Após o tombo de 4,5% acumulado na semana passada, a Bolsa brasileira ficou atrativa aos olhos dos investidores nesta segunda-feira (20). Confiantes com a aprovação de alguma reforma da Previdência -quer seja do governo Bolsonaro, quer seja um texto alternativo da Câmara-, o mercado retomou posições nas companhias abertas e levou o Ibovespa a alta de 2,17%. Durante o pregão, o índice bateu os 92.116 pontos e fechou próximo do mesmo patamar, a 91.946 pontos.
O dólar amenizou alta com o leilão de US$ 1,25 bilhão do Banco Central e fechou a R$ 4,1050, com 0,07% de ganhos. Durante o dia, a moeda americana chegou a R$ 4,1230, maior patamar durante pregão desde 25 de setembro, período pré-eleitoral.
Após alcançar os R$ 4,10 na semana passada, o Banco Central interveio na cotação do dólar com leilões de linha. O efeito, entretanto, foi tímido.
A primeira venda, chamada de leilão A, teve início às 12h15, com término às 12h20, arrematando US$ 251 milhões. A segunda venda, leilão B, aconteceu das 12h30 às 12h35 e arrematou US$ 999 milhões.
Somados, os valores seguem o limite estipulado previamente de venda de US$ 1,25 bilhão por dia. Na terça (21) e na quarta (22) estão programados novas vendas com compromisso de recompra.
“R$ 4,10 é um patamar muito alto para o dólar. Na sexta, subimos dez centavos em um dia, isso é um exagero, um desespero do mercado. Por isso o Banco Central decidiu interferir”, diz Fernanda Consorte, estrategista de câmbio do Banco Ourinvest.
A Bolsa, que perdeu o patamar dos 90 mil pontos na sexta (17), teve desempenho distinto do dólar e do mercado externo.
“Enquanto há expectativa com a aprovação da reforma, Bolsa deve permanecer no patamar dos 90 mil pontos. A sinalização do congresso de que teremos uma reforma, independente de Bolsonaro, é positiva para o mercado”, afirma Thiago Salomão, da Rico Investimentos.
Para analistas, a forte queda de 6,60% no mês deixou os papéis das companhias baratos. Eles acreditam que o Ibovespa, maior índice acionário do país, deve permanecer acima dos 90 mil pontos, ou seja, não teria mais espaço para queda.
O senso de oportunidade fez com que ações de empresas que acumulam forte queda no mês tivessem forte alta nesta segunda. A Braskem, que recua 23% em maio, subiu 10,11%.
As principais Bolsas mundiais recuaram nesta segunda após a chinesa Huawei, maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, ser colocada em uma lista negra de comércio pelo governo dos EUA, o que intensificou a guerra comercial.
Também nesta segunda, a China acusou os EUA de manterem “expectativas extravagantes” para um acordo comercial.