por Claudia Queiroz

Eu não entendo algumas mulheres que brigam por igualdade… Se somos diferentes, pra que lutar para sermos tratadas como iguais? Neste sentido e, com todas as letras, discordo delas. A impressão que tenho, às vezes, é do discurso feminista falar para mulheres ao invés de propor igualdade de condições e oportunidades para pessoas… Mulheres não precisam impor o respeito adquirido e merecido…

Não quero ser igual aos homens. Está certo que minha vida mudou radicalmente com a maternidade e, não amamentar seria um desperdício!

Hoje acumulo tudo o que toda mãe faz com a precisão cronométrica do relógio regressivo. Sim, eu me sinto atrasada sempre. Falta tempo pra tanta coisa… E praticamente cozinho várias vezes por dia a sensação de frustração em saber que nada mais será como antes, adicionando porções generosas do maior amor do mundo. Sabe aquele sabor doce apimentado? É algo mais ou menos assim. Um sentimento que só é inaugurado após o parto…

Minha filha de 2,7 anos é exigente. Muito aliás. E eu me desdobro para garantir a ela que tenha boa parte das potencialidades exploradas. Acho que fazendo isso terá criatividade para solucionar suas questões e ser feliz em cada fase da vida, no grau de dificuldade que estiver enfrentando no momento.

Respeito o que ela sente, evidentemente supondo pela reação que ela demonstra, claro, porque eu não sei tudo. Alias, ‘sei nada, inocente!’ e os questionamentos só aumentam. Procuro ouvir o que ela diz, tentando mostrar o que precisa saber e dando a devida importância. Faço questão que ela não seja uma criança invisível, ou uma versão ‘copy paste’ multiplicada, destas que fazem coro com o ‘nada’ coletivo.

E o que isso tem a ver com a igualdade de gênero? Desafio um pai que tenha a paciência de uma mãe! Duvido que pais se preocupem se a criança fez refeições nutritivas, coloridas ou que passem a noite velando o sono do filho doente, deixando de lado qualquer outro plano…

Somos melhores? Lógico que não!!! Apenas diferentes!!! E essa é a graça da vida. Papéis complementares, linguagens e orientações particulares, visões de mundo sem deixar o foco no modo automático…

Posso escrever vários exemplos e, por melhor que sejam os homens, eles não deixam de ser o que eles são: homens. Só eles têm aquela ‘caixa vazia’ onde vão rotineiramente para se encontrar ou se perder num infinito particular… Enquanto isso, muitas mulheres resolveram deixar várias características de lado para “provar pra todo mundo que não precisam provar nada pra ninguém”.

Buscar explicação para tudo o que se sente também é deixar de lado a natureza que precisa fluir. Fica truncada essa história cheia de cláusulas e exceções… Uma espécie de contramão da fé. As pessoas que venceram foram as que tiveram persistência, foco e determinação, não simplesmente impunham convicções teimosas. Se compartilharmos nossas habilidades, deixaremos a disputa de lado. Assim todos ganham.

Precisamos quebrar algumas regras, descobrir ritmos, acordar a coragem e encontrar o lugar que faça nossa vida valer à pena. É como se existisse um mapa do tesouro pessoal que precisa ser desvendado com autoconhecimento e lapidação diária. Isso não tem a ver com misoginia ou quaisquer outras disputas ideológicas. Tem a ver com buscar ser feliz mesmo nos momentos difíceis. Porque são os meios que justificam o fim e não aquela frase que insiste dizer o contrário.

Claudia Queiroz é jornalista.