Ariane Mnouchkine em Curitiba

Vivida por vinte atrizes brasileiras, a comédia musical As Comadres realiza o desejo de Juliana Carneiro da Cunha, integrante do Théâtre du Soleil desde 1990, de voltar aos palcos brasileiros, e de Fabianna de Melo e Souza, que atuou na França. O espetáculo é um dos estreantes no Festival de Curitiba, que trouxe à cidade Ariane Mnouchkine, diretora da companhia francesa desde 1964.
Ela assina direção artística de As Comadres. E Márcio Abreu, curador da Mostra 2019 com Guilherme Weber, confessa-se “comovido com a presença dessa referência na história do teatro ocidental e que pela primeira vez dirige uma peça fora de seu país”. O festival, lembra ele, é co-produtor da montagem.
No alto de seus 80 anos de idade, Ariane Mnouchkine, de simplicidade comovedora, recebeu jornalistas na Sala Bibi Ferreira, destinada pelo Hotel Mabu a esses encontros do festival. Para ela, também é uma honra tratar de temas que lhe são importantes, como “a opressão, a repressão e a desvalorização da mulher, maridos e filhos, trabalho, medo da morte, alegrias cotidianas”. Escrita nos anos 60, a peça traz esses temas, ainda

Ensaio da comédia no palco do Guairinha

pertinentes.

A comédia, escrita por Michel Tremplay usando um dialeto do Quebec (joual) e traduzida por Juliana Carrera, conta a história de Germana Lauzon que, ao ganhar um milhão de selos premiados, convida irmãs, cunhadas, vizinhas e amigas para colar os selos e fofocar. Para os curadores do festival, interessante destacar também “a maestria dramatúrgica” e o encontro entre três culturas, três formas de concepção da cena: dramaturgia canadense, encenação francesa e elenco brasileiro (Ana Achcar, Anna Paula Secco, Ariane Hime, Beth Lamas, Fabianna de Mello e Souza, Flavia Santana, Gabriela Carneiro da Cunha, Gillian Villa, Iza Eirado, Janaína Azevedo, Julia Carrera, Julia Marini, Juliana Carneiro da Cunha, Laila Garin, Leda Ribas, Lilian Valeska, Maria Ceiça, Sirléa Aleixo, Sonia Dumont e Thallyssiane Aleixo), além da equipe técnica.
Márcio Abreu conta que há conversações para a peça ser levada ao Rio e São Paulo, mas não há nada definido nesses tempos em que a cultura pende mais para a tragédia. Para acontecer o Festival de Curitiba, por exemplo, precisou de 75 patrocinadores, cujos nomes foram recitados com devoção por seu idealizador e diretor Leandro Knopfholz, na cerimônia de abertura, noite dessa terça-feira, no Guairão. Entre eles, uma ausência ruidosa, a própria prefeitura da cidade.
Atenção: Última apresentação nesta quinta-feira 28, às 21h, no Guairinha. Ingressos no ParkShoppingBarigüi e o Shopping Mueller. O festival vai até 7 de abril, com 19 peças da Mostra 2019 e mais de 400 espetáculos do Fringe. Há muitas produções gratuitas. Veja toda a programação no site do evento e divirta-se.