Juca Abdalla: esquisitices bilionárias

Nada como um domingo embalado pela leitura de alguns livros e jornal de qualidade, como o Estadão.

Com o jornalão paulista fiquei sabendo, no último domingo, da existência de José João Abdala Filho, Juca Abdalla, 72, morador no Rio de Janeiro, que não aparece em coluna, social, não frequenta premiações tipos “os melhores”, “os destaques”, “os vencedores”. Mas tem patrimônio avaliado, por baixo, em R$ 5 bilhões. Valor líquido, já descontadas as dívidas.

PAIXÃO PELO ELÉTRICO

É um investidor em grandes empreendimentos, a maioria do setor elétrico. Pense em alguma importante companhia do setor elétrico e com certeza ela terá Juca entre seus maiores acionistas. Pode até se dar ao luxo de perder R$ 150 milhões, como aconteceu ao investir na Eneva, empresa que já foi o ex-milionário Eike Batista.

No geral não perde. É investidor que procura papéis tipo “galinha morta”. Fica muito tempo com eles. Não tem pressa. Prefere o setor elétrico porque é pagador de remuneração certa.

“SOCIALITE” DO COUNTRY

Como entender a psicologia desse homem que, sendo sócio do Country Club do Rio de janeiro, um dos mais exclusivos clubes sociais do Brasil, ser praticamente um desconhecido nesse território tão cobiçado, mas acessível a poucos?

Essa discrição faz parte do ethos de Juca Abdalla. Ele só anda em carros populares, simples; não frequenta restaurantes caros, só come – na verdade – em restaurantes de quilo; não dá entrevistas, foge de jornalistas; Juca só usa roupas simples, calça e paletó brancos, traje definidor de apaixonados pela Escola de Samba Beija Flor; alfaiates ou roupas de marca não estão no seu vocabulário.

Não consta que Abdalla atenda a convites para reuniões sociais, vernissages, lançamentos de livros, solenidades oficiais ou diplomáticas, muito menos esportivas.

PARQUE VILLA LOBOS

Nos anos 1990 Juca Abdalla acabou recebendo 70% da indenização de R$ 2,5 milhões que o Governo paulista pagou à sua família pela compra da valorisadíssima área denominada hoje Parque Villa Lobos, em São Paulo.

Recebimento em prestações, é certo, mas com correção.

O dinheiro de Juca tem outra origem além do parque: ele foi um dos herdeiros de JJ Abdalla, seu pai, um empresário encrencado que, certa feita, chegou a ter 500 processos nas costas. Boa parte deles trabalhistas e tributários. Apesar disso, depois de ter sido secretário de Adhemar de Barros, o Abdalla pai morreu rico, no final dos anos 1980.

BANCO CLÁSSICO

O Banco Clássico, de propriedade de Juca Abdalla, tem apenas 8 funcionários. Lá ele raramente aparece, assim como se mantém distante, não visita sequer, das empresas de que é acionista. De uma delas, a Cemig, tinha 12% das ações, até dias atrás.

Solteiro, não se sabe se atende obras sociais ou culturais. O que se sabe é que José Paes Rangel, ex-funcionário do Banco Central, é quem comanda com amplos poderes as operações desse bilionário. E tem toda a confiança desse “Tio Patinhas” brasileiro.

Ah, ele não se deixa fotografar, também.

Entrada do Country Club do Rio de Janeiro

LULA PRESO. LULA PRESIDENTE. VÁ ENTENDER O BRASILEIRO

A mesma pesquisa Datafolha que aponta a liderança de Lula na corrida presidencial, com 35% das intenções de voto, também o quer preso. Não, não se trata de engano. Os questionários são diferentes, mas os 2.772 entrevistados de 194 cidades ouvidos entre os dias 27 e 28 de setembro são os mesmos. A diferença é que exerceram o livre direito ao paradoxo.

MOCINHO OU BANDIDO

A um ano da eleição, é natural que Lula seja o mais lembrado, como mocinho ou bandido – o que, no caso, do Brasil é quase a mesma coisa – porque não há outro que lhe faça frente. O teste é fácil: pense, o caro leitor, em um nome agora e o cenário será o de terra arrasada. Lula é tão citado como presidente como é na condição de detento, porque é o que se oferece na mídia ou, em termos acadêmicos, na “agenda setting” da comunicação.

URUTU BLINDADO

E é tanto mais mencionado porque aquele que o contrapõe é um urutu blindado que atende por Jair Bolsonaro. Creia, salvo as redes sociais e o contingente do Batalhão de Infantaria mais próximo, não há quem leve o deputado a sério. Por mais que a direita assombre o mundo não há sombra mais risível do que a direita de Bolsonaro e seus seguidores.

