BOM SENSO NA FINAL

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A reta final da corrida presidencial a se encerrar neste domingo levou os candidatos a moderarem sua retórica, visando ajustá-las ao padrão da sociedade brasileira. Principalmente o candidato situado na dianteira – Jair Bolsonaro – passou a expressar pedidos de pacificação, após ponderar o recado das últimas pesquisas que assinalaram uma oscilação negativa de sua aceitação, principalmente no segmento evangélico.

ANÁLISE

Fazendo outra leitura das mesmas pesquisas, o candidato concorrente – Fernando Haddad – deu impulso à sua abordagem, avaliando que ainda possui chance de sair senão vitorioso, pelo menos em condição mais equilibrada. O aspecto a conferir é que, independentemente de quem está concorrendo, a sociedade sinalizou um limitador à agressividade das campanhas, fiel ao ethos tolerante de sua formação histórica.

 

RETA DE CHEGADA

Mesmo assim, na chegada do segundo turno as campanhas dos dois candidatos restantes ganharam ritmo. Embora distanciado de Bolsonaro, o postulante petista Haddad mantém fôlego e chegou a oscilar positivamente em sondagens. A propósito o presidente do Instituto Democracia e Liberdade, Edson Ramon, avaliou que “candidatos mais ao centro, infelizmente, não foram bem-sucedidos em suas campanhas justamente por não conseguirem captar o cansaço dos brasileiros com a desordem social e seus nefastos efeitos”.

RETA DE (II)

Esse espírito de reação à “epidemia de criminalidade e desrespeito generalizado à lei” foi incorporado por Jair Bolsonaro, numa onda conservadora que sacudiu a maioria silenciosa e as camadas medianas da sociedade. Já entidades como CNBB e OAB, além de outras mais alinhadas à esquerda, divulgaram manifesto em que pedem ‘equilíbrio’ e ‘respeito’, com a preservação da democracia.

 

 

ANÁLISE

Interpretado como sucedâneo da pretendida Frente pela Democracia ensaiada para ampliar o alcance da candidatura de Haddad, o documento tem por signatárias organizações vinculadas às minorias e de perfil corporativo (pessoal da Justiça e Procuradoria do Trabalho, etc). O candidato petista também aproveitou deslizes da campanha adversária para ampliar sua aceitação, fazendo “corpo-a-corpo” junto a lideranças religiosas.

 

ANÁLISE (II)

Já a campanha de Bolsonaro se espraiou pelo Paraná, onde um jantar por adesão (cada participante pagando seu prato), contou com mensagem televisiva do  candidato diretamente do Rio de Janeiro. Organizado pelo deputado Fernando Francischini, líder bolsonarista paranaense, o evento teve prestigiamento do governador eleito Ratinho Junior e inovou no cerimonial de atos políticos: foi aberto com o canto do Hino Nacional pela multidão e encerrado com a entonação da oração do Pai Nosso, fieis de mãos dadas e conclamação de voto no candidato “da lei e da ordem”.

Replicando as concentrações prévias à batalha da milícia “não conformista” dos tempos de Oliver Cromwell, na Inglaterra do século 17.

MAIS UM PASSO

O Governo brasileiro deu mais um passo para o ingresso do país na OCDE, o chamado clube dos países ricos. Foi pedida a adesão ao Código de Liberalização de Movimento de Capitais, que regula as relações entre os membros na emissão de títulos de empresas, estabelecendo igualdade de condições entre eles. O processo de exame da legislação brasileira atinente demora cerca de um ano e já foi iniciado pelo Comitê de Investimentos da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

ANÁLISE

 

Trata-se de um passo adicional aos pedidos de adesão que o Brasil já protocolou junto à OCDE, visando uniformizar a legislação nacional com o conjunto de diretrizes que balizam o bloco de nações desenvolvidas. Além de benefícios econômicos essa reciprocidade traz ganhos políticos: a OCDE vela para que os países membros – num total de 36 atualmente –  observem regras de pluralismo democrático e estabilidade institucional; o que se traduz em maior segurança jurídica para os agentes produtivos e em direitos civis para a população.

 

NO CONE SUL

Outra iniciativa, esta vinculada ao cenário continental, foi tomada pelo Brasil ao se aproximar dos parceiros da América do Sul, notadamente os situados no Cone Sul do continente – Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. No caso chileno tanto o atual governo Temer como o candidato melhor situado nas pesquisas para a eleição de domingo, Jair Bolsonaro, manifestaram empenho em consolidar o relacionamento com o país andino.

ANÁLISE

A integração no subcontinente, conforme as negociações de alto nível que estão em curso, guarda duas faces: ao lado de efetivar o mercado de livre comércio previsto nas cláusulas do Mercosul, representa um esforço para integração das cadeias produtivas, conferindo mais densidade macroeconômica às economias consorciadas. E que, no longo prazo, facilitará vencer o desafio do ingresso de nossos países na economia de quarta geração – novo degrau trazido pela evolução da tecnologia.

HOMICIDIOS

A Política Nacional de Segurança Pública, lançada pelo governo Temer e validada em reunião do recém-instalado Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, tem como uma de suas metas prioritárias a redução da taxa de homicídios – segundo afirmou o ministro da área, Raul Jungmann. Para isso – segundo o também ministro Sergio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional – foi dado um passo fundamental: a consolidação dos dados de inteligência policial de todo o país. Dentro dessa linha o Paraná deverá contar com um Centro Regional de Coordenação e Controle de informações de inteligência, válido para a Região Sul.

ANÁLISE

O foco é importante: o Brasil precisa dar um basta à estatística de assassinatos (60 mil por ano) que envergonha nossa aspiração civilizada. Para isso cumpre enfrentar deficiências crônicas da estrutura de segurança (sociedade afetada por cultura cívica precária e tensões desestabilizadoras, polícia judiciária desaparelhada e pouco produtiva na finalização de inquéritos, judiciário e promotorias idem, legislação penal desatualizada, etc). Vale lembrar o contrato social básico: ordem pública é a lei principal do grupo humano organizado em sociedade.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas

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