Adilson Arantes, um campeão de audiência
Adilson Arantes, um campeão de audiência

 

O leitor ganha nova amostra do volume 8 de meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, a ser lançado dia 19 de setembro no Palacete dos Leão (BRDE) na Av. João Gualberto. Leia excertos do perfil de Adilson Arantes, radialista de ampla abrangência em Curitiba e Região. O comunicador é grato a Luiz Carlos Martins, com que diz ter aprendido a fazer rádio. Leia a seguir:

“O mínimo que se pode dizer desse sergipano que adotou Curitiba como “minha cidade” desde 1985, é que se está diante de alguém ímpar, história de vida surpreendente.

A começar pelo choque que sofreu – e contornou – para se impor num mercado de trabalho – o do primeiro emprego, a televisão – onde os donos do espaço basicamente homens e mulheres da terra, tinham o “selo do leite quente” e outras entonações sulistas.

– Fiz de tudo na televisão da família Martinez, só não operei em banheiros e portaria, registra nosso personagem, num substantivo inventário de crescimento pessoal e profissional que o levou, depois, a requisitado comentarista esportivo, por um tempo fazendo parte da equipe de Galvão Bueno – que andou atuando por Curitiba em 1992.

O racismo deve ter sido um dos espinhos que ele teve de enfrentar para se tornar o que é hoje na vida da cidade: um dos donos da audiência de Curitiba. Multidões o acompanham, esperam suas narrações matinais, das 5 às 7 horas, a apresentação dos fatos, e recolhem suas opiniões judiciosas sobre as cidades, o Paraná, o Brasil e seus personagens.

2 – TIPICAMENTE BRASILEIRO

José Adilson Ferreira dos Santos, 50, nasceu na roça, em Terra Vermelha, distrito do município de Campo do Brito, Sergipe, o menor estado do Brasil. O nome dele é absolutamente comum no Brasil. E é assim como ele mesmo se define, do ponto de vista de biótipo, “alguém tipicamente brasileiro”.

Só a partir de 1988, já em Curitiba, e trabalhando na equipe esportiva do Capitão Hidalgo, José Adilson Ferreira dos Santos passaria a ter “nova identidade”, ganhando o nome artístico de Adilson Arantes. “Foi coisa do Hidalgo”, explica Adilson, um largo sorriso contido numa esplendorosa dentadura natural. O nome lhe trouxe sorte.

A partir daquele ano, começaria uma carreira radialística de constante ascensão profissional. A ponto de se tornar, hoje, um dos quatro inquestionáveis donos da audiência do rádio curitibano e região metropolitana, ao lado, por exemplo, do antológico Luiz Carlos Martins, por quem professa irrestrita admiração e reconhecimento:

– Com o Luiz Carlos aprendi a fazer rádio, matéria que ninguém conhece melhor que ele. É um perito no “falar com o grande público”, domina almas e corações, opina Arantes.

Luiz Carlos Martins
Luiz Carlos Martins

Garante ainda que de Luiz Carlos Martins, o comunicador da Rádio Banda B, nome recorrente em seu inventário afetivo -, recebeu muitas lições. Dentre elas, a definitiva foi aquela de que não se deve jamais fazer programa de rádio “igual ao outro”. A ordem é variar todos os dias. Não se repetir, inovar, embora sem jamais perder a identidade.

O comunicador não se faz de rogado – aliás, nunca ostentou falsa humildade, embora não possa ser considerado alguém vaidoso pela posição especial que tem hoje no rádio paranaense; ele aceita, por exemplo, a provocação que lhe faço: acha que está mesmo entre as quatro vozes mais acatadas da radiofonia de Curitiba, ao lado de Luiz Carlos, Renato Gaúcho e do padre Reginaldo Manzotti. Os números do Ibope estão aí confirmando.

3 – RADIALISTA DESDE OS SEIS ANOS

Marcar sua posição, suas crenças, os seus traços de diferenciado comunicador de rádio, serão sempre partes do diálogo de Adilson com alguém em busca de conhecer a vida e obra do sergipano, hoje curitibano definitivo.

Ele se ufana de ter sido “radialista desde os seis anos de idade”, quando a mãe, uma enfermeira universitária de alto padrão, formada em Porto Alegre, o presenteou com um radinho de pilha. Com a preciosidade ele voava, transmitia jogos, dava notícias, opinava, noticiava eventos imaginários.

– Nunca entendi rádio dissociado de notícia, registra Adilson, cujas teorias em comunicação – simples, mas ricas de fundamento, nunca simplistas – contemplam outras expressões: “rádio tem que dar solução aos problemas que revela e os que lhe passa a comunidade, se não estiver em busca da comunidade, o rádio deve tocar música, boa música”, pontifica.

