A Renova BR abriu programa de atualização política em São Paulo com cem candidatos selecionados para treinamento em questões da atualidade, sistema político e capacitação eleitoral. Propondo-se ser uma escola de formação de novas lideranças a iniciativa liderada pelo empresário Eduardo Mufarej quer renovar os quadros da política. No programa, aulas de ciências política, organização e marketing eleitoral.

ANÁLISE
“O propósito não é ser um partido ou grupo ideológico, mas receber pessoas de várias tendências para criar um ponto de inflexão no processo político”, explica o idealizador da RenovaBR. Ele argumenta que o Brasil “hoje não tem formação de lideranças para o Executivo e o Legislativo”. A novidade de Mufarej são as bolsas aos participantes oriundas de várias partes do país.

ANÁLISE (II)
O movimento de renovação na vida política é salutar; sobretudo pela ênfase na difusão de conhecimentos sobre a ciência e organização política e posterior aplicação em carreira pública eletiva. Embora apregoe pluralidade, o viés da RenovaBR se contrapõe ao pensamento de esquerda, hegemônico na academia e setores da intelectualidade.

ANÁLISE (III)
Na formação o ciclo é similar à proposta do Centro que o cientista político Luiz Felipe D’Avila criou ao voltar de período como professor na França: qualificar quadros para atuação no cenário político. E também segue metodologia da Escola Superior de Guerra, com seu foco no diagnóstico, análise e proposta de alternativas para os desafios nacionais.

PAPEL DAS INSTITUIÇÕES
A propósito, acaba de ser editado no Brasil o livro de Douglas North sobre o papel das instituições. O autor, que recebeu o Prêmio Nobel de Economia, adota abordagem inovadora: a tese de que não basta a eficiência individual. Para que o desenvolvimento sustentável ocorra é preciso que os atores de uma comunidade firmem um “contrato social” para, em primeiro lugar, conferir estabilidade à vida coletiva.

PAPEL DAS (II)
Mas é preciso um passo: estabelecer um conjunto de regras, formais e informais, que Douglas denomina de “instituições”, que podem ser mais, ou menos, custosas para a atividade produtiva. No primeiro caso – se ‘virtuosas” – incentivarão os ganhos, com o comércio, a produção, etc – que resultarão em riqueza; no segundo caso (mais comum na História) resultarão num vetor de estagnação.

PAPEL DAS (III)
O professor North acrescenta que “uma vez estabelecidas”, as instituições delimitam o campo de escolha das organizações. Isto é, balizam as regras do jogo, dentro dos quais as organizações econômicas (empresas e atores particulares) podem operar, incentivando-as numa direção – a do progresso. A fórmula não é necessariamente eficiente ao longo de gerações – mas no geral funciona.

ANÁLISE
Douglas North traz o exemplo clássico da evolução diferente da Grã-Bretanha e da Espanha. No império espanhol o ideal das pessoas era entrar nas camadas burocráticas próximas à coroa, e, assim, abocanhar rendas e privilégios. Os nobres espanhóis aspiravam cargos e posições, nunca os azares da atividade de mercador ou empresário, e menos o trabalho manual – reservado aos plebeus.

ANÁLISE (II)
Na Inglaterra medieval ocorreu algo diferente: desde a Magna Carta (1215), houve redução do absolutismo da coroa, inicialmente em favor dos senhores feudais, logo depois, dos “comuns” dos burgos – todos novos “entrantes” no jogo da sociedade. Aos poucos os arranjos seguintes – inclusive a Revolução Gloriosa de 1688 – transferiram poder aos representantes reunidos no Parlamento, tendo como uma de suas conseqüências a garantia do direito de propriedade.

ANÁLISE (III)
A subseqüente fundação do Banco da Inglaterra ampliou essa base de confiança, facilitando a mobilização de capitais que levou à Revolução Industrial e, por derivação, à hegemonia do país na Europa (expressa no maior poder militar e financeiro). Outros países, que copiaram a receita britânica, também se desenvolveram – lição que aproveita ao Brasil.

EQUADOR
O pequeno país dos Andes sul-americanos acaba de realizar uma consulta popular para balizar os rumos de sua democracia. Entre outras medidas os equatorianos decidiram a proibição de candidatura de políticos com “ficha suja” e vedaram a possibilidade de inscrição, como candidatos, de pessoas que já tenham exercido o mesmo mandato – isto é, reeleição indefinida.

ANÁLISE
Essa última decisão anula a possibilidade do ex-presidente Rafael Correa pleitear a volta à Presidência, que exerceu anteriormente por dois mandatos. Além de fortalecer o atual presidente Lenine Moreno – que adotou um tom moderado – o Equador dá uma lição: nada de caudilhos “salvadores da Pátria”, no fundo candidatos à tirania.

CRISTALIZAÇÃO
No ano e meio em que está no governo o presidente Temer conseguiu acumular resultados: a inflação caiu de mais de 10% para 2,95%; a taxa de juros recuou de 14,25% para 6,75%; o país saiu da recessão de menos 3,6% para crescimento de mais 3% no PIB. Ainda, fixou limite para o gasto público, flexibilizou a regra e a produção de petróleo saltou para quase 3 milhões de barris/dia, reorganizou o desestruturado setor elétrico.
ANÁLISE
Mesmo assim Temer amarga a pior impopularidade desde que foram introduzidas pesquisas de opinião. Mistério que os especialistas lutam para decifrar, mas neutraliza o papel do presidente na sua sucessão. Talvez – como avalia o ministro da Fazenda – a sensação de bem-estar ainda não tenha sido captada pelo grosso da população e o presidente Temer só desfrute de reconhecimento da História, como ocorreu com Campos Sales.

UNIVERSIDADES
A pendência entre a Administração Estadual e a rede de universidades paranaenses entrou em banho-maria, após o reitor da instituição sediada em Maringá remeter os dados da folha salarial. Desde o ano passado a Secretaria da Administração – órgão que supervisiona o pagamento dos servidores estaduais – vinha tentando obter os valores pagos pelas universidades, que devem respeitar os tetos da lei.
ANÁLISE
Trata-se de questão complexa. De um lado, é reconhecida a contribuição das Universidades Estaduais para a fixação de profissionais de nível superior no interior do território. De outro, essas instituições representam sobrecarga para as finanças – sobretudo pelo caráter gratuito de seus cursos. Por isso cabe buscar equilíbrio que consulte o interesse público.

NESTA SEXTA
A API e o Centro de Estudos Brasileiros estarão reunidos para duas pautas: avançar na programação do Fórum de Debates “Paraná, 4ª Maior Economia”, para a segunda quinzena de março. A segunda será a instalação do Grupo de Trabalho sobre Desenvolvimento Sustentável, que debaterá a Agenda 2030 das Nações Unidas e o Acordo de Paris para a contenção da mudança climática.