explica os métodos para rastreio e detecção da doença; se encontrado no estágio inicial, o câncer de pele tem mais de 90% de chance de cura

O câncer de pele é o mais comum no mundo e é provocado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são diagnosticados anualmente 180 mil novos casos da doença no Brasil. Isso significa que 1 em cada 4 novos casos de câncer, é de pele. A alta prevalência da doença fez com que a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) iniciasse, em 2014, o movimento Dezembro Laranja, para a conscientização nacional sobre o câncer de pele.

Existem três principais tipos da doença: o melanoma, o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. De acordo com a diretora médica do Frischmann Aisengart, Myrna Campagnoli, os dois últimos são, em geral, mais comuns e menos agressivos, com altos índices de cura quando diagnosticados e tratados precocemente.

O terceiro tipo, o melanoma, corresponde a aproximadamente 3% dos cânceres de pele. Apesar de raro, é o mais agressivo e potencialmente letal. Entretanto, quando descoberto no início, tem mais de 90% de chance de cura. “Por isso é importante ficar atento aos sinais de suspeita e realizar os exames dermatológicos periódicos para um diagnóstico precoce”, enfatiza a médica.

Condições de risco

A exposição prolongada ao sol, mesmo que de forma esporádica, é fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele, assim como se submeter a câmaras de bronzeamento artificial. De acordo com Myrna, é importante redobrar a atenção no verão e, principalmente, proteger as crianças e adolescentes, que costumam curtir as férias na praia e na piscina, com bastante exposição ao sol. “As queimaduras solares, quando ocorrem na infância e adolescência, elevam o risco de desenvolvimento do melanoma na idade adulta”, diz a especialista.

Outros fatores de risco são: pele e olhos claros, mais comuns em pessoas loiras e ruivas, presença de muitas pintas e histórico de câncer de pele na família.

 Como prevenir

Com algumas medidas simples, como o uso de protetor solar em horários de maior intensidade do Sol (entre 10h e 16h) e de camisetas e bonés, já é possível reduzir as chances de surgimento da doença em cerca de 40%. Outra recomendação é realizar uma consulta dermatológica por ano, além de ficar atento aos sinais de alerta.

Sinais de alerta

Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, é consenso entre os dermatologistas “a regra do ABCDE” (abaixo), que lista os sinais importantes e de fácil percepção pelo paciente, e atentar para feridas que não cicatrizam.

-A de assimetria: se a pinta ou mancha apresentar assimetria;

B de bordas: bordas irregulares, com contornos mal definidos;

C de cor: múltiplas cores na mesma lesão (tons pretos, azuis ou avermelhados etc.);

D de diâmetro: lesões com mais de 5 ou 6 milímetros;

-E de evolução: mudanças na cor, tamanho, forma ou na sensibilidade de uma lesão ou pinta.

Se esses sinais na pele forem identificados, a orientação é procurar um dermatologista rapidamente. O diagnóstico é feito por meio do exame clínico da pele, podendo ter o auxílio de um dermatoscópio, ferramenta que permite a visualização das estruturas mais profundas das lesões cutâneas. Aliado ao dermatoscópio, o mapeamento corporal de nevos, que inclui a associação de fotos do corpo e a dermatoscopia, com possibilidade de um seguimento das pintas a longo prazo,  é indicado apenas para casos de maior risco, ou seja, para aqueles que têm muitas pintas, que já tiveram câncer de pele ou casos da doença na família.

O mapeamento corporal de nevos fotografa as lesões encontradas em intervalos que podem variar de 3 a 12 meses e, com isso, identifica as pequenas mudanças ocorridas durante o período, muitas vezes imperceptíveis a olho nu. “É um importante exame para o diagnóstico precoce, pois encontrar o câncer no início é a melhor maneira de tratá-lo com sucesso”, explica Myrna. O especialista ressalta ainda que, para os casos mais graves, como os metastáticos, já existem novos medicamentos no mercado e estudos que comprovam o aumento da sobrevida desses pacientes.