Ainda o menos pior

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Com toda essa sujeira que acaba de vazar e que as revistas semanais e os jornais de responsabilidade à toda prova acabam de fazer cruzar o país, tudo com relação ao que se diz já ser o Mensalão 2, ficou muito difícil apontar-se o possível vencedor das eleições presidências. Há dúvidas se teremos realmente um segundo turno e, tendo, seria entre duas mulheres ou o ex-governador mineiro ainda teria uma ponta de esperança. Não dá para segurar, que se não cai bem aqui, já foi mote de um bom samba (sic) brasileiro.

O que fica evidente é que o eleitor antigamente esperava o pleito para ter raiva do eleito. Agora, salvo uma reviravolta nos próximos dias, o que o eleitor já tem é raiva de Marina, Aécio e Dilma. E se um ou outro dos nanicos levantarem a cabeça, esboçarem uma reação, poderão ir para a degola. Em outras e claras palavras: tanto fizera que já não se agüenta mais e isso leva o votante a não crer também e por extensão nem sempre justa, raiva nos Estados. No Paraná nem tanto – só de Roberto Requião, Beto Richa e Gleisi Hoffmann.

Eles todos, os candidatos e agora todos nós, os eleitores, estamos é enojados. O que fizeram com a nossa principal empresa, Petrobras orgulho do Brasil, com ou sem pré-sal. Quando se solta os boatos idiotas de este ou aquele Governo que é na verdade privatizá-la é um Deus nos acuda. Com toda razão, pois há muita coisa para ser privatizada, nem sempre só pessoa jurídica. Mas a Petrobras? Pois ela se viu para gente de baixa categoria fazer um carnaval com farta distribuição de dinheiro, sem e olhar ao partido e à posições de mando. Com exceções, claro, pois como se diz, dinheiro chama dinheiro, de norte a sul, com nome e CPF.

Há um costume bem brasileiro de que “melhor assim”, que mostrem bem já a cara. O problema, o leitor há de convir: são sempre os mesmos. Autoridades da República, ex-presidente, ex-governadores e ex-parlamentares. Como segurar?

Seja como for, o nosso próximo presidente ou será Dilma, ou Marina ou Aécio. Não se pergunte “com que roupa”, mas sim “com que cara”. Vergonha, vergonha, vergonha. Entrar na fila para votar? Ajudar na fixação de propaganda eleitoral? Ora, e ainda se reclama que alguns poucos miseráveis tentam uma verbinha para tratar dos dentes, comprar muletas, trocar a fralda?

Esta certo, não cheguemos a tal radicalismo. Tenhamos calma que as coisas se ajeitam. Mas será que só se ajeitam para os bandidos? Os mocinhos não têm vez? Por isso, por tudo isso, sejam prudentes, estudemos os nomes e seus currículos. Teremos um dia inteiro para votar em “cacarecos”, mas tenhamos fé em que ainda poderemos fazer a melhor escolha, ou a menos pior.

* Ayrton Baptista, jornalista.