CANDIDATURA AVULSA

O destino reservado a ele é o mesmo de outros candidatos que viraram pó tão logo a corrida presidencial começou para valer. Fala-se em candidaturas avulsas, o que é louvável, mas desde que venham precedidas ou acompanhadas do voto facultativo. Pensar que o voto pode mudar o mundo é uma bobagem sem par. Vota-se por direito, não por dever. As abstenções e os votos nulos e brancos já deram demonstrações que à vontade popular cabe o não-voto.

Basta desse civismo de botequim.

SÓ A CHICANA SALVA

Lula já foi contra a reeleição, a favor do parlamentarismo e, até prova em contrário, adversário do voto facultativo. Será candidato à presidência. Não há condenação em segunda instância efetiva quando há chicanas suficientes à disposição para garantir-lhe o nome na cédula eletrônica de votação. Se ganhar e não levar bagunça as instituições. Se ganhar e levar bagunça também. Mas nós já estamos acostumados.


NÃO FEZ OPINIÃO

Antonio Palocci: carta

Semana passada, o jornalista Marcus Vinicius Gomes publicou artigo destacando a carta de Antônio Palocci em que o ex-ministro pedia a desfiliação do PT. Alguns leitores apressados (poucos, por sorte) entenderam que tratava-se de texto opinativo. Não, os termos eram de Palocci. Ao jornalista coube somente lembrar de sua passagem pelo trotskismo mais o auxílio luxuoso que lhe coube na criação do partido, idos de 80. A carta, de quatro páginas, é um registro documental de quanto o “partido de massas” – certamente o único na história do país – abancou-se no poder, com os resultados que conhecemos.

É fato inquestionável.


“UMA AVENTURA”, SEGUNDO BIONDI

Nelson Biondi: contratante; jornalista Cláudia Cruz: mulher de Cunha

A propósito da pré-candidatura à presidência da ex-apresentadora do Jornal Nacional, Valéria Monteiro, o marqueteiro Nelson Biondi declarou:

“Sem querer ofendê-la, mas essa aventura não faz sentido. Uma pesquisa de opinião seria suficiente para ver que ela não teria a menor chance”.

Biondi foi quem contratou Valéria para ser a apresentadora na campanha do tucano José Serra a presidente, em 2002. Nos anos 90, ela dividiu a bancada do Jornal Hoje com a também jornalista Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha. Os adversários, certamente, usariam e lambuzariam essa imagem dessa informação.


FESTA DO ROCIO SERÁ PATRIMÔNIO IMATERIAL

NSra do Rocio

Há 40 anos o Vaticano registrou a invocação de Maria, Mãe de Jesus, como Padroeira do Paraná, na denominação de Nossa Senhora do Rocio.

A festa do Rocio, em Paranaguá, neste 2017, em novembro, está sendo organizada sob o signo de uma “nova direção”. Foi entregue ao reitor do Santuário do Rocio, o redentorista padre Joaquin Parron, cuja biografia mostra-o como forte liderança nacional na sua ordem e na Igreja no Brasil. Foi, por exemplo, superior geral dos redentoristas no Brasil.

MUITOS BARCOS E BICICLETAS

A coordenação da festividade – que incluirá diversas procissões, de centenas de barcos a ciclistas – cabe ao empresário Milton Araújo. A presença do poder público se manifesta pelo vice-prefeito de Paranaguá, Arnaldo Maranhão, garantidor da parceria que ocorre entre a Prefeitura e a festividade desde 2007.

Além dos atos religiosos em si – como missas e novenas, além de confissões – a Festa do Rocio tem por alvo congregar pessoas em torno de valores espirituais, independente de seus credos. Assim, haverá espaço para shows de artistas populares e exposições de arte, com destaque para artesanato regional.

150 MIL PARTICIPANTES

Sobre a procissão solene, ponto alto da festa, os organizadores disseram que são esperados cerca de 150 mil participantes; e o trajeto será mantido do início ao final da Rua Professor Cleto. “Da forma como a solenidade está registrada no Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, IFHAN, em vias de ser declarada como patrimônio imaterial do Brasil”, explica o Padre Joaquim Parron.

COMO ANTIGAMENTE

Outra novidade para a festa é a nova pintura e revitalização da igreja.

A expectativa é terminar a obra neste outubro. “A igreja ficará com uma aparência semelhante àquela da época de sua construção, conforme o projeto do arquiteto Luiz Marcelo Bertoli”, garantiu padre Parron.

Terá uma cor que lembra o pôr-do-sol, “para nos lembrar como a Mãe do Rocio faz brilhar o amor a Jesus Cristo em nossos corações” afirma o reitor.

(fotos de Giolete Babinski)

Padre Parron e o empresário Milton Araújo
Luiz Marcelo Bertoli, Arquiteto
Arnaldo Maranhão, Canela, padre Joaquin Parron, Milton Araújo e Camila
Entrevista coletiva do lançamento da festa