ANIVERSÁRIO DO PROSOLO 2016

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Agora no dia 29 deste mês de agosto fará um ano que, no Palácio Iguaçu, o Governador Beto Richa ladeado por inúmeras autoridades, incluindo alguns produtores e muitos burocratas, fazia o lançamento do Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná – PROSOLO. Foi uma solenidade e tanto, considerando-se que dez outros programas semelhantes já haviam sido lançados desde 1966, época do Projeto Noroeste, capitaneado pela extinta Sudesul e com recursos da OEA.
A grande contribuição desse projeto foi ter demonstrado que água de morro abaixo não se segura nem por decreto e muito menos por concretagem, principalmente em solos como os da região noroeste. Com os mastodontes murundus se pretendeu substituir o concreto, mas cuja eficácia deixava muito a desejar, pois bastava romper o de cima para que o desastre fosse inevitável. Isso sem contar a dificuldade de trafego das máquinas e a quantidade de área desperdiçada pelos próprios murundus.
Tentativas e erros, ao longo dos últimos cinqüenta anos aproximadamente, levaram o Paraná a ostentar a fama de melhor estado conservacionista de solo e água do Brasil. Pois é, acreditando ser verdadeiro e permanente o dito de que quem tem fama deita na cama, os produtores paranaenses esqueceram de ler a continuação do ditado que é o seguinte: “a fama é como uma bebida que engana, embriaga, mas não arruma a cama e quando deita, o leito pode ser a lama”. Isso mesmo, lama de água que não infiltra e vira enxurrada.
Para despertar desse estado de torpor, os produtores paranaenses estão acordando com o Ministério Público batendo às suas portas. Primeiro fechando a torneira dos bancos e depois fazendo o sol nascer quadrado para produtores que não atentam à sabedoria indígena, a qual chama a atenção para o fato de que ”nós não herdamos a terra de nossos antepassados, nós a pedimos emprestada aos nossos filhos”.
Este PROSOLO aniversariante, considerado “autóctone” na medida em que se atribui aos produtores rurais a iniciativa do mesmo, corre o risco de padecer de falta de proteína na primeira infância, o que é fatal para a criança. No lançamento do mesmo, destacou-se dentre as várias falas que se tratava de um programa de estado e, portanto, mais que um programa de governo. A diferença entre programa de governo e programa de estado é que o primeiro pode ser resultado da cabeça do governante de plantão, enquanto o segundo resulta de entendimento da sociedade quanto à sua efetiva necessidade. Está, pois, acima do “laissez faire”.
Afora os protagonistas principais na celebração do aniversário, o governo pela SEAB e os produtores pela FAEP, é esperado que a SANEPAR, recém incorporada ao PROSOLO, possa anunciar oficialmente e demarrar o seu Moringa Cheia, subprograma através o qual garantirá condições para a recuperação e preservação das áreas de proteção permanente nas microbacias de mananciais – fontes de captação. Se assim ocorrer, não será mais por falta de proteína que a criança perecerá.

 

Joaquim Severino – Diretor Presidente da empresa Agrária Engenharia e Consultoria S/A e Professor de Política Agrícola da Universidade Federal do Paraná – 1973/2010, tem escrito mais de mil artigos nesta coluna desde 1992.