Osvaldo Nascimento Juniors.:

Temos visto pela imprensa a luta que determinadas Entidades ambientalistas têm tido para a preservação de nossas florestas no planeta para a sobrevivência da humanidade. Por outro lado o homem em sua sanha de ambição, continua a destruir estas florestas para plantio de soja e outras sementes e para mais pastos aumentando assim as emissões do temível Co2 que levam ao aquecimento global prejudicando o planeta de todas as maneiras atingindo os humanos também com cânceres de pele como também as uvas, onde nenhum produtor se sente seguro na produção de vinhos, principalmente se o terroir , que envolve clima, solo, relevo e tudo o que é da natureza, além da presença humana -é a estrutura central de seu negócio. Agora as mudanças climáticas estão transformando tradições e práticas de séculos no mundo dos vinhos. Como muito bem explica Eric Asimov em sua coluna no   jornal The New York Times, os produtores testam  adaptações, não apenas nos verões e invernos mais quentes, nas secas e nos eventos inesperados e às vezes violentos, como estranhas tempestades de granizos, geadas de primavera, inundações e incendios florestais. O fato porém, é que, no curto prazo, algumas dessas mudanças beneficiaram certas  regiões, lugares como a Inglaterra, historicamente inadequados  a produção vinícola, ingressaram no negócio, com a transformação da economia loca produzindo agora um excelente espumante de classe mundial com novas vinhas na região da Cornualha.A última canicule, como são chamadas as ondas de calor na França, foi inclemente como regiões como Bordeaux e Borgonha, secando o solo e as vinhas, mas especialmente mudando a rotina dos trabalhadores. Para sobreviver às condições extremas de mais de 40o (e sobreviver aqui não é exagero, considerando que em 2003 milhares de pessoas morreram na França vítimas das altas temperaturas),foi recomendado que o trabalho nos vinhedos ocorresse a partir do nascer do sol até antes do meio dia. A recomendação foi adotada até mesmo em Champagne, região mais fria e mais ao norte da França. A situação  preocupa conforme os anos avançam como alerta para o futuro e já começa a se mexer.Bordeaux, aprovou em primeira instância a inclusão de sete novas variedades estrangeiras em seus vinhedos ( imaginem após séculos berço da Merlot, Cabernet Sauvignon Malbec) com a idéias de incluir casta que sobrevivem melhor a temperaturas altas. Entre as tintas estão Marselan,Touriga Nacional a uva emblemática de Portugal) e Arinarnoa, além da menos popular Castets. As brancas são Alvarinho portuguesa, dos vinhos verdes, Petit Manseng e Liliorila, um cruzamento entre Baroque e Chardonnay. São estudos em busca de soluções para enfrentar o aquecimento global até nas uvas.Vale lembrar que quem salvou os vinhedos europeus na época da terrível praga da filoxera ao final do sec IXX foram os cavaletes com a uva Izabel. As novas castas só podem  representar até 10% do corte final e 5% da área dos vinhedos de um produtor. Se a medida for aprovada em última instância, o plantio começa em 2020 e 2021 nas denominações de Bordeaux e Bordeaux superieur que representam  55% da área de  vinhedos na região e produzem 384 milhões de garrafas por ano de acordo com a denominação. A sudeste na tradicional região de Château-neuf-du-Pape, famosa pelos vinhos Beaujolais com uva Gamay, a saída que vem sendo estudada para o problema é a que adiciona castas brancas a cortes tintos, tudo para equilibrar álcool e acidez Isso porque com o aquecimento do planeta, AS UVAS FICAM MAIS DOCES, LOGO MAIS ALCOÓLICAS e o resultado pode ser um vinho mais pesado, quente e chato (sem frescor). Com novos níveis de 16% de teor alcoólico em cortes tintos, os produtores se assustaram e lançaram mão de cepas como Bouborlenc, Picpoul, Pircarclin e Clairrete. Também no Vale do Mosel e Reno na Alemanha, onde safras eram raras, as  estações mais quentes tornaram muito mais fácil  a produção de vinhos excepcionais. Com  todas estas medidas o fato é que os efeitos acelerados das mudanças de clima estão forçando a indústria do vnho a tomar medidas decisivas para se adaptar às mudanças que podemos salientar: 1) O mapa do vinho está se expandindo à medida que o clima esquenta,os produtores estão se deslocando para o norte do hemisfério Norte e para o sul no Sul. 2) Os produtores estão  buscando terrenos mais altos. 3) Os produtores estão restringindo a luz solar,com o clima mudando, o problema não é mais como amadurecer, mas como evitar o amadurecimento excessivo das uva numa nova reorientação.4) O clima não é mais previsível. Com o aumento da umidade de verão fez com que as pragas se reproduzissem  mais rapidamente com quatro ciclo por ano em vez de dois como de costume. Enfim, a viticultura, por sua natureza, já é uma atividade complicada. À medida que os climas do planeta estão sendo intensamente e rapidamente transformados, torna-se cada vez mais difícil produzir vinhos segundo tradições locais. AVOE. BRADO DE SAUDAÇÃO à DiONISIO E BACO.

O vinho é a expressão do amor possível entre o homem e a terra. É um depósito cultural de cada lugar. Não deixemos que o homem destrua esta herança,

Osvaldo Nascimento Juniors.: Advogado, Empresário, Enófilo Sommelier, Consultor, Colunista e Palestrante de Vinhos, autor do livro sobre vinhos VINUM VITA EST – A HISTÓRIA VISTA PELO VINHO.

 

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