SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Primeiro exportador mundial de petróleo, a Arábia Saudita tenta restabelecer o nível normal de produção de cru, duramente afetada por um ataque com drones no sábado (14).
Apoiados pelo Irã e há cinco anos em confronto com a coalizão militar liderada por Riad, os rebeldes houthis xiitas do Iêmen assumiram a autoria dos ataques contra instalações da gigante estatal Aramco.
No sábado, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã de envolvimento com o episódio. Segundo ele, não há qualquer prova de que “o ataque sem precedentes contra o fornecedor mundial de energia” tenha origem no Iêmen.
“Os Estados Unidos trabalharão com seus sócios e aliados para garantir o abastecimento dos mercados energéticos e para que o Irã preste contas de sua agressão”, acrescentou.
Neste domingo (15), os governos do Irã e do Iraque rejeitaram as acusações de que estariam envolvidos com o ataque.
“Em vez de culparem a si mesmos -e admitirem que sua presença na região está criando problemas-, os americanos culpam os países da região ou o povo do Iêmen”, criticou o presidente iraniano, Hassan Rowhani.
“Acusações e comentários tão estéreis e cegos são incompreensíveis e insensatos”, declarou o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Abbas Musavi.
Em nota transmitida à imprensa, o porta-voz disse que estes comentários têm o objetivo “de prejudicar a reputação de um país para criar um marco para futuras ações contra o Irã”.
Já Amirali Hajizadeh, comandante do braço aeroespacial dos Guardiães da Revolução, a força de elite da República Islâmica, advertiu contra o risco de um conflito armado.
As tensões atuais, “com forças que estão frente a frente no terreno”, podem deflagrar um conflito armado, disse Hajizadeh, segundo a agência Tasnim, ligada aos ultraconservadores iranianos.
“O Irã está preparado para uma guerra total”, mas “nem nós nem os americanos querem a guerra”, declarou Hajizadeh.
O príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, cujo país é o grande rival regional do Irã, garantiu que Riad “quer e pode” responder a esta “agressão terrorista”.
Para o especialista em Oriente Médio da S. Rajaratnam School, James Dorsey, represálias diretas são “muito pouco prováveis”.
“Os sauditas não querem um conflito aberto com o Irã (…) Querem que outros lutem em seu lugar, mas os outros são reticentes”, afirmou Dorsey.