O design da emoção e da singularidade

O trend expert mundial Stefan Nilsson esteve no Brasil a convite da Interprint Design Week e apontou rumos para o morar do futuro: momentos de desconexão estão na lista – já existem papéis de parede que cortam o sinal de wi-fi. Crédito fotos: Ricardo Rollo

Ser diferente, morar diferente. A composição original, do material à combinação de cores e estampas, é um a forte tendência que já se manifesta na moda, no comportamento e também no morar. É um tempo em que opostos não se excluem, mas se atraem e combinam de forma original, com expressão estética, funcional e também emocional. Estes são alguns pontos levantados pelo respeitado trend expert sueco Stefan Nilsson, conhecido como TrendStefan, em sua primeira passagem pelo Brasil, a convite da Interprint, para participar da Interprint Design Week, realizada entre 13 e 14 de março em São Paulo, trazendo lançamentos para toda a América Latina, inclusive já expostos por clientes da marca, como Guararapes e Duratex, em suas novas coleções na Expo Revestir, realizada na mesma semana também na capital paulista. Nesta entrevista, Stefan Nilsson aponta rumos para o morar do futuro. E o recado é: viva a diferença, literalmente.

Como as pessoas vão viver no futuro? O que importará?

Esta é uma grande questão. Há muitas coisas que vamos ver. Em longo prazo, uma forte tendência é de viver em espaços menores. Hoje há um sonho entre as pessoas de grandes casas, cada vez mais maiores. Mas viveremos em espaços menores. Vamos querer viver nas cidades, mas em espaços menores. Não só pela questão econômica, mas também os modos de viver e morar vão mudar. Já estamos observando o início da economia do compartilhamento. Isso vai acontecer também com a forma de morar, com ambientes como cozinhas compartilhadas, por exemplo, por andar em um edifício. São ideias de como vamos habitar espaços menores. Mas estou falando de algo para daqui a 25 anos.

E no curto prazo, na atualidade?

No projeto arquitetônico a conexão, o contexto social é muito importante. A família é importante, mas ela pode ser tanto o conceito tradicional quanto nossos amigos. Também a questão da sustentabilidade: hoje, ela está muito baseada nos materiais. Se saltarmos para daqui a dez anos, acredito que cada solução que oferecermos ao mercado deverá ter um ângulo sustentável. Se tivermos uma nova cozinha, ela deverá um ângulo de sustentabilidade, o que pode significar que tenha materiais ou outras soluções que tornem a vida sustentável, como fazer compostagem. Novas propostas serão desenvolvidas que tornarão este tipo de atividade mais prática e difundida no dia a dia. Trata-se principalmente da ideia: se vou ter uma nova cozinha, um novo banheiro ou um sofá, farei um check-list de aspectos sustentáveis, de acordo com aquilo que importa para mim. Não há uma resposta clara sobre o que a sustentabilidade vai abranger, poderá ser materiais, mas também poderá ser o estilo de vida.

Hoje vemos propostas belíssimas de design e arquitetura, mas geralmente voltadas a amplos espaços, que ocupam nosso imaginário e são nossa referência. Se os espaços vão ficar menores, o que vai acontecer com este modelo de decoração?

Veremos uma reação a isso também. Como você observou, construímos imagens sobre o morar inspiradas nestas propostas. Mas quando olhamos as gerações futuras, por exemplo, os millennials, há estatísticas que dizem que viverão na casa dos pais até os 35 anos. Seus parâmetros de morar tendem a ser muito diversos dos atuais. Os valores são muito diferentes. Status não é tão importante. Talvez trabalho voluntário seja mais, por exemplo.

Considerando estes aspectos, quais as tendências para o design e a decoração?

Uma tendência é a de buscar tranquilidade. E a outra é de buscar energia para fazer o que é preciso. E encontrar seu próprio gosto, estilo. Creio que esta é uma das questões mais interessantes do que é o design hoje. Se olharmos atualmente, há muitos seguidores de tendências, mesmo nas grandes design weeks pelo mundo. Quase tudo é retrô, se parece com alguma coisa que já vimos. Mas algo que estamos vendo é como as pessoas querem fazer coisas diferentes. Elas vão querer postar fotos não só de coisas trendy, mas sim de coisas emocionais. Por exemplo, se você olhar para a Gucci, ela está trabalhando com uma estética que não é da beleza, mas sim da emoção. A indústria da moda já está lá. É uma forma de usar as cores e os padrões para encontrar a emoção, e não apenas o status. Porque é o que o design se tornou hoje, status. Quero ter o sofá certo, da marca certa, no lado certo da sala, para postar no instagram. Isso está mudando, as pessoas querem encontrar a emoção.

Cartelas de cores calmas, para tranquilizar, e cores e padrões vivazes, para energizar: os lançamentos da Interprint na Design Week já contemplam estas opções de decor. Crédito fotos: Ricardo Rollo
Ser diferente, com emoção: composições tendem a ficar mais sofisticadas e com personalidade, trabalhando materiais diversos, como padrões de pedra, madeira, cores sólidas expressivas e também metal. Crédito fotos: Ricardo Rollo