Manifesto em defesa da união do centro político está sendo gestado por um grupo de lideranças e acadêmicos, para ser lançado na próxima semana, a partir de São Paulo. O texto está sendo articulado por políticos moderados, experts políticos, empresários e pessoal do mundo artístico, com vistas à unificação das forças tidas por reformistas e democráticas para as eleições presidenciais do ano. Objetivo: afastar-se da confrontação entre os extremos, do populismo radical de direita e do anacronismo da esquerda.

ANÁLISE
Para os articuladores da iniciativa centrista cumpre acelerar a convergência entre partidos e candidatos moderados para evitar a repetição do fato ocorrido na eleição de 1989, a primeira depois da redemocratização. Na época a dispersão de forças do centro impediu a ascensão de um candidato viável – como o então deputado Mário Covas – abrindo espaço para um segundo turno com Lula à esquerda e Collor à direita: um governo sem embasamento político e uma crise à frente (o impeachment de 1992).

ANÁLISE (II)
O filósofo hispano-americano George Santayana ensinava que aqueles que ignoram a lição da História estão condenados a repeti-la. Por isso, para evitar o erro de 1989 (quando concorreram pelo centro o próprio Covas, Afif Domingos, Aureliano Chaves, Doutor Ulysses e outros) é oportuno o esforço de aproximação anunciado. “A convergência de candidatos com propostas próximas é boa para a democracia e melhor para o futuro do país”, afirmam os articuladores da iniciativa pela união do centro.

GOVERNAR É COMPLEXO
O movimento de paralisação encetado pelos caminhoneiros nesta semana mostrou a realidade: governar é função complexa, que exige preparo e experiência dos líderes chamados à gestão da sociedade. A paralisia do transporte rodoviário deflagrada no início da semana, que se avolumou e ganhou dimensão de crise na quarta-feira – com desabastecimento dos centros de consumo, perda de mercadorias e transtorno na circulação de pessoas – exigiu “jogo de cintura” dos governantes; nisso incluídos dirigentes legislativos, magistrados e altos funcionários.

ANÁLISE
O problema colocou, de um lado os gestores empenhados em sanear financeiramente a Petrobrás, desossada pela política populista dos anos recentes; de outro os transportadores de carga que reclamam da elevação dos preços do combustível, sobretudo o óleo diesel usado em caminhões, ônibus e tratores. A solução: reduzir a carga de impostos incidente sobre o combustível, exigiu medidas compensatórias como a reoneração da folha de encargos de empresas que haviam sido beneficiadas no governo anterior.

ANÁLISE (II)
O movimento dos caminhoneiros expôs outra deficiência nacional: a ausência de sistemas alternativos para movimentação de cargas, principalmente o modal ferroviário. Ao fechar as estradas de rodagem os transportadores mostraram a dependência do país quanto ao transporte sobre pneus – com os custos e restrições inerentes a esse monopólio de modal econômico. Questão que se desdobra para o aspecto estratégico, a considerar pelos formuladores de políticas públicas.

NOVA FERROVIA
No Paraná autoridades, lideranças empresariais e usuários de transporte estiveram reunidos com os quatro consórcios qualificados para a elaboração do plano básico da nova ferrovia projetada para ligar a região de Dourados (Mato Grosso do Sul) ao porto de Paranaguá. A audiência pública desta semana se vinculou à avaliação da demanda de transporte de longa distância por parte de produtores de grãos, fornecedores de insumos e empresários de carga geral, visando a viabilidade do projeto.

ANÁLISE
A projetada ligação ferroviária entre o hinterland matogrossense, passando pelo oeste paranaenses até o porto, se divide em dois trechos: o primeiro, entre Cascavel e Dourados, conta com concessão federal em favor da Ferroeste; o segundo, entre Guarapuava e Paranaguá seria beneficiado por concessão do próprio Estado do Paraná, segundo faculdade constitucional. A conclusão: elaborado o projeto, haverá recursos inclusive internacionais para concretizar uma obra fundamental para a economia paranaense.

