Esperto como só um homem que veio de uma condição muito simples, pouco alfabetizado  e mesmo assim venceu na vida (e como venceu!) consegue ser, o presidente Lula em matéria de tergiversar é imbatível

Esperto como só um homem que veio de uma condição muito simples, pouco alfabetizado  e mesmo assim venceu na vida (e como venceu!) consegue ser, o presidente Lula em matéria de tergiversar é imbatível. Qual o camaleão nas cores, manipula as palavras de acordo com o auditório e as conveniências. Para os padrões políticos brasileiros, em que as palavras não envolvem comprometimento, um prato cheio. Daí a suspeição que já começa a tomar conta do cenário político de que, o lançamento antecipado do nome de sua Chefe da Casa Civil, pode não ter passado de um ardil. Até porque contrariou tudo que antes afirmara: “Quando você cita um nome com antecedência você está queimando esse nome”, disse certa ocasião, inclusive justificando longamente a frase. A indicação foi aceita por ser feita por parte de um líder aos quais seu partido e seus adesistas só dizem “amém”. No particular todos sentem que Dilma não é do ramo! O propósito  era, à época, ocupar um espaço que se ficasse vazio se prestaria a uma exposição permanente da oposição na mídia. Como se o governo já estivesse acabando! Raciocinou certo. Dilma, confiável, leal, vestia o modelito adequado para o momento em que os demais nomes partidários viáveis, queimaram-se em escândalos. Com o surgimento de Ciro Gomes, uma alternativa possível, talvez Lula dê uma guinada. Na moita. Sem dizer a ninguém como agiu até agora.  Vai-se saber nos próximos meses se a candidatura de Dilma é para valer ou não passou de um balão de ensaio. A expressão “boi de piranha” por se tratar de uma mulher, soa indelicada. Quanto a rejeição de Ciro pelo PT, nada que a ordem de Lula ou os números do Ibope não convençam.

Desdobramentos
A ascensão de Ciro teve desdobramentos também no Paraná. Como alertado ontem, gente do PMDB como o deputado Nereu Ramos já o vê como alternativa viável para a composição com Orlando Pessuti. Nereu entende que a coligação do PT com Osmar, é ato de traição ao PMDB.

Complicadores
A complicação  para a tese de Nereu fica por conta  da definição atual  dos partidários de Ciro no Paraná (PSB) que estão comprometidos com Beto Richa. Em conseqüência com José Serra. Opção anteriormente válida, mesmo que discordando da orientação nacional. Agora com candidato próprio do PSB,  a situação muda de figura.

Decisão difícil
As conversas não cessam. Com a candidatura de Beto ao governo, se essa se confirmar como parece quase certo,  o vice Luciano Ducci que pertence ao PSB assume em que situação? Seguirá a orientação de Beto como prometido ou se verá obrigado, por decisão partidária a seguir ordens superiores? Tem apenas uma semana para se definir.

Dúvidas justificadas
Para os companheiros de Beto que não viram com bons olhos a recondução de Luciano Ducci na chapa vencedora da reeleição de 2008 em Curitiba, o fato de ter ele apoiado Requião, contra a postura de Beto que foi de Osmar e pagou alto preço por isso, as  dúvidas são justificadas.

Tempo esgotando-se
Só faltam 13 dias para Curitiba definir os projetos e recursos  para as melhorias exigidas pela Fifa para que Curitiba seja confirmada como uma das capitais da Copa do Mundo de 2014. Os desafios são grandes e os recursos por ora, apenas prometidos.

Obras caras e demoradas
Só o metrô em sua primeira etapa, conclusão da Arena (estádio do Atlético), obras viárias e no aeroporto e rodoviária, exigirão no mínimo R$ 2 bilhões e 200 milhões. Contar com recursos prometidos por um governo que entrega o cetro em final de 2010 é uma temeridade.

Desastre anunciado
Um dos absurdos na decisão do Congresso aprovando o aumento de mais de 7 mil vagas de vereador, com argumento de que os valores a serem repassados pelas prefeituras caíram é o fato de, em cidades com menos de 100 mil habitantes, o repasse cair de 8% do orçamento municipal para 7%.

Trabalho voluntário
De municípios que vivem à míngua, basicamente dos repasses do FPM agora ainda mais reduzidos, retirar 7% para repassar à Câmara é “o fim da picada”. O aumento de numero de edis só se justificaria se voltasse a situação anterior a 1970 em que o vereador de cidades menores nada recebia.

Não baixou … nem acabou!
A comemoração do governo federal durou pouco. Empresas estrangeiras que ganharam concessões de pedágios, com valores baixos que variavam de R$ 0,997 a 3,805, agora pedem reajuste.  Aqui, na tentativa de forçar empresas a baixarem o pedágio, o governo concedeu novo trecho a uma delas –Araucária-Lapa. O tiro saiu pela culatra: a empresa já aumentou seu preço e as outras não baixaram. Ao contrário.  

Em choque
Se a aprovação da PEC que aumenta o número de vereadores em mais de 7 mil, aumentando sim os valores de custeio, imagine-se o mal estar criado pela ampliação dos já altíssimos salários de ministros dos tribunais superiores (para os padrões brasileiros) e os efeitos cascata que advirão.