Preocupar-se com o meio ambiente, criando ações ecológicas para as empresas se tornou algo comum hoje em dia. Na verdade chega a ser quase obrigatório que a maioria das empresas direcione alguma ação para essa causa. Isso porque o mindset geral se voltou para o cuidado com o planeta e o futuro do ser humano como um todo.

Entretanto, em princípio não era assim. A maioria das empresas fazia ações sócias ambientais apenas para poder dizer isso ao mercado, através do marketing. A real preocupação tomou lugar quando novos gestores, realmente engajados com a causa, começaram a assumir posições de liderança. As ações sócio ambientais ganharam força, mas ainda se caracterizavam por algo extra no cotidiano da empresa.

Demorou um pouco até que se percebesse que ações simples de gestão de recursos podiam fazer muito pelo meio ambiente, e além de trazer benefícios para o todo, também ajudava a empresa em uma gestão contábil melhor. Somente há pouco tempo isso tem se popularizado, mas já é uma tendência, pois tem justificativa direta e simples para os stakeholders.

A contabilidade ambiental é basicamente uma nova área contábil. Pode ser definida como a ramificação da ciência contábil que se ocupada de classificar corretamente os eventos de cunho ambiental das empresas, segregando as informações de natureza operacional e ambiental e, a partir daí, gerar informações úteis e qualificadas para os usuários da parte gestora. Para entendê-la é preciso considerar alguns aspectos:

  • Despesa ambiental – o que é consumido pela área administrativa da empresa.
  • Custo ambiental – essas são as ações mais comuns de proteção ao meio ambiente, são as ações diretas e conscientes da empresa para colaborar com a causa de proteção ambiental.
  • Perdas ambientais – é tudo aquilo que não terá retorno para a empresa, muito ligado a acidentes e questões imprevisíveis.
  • Receita ambiental – tudo que estão ligados a prestação de serviços da área de gestão ambiental. Esse é um dos pontos chave, pois é aqui que se identificam pontos que proporcionam economia e que gera receita para a empresa através do que se economiza. Água, energia, uso de reciclados, é aqui que ele entram.
  • Ativo ambiental – são bens e direitos que possuam capacidade de geração de benefício futuro e que estão ligados à preservação ambiental.
  • Passivo ambiental – valores que serão sacrificados pela empresa para preservar ou proteger o meio ambiente, decorrentes de ações planejadas ou ainda de condutas inadequadas da empresa.

Estando atento a esses pontos é possível encontrar vazamentos de receita, gerenciar melhor as ações conscientes de preocupação ambiental e retirar lucro, não de uma campanha de marketing que diz que a empresa “é verde”, mas de melhorias reais e realmente engajadas.

Através da contabilidade ambiental se poderá ter uma noção muito maior da mutação patrimonial que envolve ações de cuidado ambiental. Além de melhorar o funcionamento interno e potencializar ações externas, é possível mostrar resultados mais palpáveis e que são reconhecidos como valor pelo mercado.

Desperdício é contido e corrigido, sobretudo com água e luz; ações ativas são mais bem planejadas; transparência com o mercado consumidor; são algumas das vantagens internas para a empresa. Para o planeta há melhorias incontáveis.

Esse é o verdadeiro desenvolvimento sustentável, pois possibilita planejar as ações empresariais e crescer de forma a menos agredir o meio ambiente e a lucrar com isso, tornando a empresa um processo que não combate o ambiente, mas o nutre em retorno, o que realmente é a chave da sustentabilidade.

Adão Lopes é mestre em tecnologia e negócios eletrônicos e CEO da VARITUS BRASIL.