Hoje ele garante que seu programa lidera a audiência em Curitiba das 5 às 7 da manhã, nas rádios Caiobá e Difusora, emissoras comandadas (juntamente com a Ouro Verde, voltada à classe AA) por João Seiller Bettega, “Didio”, o monumental e histórico nome, o mais tradicional e sólido das “velhas águias” que comandam o rádio paranaense.

4 – NÃO É CANDIDATO

Quando vou me despedindo de Adilson, acabo lhe indagando sobre dois temas que andam juntos, especialmente numa sociedade como a brasileira fortemente veiculada ao rádio:

– Você não vai entrar na política? E quais suas ligações com a religião, com que tipo de religião?

Adilson não titubeia, diz que vai romper com essa cultura local, de ligar radialista de sucesso com candidatura. Não quer seguir carreira política.

No entanto, não nega ter sido convidado algumas vezes a entrar em partidos (o PMDB, por exemplo) e concorrer a cargos: “Acho que poderei ser uma exceção. Estou resistindo”.

Em matéria de religião, diz-se múltiplo, embora Luciana, sua mulher seja católica de muita prática. “Vou a todas as igrejas”, explica. Mas acaba deixando registrada uma simpatia pessoal: um dos melhores e mais ouvidos programas diários da Difusora é o “Momento Espírita”, que ele não criou. Mas que introduziu, com enorme repercussão, na Ouro Verde.

Em tom de blague, Adilson Arantes encerra a conversa com a expressão bem definidora de sua personalidade: “Fujo, pois, do diabo, o mundo dos políticos, mas me aproximo do reino espiritual, que é o que me interessa”.


MARILENA, E A HISTÓRIA DOS WOLF

Marilena de Mello Braga
Marilena de Mello Braga

Marilena Wolf de Mello Braga, pioneira do jornalismo feminino na política paranaense, será um dos meus personagens em Vozes do Paraná 9, que espero editar em 2017.

E ao escolher Marilena, dentre outros paranaenses que serão perfilados no livro, estarei fazendo justiça, em parte, a um dos ramos germânicos dos curitibanos, o Wolf, do qual ela é descendente e cuja memória cultua.

A carta de Marilena, que segue, fala um pouco de Fredolim, seu avô:

A CARTA

Aroldo, prezado amigo:

Deixei na portaria de seu prédio – me lembrei de memória, uma vez dei carona para você e uma cadeira até lá – no sábado passado, dia 07, um envelope com meu último livro publicado, “Mar Abissal, Poemas de Sátira Política em um País que Naufraga”. E também um exemplar de “Vidas, a Vida que Vivi”, que editei para o José Lázaro Dumont sobre o sindicalismo rural do Paraná. Esse é de 2012, um livro precioso, deveria ter enviado para você na época. Sou meio avessa a incomodar os amigos, e tendo tantos conhecidos no meio jornalístico passo mais facilmente por uma estranha.

Pode me informar se recebeu, Aroldo? O porteiro da noite me pareceu tão confiável, disse que você tinha saído, mas entregaria quando você chegasse.

96-OLHO

Vi sua matéria sobre o Bigarella. Ele é minha fonte em “O Homem que Virou Avenida”, que estou escrevendo, sobre meu avô Fredolin Wolf, os que vieram depois dele e os que vieram antes, voltando 160 anos na História de Curitiba, até o patriarca Josef Wolf, cujo túmulo no Municipal foi danificado na semana passada. Derrubaram e quebraram uma linda estátua de Mármore de Carrara, do artista alemão Carlos Huebel. Nesse túmulo estão enterrados os dois filhos mais novos de meu avô Fredolin Wolf, que dá nome à Avenida onde ficam os Bosques Tingui e Tanguá: Waldemar Wolf, pai da Carolina Wolf, jornalista da RPC, e Maria Edite Wolf Neves, que foi casada com o Léo de Almeida Neves, por 33 anos. Quem construiu o Palacete Wolf foi o pai de meu avô, Fredolin Wolf Senior.

E BIGARELLA?

Onde entra o Bigarella nessa história? É que ele faz parte da genealogia dos Schaffer, pois Francisco Schaffer – do jardim e da chácara que criava gado leiteiro – casou com uma irmã de meu avô, Gabriela Wolf. O pai de Francisco, Anton Schaffer, veio para o Brasil junto com meu trisavô, Josef. Eram da mesma cidade, lá nos rincões europeus.

Abraço, de novo. Hoje estou prolixa, rsrs.

MARILENA WOLF DE MELLO BRAGA,

Marilena de Curitiba, que é como assino meu “MAR ABISSAL”.