María C. Lagos/Telam
As eleições presidenciais do domingo (17) no Chile foram as mais disputadas desde o retorno à democracia, há 24 anos

A socialista Michelle Bachelet obteve 47% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais do Chile. Foi quase o dobro dos 25% obtidos pela segunda colocada, Evelyn Matthei – ex-ministra e candidata do atual governo de direita do presidente Sebastian Piñera. Mas foi insuficiente para evitar o segundo turno, no próximo dia 15 de dezembro, que era um dos objetivos de sua campanha.

“Não existem duas leituras. Ganhamos essa eleição com ampla maioria”, disse Bachelet, assim que soube que não tinha metade mais um dos votos e teria que continuar fazendo campanha. “Sabíamos que o desafio de ganhar no primeiro turno era complexo, tendo em vista a quantidade de candidatos e o desafio do voto voluntário”, acrescentou.

Essa eleição foi inédita porque nunca houve tantos candidatos à presidência (nove) e pela primeira vez o voto era opcional. Agora que a campanha vai se polarizar entre as duas alianças tradicionais da política chilena – uma representando a centro-esquerda e a outra, a direita – Bachelet diz que a vitória está garantida.

A maior parte dos outros sete candidatos que disputavam a presidência defende propostas parecidas com as dela: educação gratuita e de qualidade para todos; reforma tributária para financiar programas sociais; e uma reforma da Constituição, herdada da ditadura militar (1973-1990).

Para o governo, o segundo turno foi visto como uma vitória – mesmo que Evelyn Matthei perca para Bachelet no dia 15 de dezembro. Pior teria sido uma derrota esmagadora no primeiro turno. “Temos grandes diferenças com a esquerda e elas vão sair à luz nos próximos 30 dias. Eles dizem que temos que derrubar tudo e partir do zero, com uma nova Constituição. Nós achamos que construímos um país sólido e que temos que melhorá-lo”, disse Evelyn Matthei.

O maior desafio para quem quer que saia vitoriosa em dezembro será obter votos suficientes no Congresso para alterar a Constituição. Pelo atual sistema eleitoral, herdado de Pinochet, o governo só consegue maioria parlamentar se seus candidatos obtiverem o dobro dos votos da segunda legenda mais votada. “Foi um sistema criado para assegurar um empate entre as duas forças majoritárias e forcar uma solução negociada”, explicou a prefeita de Santiago, Carolina Toha.

A esperança de Bachelet é que desta vez a pressão social seja tão grande que obrigue a direita a aceitar mudanças mais profundas. O problema é que os chilenos estão cada vez mais intolerantes com a classe politica. No domingo, no meio da votação, um grupo de estudantes ocupou o comando da campanha de Bachelet.