Brasil e Índia discutem parceria na produção de etanol e exportação de frango

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A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participaram na quinta-feira (23) do Seminário sobre Oportunidades em Energia e Mineração em Nova Déli, na Índia.

No evento, a ministra defendeu que a Índia, em parceria com o Brasil, amplie a produção e uso de etanol. Segundo a ministra Tereza Cristina, o aumento da fabricação de etanol pela Índia ajudará na regulação do preço do açúcar no mercado mundial, que está em queda.

“A possibilidade de cooperação com a Índia servirá para apoiar a criação do mercado mundial de etanol. Do ponto de vista da Índia, podemos mencionar a redução da poluição nas grandes cidades, maior suprimento de energia renovável e a redução da dependência das importações de petróleo”, explicou.

“O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana de açúcar; a Índia possui a maior indústria de açúcar do mundo. Proponho que unamos nossos esforços para tornar o etanol uma commodity global”, defendeu o ministro Bento Albuquerque.

O ministro enfatizou complementaridades existentes entre a Índia e o Brasil. “Duas economias grandes com consideráveis oportunidades para investidores”, disse. A Índia possui o mercado energético que mais cresce no mundo, importa 80% do petróleo que consome, e o Brasil é um exportador líquido de petróleo, produto com maior peso no comércio bilateral dos dois países.

Está prevista, no sábado (25), a assinatura de até 12 acordos comerciais. Um deles deve contemplar o setor de etanol.

Exportação de frango

A ministra Tereza Cristina esteve também no encerramento do Encontro Empresarial sobre Complementariedade e Parceria em Segurança Alimentar, que reuniu representantes do Fórum dos Importadores de Alimentos da Índia e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Estimativas das Nações Unidas apontam que a Índia deve se tornar o país mais populoso do mundo até 2030, ultrapassando a China. Diante desta projeção, a ministra destacou que o Brasil tem condições de ser o principal fornecedor de proteína animal para os indianos.

Em 2019, foi registrado o primeiro embarque de frango brasileiro para o país asiático. No total, 33 toneladas da carne foram exportadas para a Índia no ano passado. Esse mercado, conforme a ministra, deve crescer a uma taxa média de 7% ao ano, porém o aumento das exportações brasileiras depende da redução das taxas de importação.

“Para que nossa parceria estratégica em carne de frango possa se firmar, é fundamental a redução das tarifas de importação. No caso do frango inteiro congelado, o percentual aplicado pela Índia às importações de produto brasileiro é de 30%, enquanto para os cortes congelados a tarifa atinge o patamar de 100%”, afirmou.
Com informações dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e de Minas e Energia