PARANAENSES COM DIAS
Lideranças paranaenses – empresários, políticos, profissionais – organizaram um movimento suprapartidário para apoiar a postulação presidencial do senador Álvaro Dias. Considerado “candidato da terra”, o senador hoje filiado ao partido Podemos (ex-PTN), tem forte penetração nos estados do Sul – Paraná à frente – e vem promovendo articulações para avançar no Centro-Oeste – habitado por sulistas e seus descendentes, e no Nordeste – onde se aproxima do também presidenciável Flávio Rocha.
ANÁLISE
Um dos apoiadores de Álvaro , o ex-governador Mario Pereira, se licenciou da função de coordenador do Conselho Político da Associação Comercial para trabalhar na articulação do pré-candidato. Nessa tarefa, Pereira tem percorrido várias cidades, inclusive São Paulo e os dois estados do Mato Grosso onde possui contatos, para arregimentar adesões a Dias. Ele avalia que o senador paranaense tem viabilidade para o segundo turno.

IDEÁRIO
Em entrevistas e pronunciamentos nesta fase preparatória, Álvaro Dias se apresenta disposto a “combater o sistema” implantado no país – de presidencialismo de coalizão, a seu ver responsável pelas mazelas em que o Brasil está mergulhado desde a redemocratização. Por isso se propõe “refundar a República”, modificando o atual paradigma. “O modelo tradicional de negociação política, em que nacos do Estado são entregues em troca de apoio, puxou para baixo a qualidade da gestão”, diz.
ANÁLISE
O programa de “refundação” em gestação pela equipe de colaboradores de Álvaro Dias prevê o enxugamento do tamanho do Estado brasileiro “para que ele volte a caber dentro do PIB nacional” – segundo um dos elaboradores. Nessa linha os atuais 29 ministérios voltariam à dimensão de meados do século passado, cerca de 12 a 14, em linha com a estrutura de países similares; redução das despesas públicas que alcançaria outros ramos do poder.

MEIO AMBIENTE
Em reuniões levadas a efeito na sede da API e no Instituto de Engenharia, a Comissão Coordenadora da “Semana do Meio Ambiente: por um Paraná sustentável” fechou o programa do evento. Com início em 5 de junho (data consagrada ao meio ambiente) e encerramento dia 8, a Semana vai apresentar exposições sobre os riscos da mudança climática, Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, gestão paranaense da água, solo e florestas e aproveitamento do lixo como insumo de produção de energia.
ANÁLISE
Reunindo ativistas do movimento ambientalista, engenheiros e outros profissionais, além de empresários e acadêmicos, a iniciativa conjunta da Associação Paranaense de Imprensa, Centro de Estudos Brasileiros e Instituto de Engenharia do Paraná busca uma abordagem equilibrada do tema. Concorda com a importância da contenção do aquecimento global para minimizar a mudança do clima terrestre, mas aponta alternativas para a convivência do ser humano como a natureza.

SEM RESPALDO
Realizada com comparecimento de 46% do eleitorado apto a eleição presidencial da Venezuela, domingo passado, está sendo contestada pelos opositores e pela comunidade internacional. Os primeiros acusam o presidente reeleito, Sr. Maduro, de ter recorrido a fraudes e ameaças que desnaturaram seu sentido democrático; os países do Grupo de Lima (latino-americanos) e europeus apontam a falta de legitimidade da escolha.
ANÁLISE
Seja como for o Brasil se prepara para o agravamento do fluxo de migrantes que vão deixar a Venezuela em busca de paragens mais seguras. Derramando-se pela Colômbia, Panamá e Brasil – entre outros refúgios – os venezuelanos fogem do caos que se instalou na pátria de Bolívar, onde a inflação supera a casa dos milhares por cento, a produção de petróleo caiu abaixo da média brasileira, doenças evitáveis se tornaram gerais e a fome crônica abate crianças e idosos.

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