Passado o maior momento da reforma previdenciária – aprovação da emenda constitucional em primeiro turno na Câmara dos Deputados, por ampla maioria – o Brasil se defronta com as outras pautas, agora mudanças para o futuro. Entre elas, reformas estruturais (como a tributária e a do alargamento do pacto federativo) e outras, de natureza microeconômica, para remover o cipoal burocrático que inibe o setor produtivo, bloqueia a geração de empregos e a melhoria da renda.

Análise

Alguns dos obstáculos já foram removidos com a MP da liberdade econômica, aceita em bases gerais pelo Congresso, tal a mudança do confuso (e ideológico) programa de dados conhecido por e-Social. A entrada em vigor do sistema de crédito positivo e a esperada redução de juros no fim do mês devem acelerar a retomada. Tudo apontando para um segundo semestre melhor, superando as tensões de um difícil começo de gestão.

 

PARANÁ, MAIS PRESENÇA

Lideranças reunidas em Londrina para uma audiência pública em torno da privatização do aeroporto local, pediram maior articulação do Governo do Estado para assegurar os interesses do Paraná nas negociações a respeito com o governo federal. A manifestação dos londrinenses – preocupados com a incerteza em torno de melhorias para seu aeroporto regional – repetiu situação verificada em Curitiba. Aqui a pendência gira em torno do aeroporto Afonso Pena.

Paraná (II)

É que, pela modelagem em estudo de parte da União via Ministério da Infraestrutura, o aeroporto que serve a capital paranaense (Afonso Pena) seria privatizado em bloco com outros campos de pouso na Região Sul. No pacote, além dos aeroportos da região de Curitiba (o Afonso Pena, em S. José dos Pinhais e o Bacacheri), entrariam os aeroportos paranaenses de Londrina e Foz do Iguaçu; mais os catarinenses de Navegantes e Joinville, e os gaúchos de Pelotas, Bagé e Uruguaiana.

Análise

Para entidades que examinaram o tema (Movimento Pró-Paraná, Instituto de Engenharia, Companhia de Desenvolvimento de Londrina) e outras como a Federação das Associações Comerciais do Paraná, não é boa proposta: o grupo empresarial que arrematar o Bloco Sul não teria como realizar investimentos, por ex. no aeroporto Afonso Pena (para permitir vôos de classe internacional) e, ao mesmo tempo, carregar aeroportos deficitários de outros estados. A ponderação foi levada ao governo paranaense e será apresentada em breve à Bancada Federal.

 

PCHS DESTRAVAM

Quatro novas centrais hidrelétricas de pequeno porte deverão entrar em construção, em breve, no Oeste do Paraná, segundo projeto de lei encaminhado pelo Executivo à Assembléia Legislativa. O conjunto abrange 14 unidades dessa e de média capacidade, que já possuem licença prévia ou de operação concedidas pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná), por se enquadrarem nas normas ambientais.

Análise

“São empreendimentos com impacto ambiental muito baixo, ajudam na produção de energia limpa e contribuem para o desenvolvimento econômico dos municípios”, afirma o governador Ratinho Junior. “A energia elétrica é fator decisivo para a melhoria da qualidade de vida da população”, complementa. Para o secretário do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Márcio Nunes, há precisão de liberação de mais 41 projetos no ano.

Análise (II)

A aceleração dos licenciamentos atende à nova diretriz liberalizante. Ela reverte uma postura de base ideológica que durante anos travou o aproveitamento de pequenas quedas de água para geração de energia no Paraná – ao contrário de outros estados. Se os 271 empreendimentos forem autorizados a previsão é de aplicação de 13 bilhões de reais, e mais de 100 mil empregos.

 

PETRÓLEO E GÁS

O Brasil também começa a se destacar no setor de petróleo onde, com um volume de 3,4 milhões de barris por dia (óleo e gás equivalente), alcançou a posição de 9º maior produtor mundial. Esse recorde de produção poderá aumentar quando for concluido o leilão das sobras do pré-sal e resulta da reversão de outro viés intervencionista, que restringia a abertura de novos campos.

Análise

A área de energia ainda será impactada pela completa privatização do transporte do gás canalizado. Esse insumo energético – tanto oriundo, inclusive o proveniente dos campos da Bolívia quanto de poços do pré-sal – vai melhorar a cadeia logística e pode alavancar a economia. Previsão dos especialistas: com os projetos em andamento o Brasil se tornará o segundo maior exportador de petróleo das Américas, junto com os Estados Unidos.

Análise (II)

Apesar de mudanças na matriz energética, o petróleo e o gás continuam sendo insumos valiosos. No caso do gás canalizado a privatização terá repercussão positiva inclusive no Paraná e estados do sul, penalizados pelo preço monopolizado e baixa capacidade de oferta dos dutos atuais que, por ex. servem apenas pequena área no Sul paranaense.

 

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas;

David Ehrlich – Graduado: Comunicação Social – Jornalismo pela UFPR