A profissionalização do mercado de influência digital nos últimos dez anos levou empresas como a Coletive a se desenvolverem como verdadeiras parceiras de youtubers , estabelecendo um modelo de negócios que alia conhecimento profundo sobre como alavancar uma carreira na área sem transformar o ofício em uma indústria, com fórmulas prontas e generalizantes para fazer uma postagem ter sucesso ou que mais seguidores assinem determinado canal de comunicação. O resultado, em 2018, foi um faturamento de R$ 1 milhão para a empresa de Curitiba — R$ 3 milhões se levados em conta os clientes-parceiros.
Uma das primeiras empresas a investir no e -commerce para y outubers , a Coletive foi a responsável por criar a loja online de Kéfera Buchmann, uma das principais influenciadoras digitais do país. Para isso, ela contou com a ajuda dos fundadores e sócios da agência: Lucas Coelho e Virginia Crema se uniram a Ricardo Almeida, então empresário da artista. O trio se reuniu sob o nome de uma empresa cujo nome alude ao ideal de parceria e ação conjunta para colocar uma loja virtual no ar.
“O meu começo e o
começo da empresa se misturaram, mas o primeiro passo para pensar a Coletive como
negócio veio com a Kéfera Store”, afirma Ricardo Almeida, um dos pioneiros na gerência
de carreiras de y outubers no país.
Foi o começo da identificação sobre como trabalhar pessoas que têm o que dizer de
forma particular, sem conceitos pré-fabricados. Com poucos meses no mercado, a
Coletive passou a cuidar de outras carreiras. “Nós identificamos que o nosso c ore
business não era somente cuidar de lojas virtuais e começamos a trabalhar com clientes
que estavam interessados na nossa expertise, a trabalhar e fazer análise de métricas e a
cuidar de canais de forma mais profissional”, afirma. Assim aconteceu no caso da
holandesa Nienke Helthuis, que saltou dos 40 mil para mais de 3 milhões seguidores
após chamar a atenção do público brasileiro com um vídeo em que reage a uma música
de Pablo Vittar. Foi a partir daí que a influenciadora europeia passou a contar com o
gerenciamento da equipe paranaense, que atualmente é responsável pelo
empresariamento inteiro da carreira de Nienke.
O caso da jovem de 21 é emblemático. Entender como criar conteúdo de relevância para
uma estrangeira que realmente se interessava pelo país foi uma das principais atividades
desenvolvidas pela Coletive, que passou a adotar a mesma lógica de atuação junto a
outros clientes, tão diversos como a influenciadora de moda Boca Rosa, a atriz Livian
Aragão ou o rapper Gabriel O Pensador, que começou sua carreira fora do meio digital.
Histórico
O negócio, que existe há quatro anos e contou com um investimento inicial de R$ 20 mil,
hoje tem um lucro líquido em mais R$ 1 milhão e uma projeção de crescimento ainda
maior. Somados os faturamentos do parceiros, a Coletive fatura o triplo deste valor. Os
planos dos três sócios para o futuro são amplos e incluem uma expansão internacional.
“Estamos fazendo algumas movimentações para fora do Brasil. Desde a Nienke, nós
estamos trabalhando e criando uma nova rede de contatos internacionais. Queremos
expandir ainda mais o nosso escopo”, explica Lucas Coelho.
A equipe atua na gestão de carreiras, empresariamento, agenciamento comercial e
consultoria digital, traçando estratégias e discutindo temas que podem atrair o interesse
dos seguidores dos clientes. Mas a personalização do trabalho é a marca mais forte do
grupo, que acredita fortemente na necessidade de evitar uma industrialização do
mercado de influência digital. “Mesmo tendo um papel relevante no mercado de d igital
influencers , nós buscamos desenvolver um trabalho para uma carreira duradoura com
conteúdo, de modo que o atendimento a cada cliente seja único, bem ao estilo de um
alfaiate, e se adapte às necessidades particulares, tudo feito com tato, de forma
humana”, diz Coelho.
No caso dos canais, essa individualização fica mais evidente. “Nós fazemos tudo para
todos, mas para alguns o trabalho é somente dentro de um campo de atuação”, afirma
Coelho. Atento às mudanças de um mercado em formação e ainda muito suscetível a
oscilações e aventureiros, o sócio-fundador da Coletive montou com os colegas uma
estrutura que dispensa títulos para cargos, já que se entende que a lógica de atuação,
independentement da pessoa que a execute, é a de levar ao cliente produtos e serviços
personalizados, sempre levando em conta o que eles desejam e precisam comunicar.
Com crescimento de 25% em 2018 e uma previsão de 5% neste ano, a Coletive estima
que a empresa possa se expandir entre 5% e 10% em 2020. O viés de alta se justifica não
só pela qualidade da entrega mas também pela própria configuração de um mundo no
qual a presença das pessoas no ambiente audiovisual se torna, cada vez mais, tão trivial
como tirar uma foto. “A rigor, todo mundo pode ter um canal, não precisa ter ou fazer
algo em específico”, explica Lucas, ao comparar o YouTube com a fotografia.
“Antigamente tirar foto era algo extraordinário, mas, depois de um tempo, todo mundo
a aparecer. O Youtube funciona da mesma forma: estar ali é uma tendência não só de
mercado, mas de futuro, com as pessoas desenvolvendo cada vez mais conteúdos
audiovisuais próprios, mostrando a própria cara e personalidade.”