Abdo Dib Abage: retirando-se

Tudo se encaminha para o Paraná e Santa Catarina ter um novo cônsul honorário. Trata-se de Jorge Abdulla, 65, cristão ortodoxo da Igreja Antioquiana, médico de formação, hoje dedicado integralmente ao comércio, dono que é de lojas de eletroeletrônicos e confecções em Curitiba.

Com a discrição que é sua marca registrada, Abdo Dib Abage, 77, em março deste ano comunicou à Embaixada da Síria em Brasília sua intenção de deixar o consulado, depois de 29 anos de amplo serviço à comunidade síria e às relações Paraná-Síria.

CONSULADO DE FATO

“Ao contrário de muitos cônsules honorários de Curitiba, Abdo trabalhou muito, despendeu energia e recursos pessoais, muitas vezes envolveu seu grande capital de credibilidade em favor de reclamos de sírios e seus interesses”, disse ontem à coluna um analista da vida consular local, pedindo anonimato.

A verdade é que, a princípio, Abdo pensou em nomes de grande penetração na sociedade paranaense para substituí-lo.

Mas antes, o embaixador da Síria havia indicado o nome de Nassib Abage Filho, o Nassibinho, 72, comerciante, para o cargo. O irmão de Abdo recusou a oferta: “Se o Abdo está deixando a posição por se achar com idade avançada, eu também não posso aceitar pelo mesmo motivo”, respondeu Nassib.

RAFAEL, FOI COGITADO

Zake Akel Sobrinho: ex-reitor da UFPR

O embaixador chegou a indagar de Abdo se seu filho, Rafael Abage, 42, não aceitaria substituí-lo. A proposta não chegou oficialmente a Rafael: Abdo não aceitaria perder seu braço direito nos negócios da família.

Administrador de empresas, casado, cristão ortodoxo, como o pai, com três filhos, Rafael é “essencial na Plastilit”, disse-me Abdo, explicando porque a cogitação não prosperaria. Ele não admite dividir a ação do filho, mesmo que para o Consulado.

A Plastilit, instalada na Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba, é a quarta maior fabricante de tubos e conexões. A primeira de todos é Conexões Tigre.

OMAR E ZAKE

Omar Sabbag Filho: cargos públicos e políticos

A intenção inicial de Abdo era a de indicar à Embaixada da Síria um nome de boa representatividade na sociedade paranaense. Por isso, cogitou dos nomes de Omar Sabbag Filho (filho do ex-prefeito Omar Sabbag, ex-prefeito de Curitiba) e Zake Akel Sobrinho, ex-reitor da Universidade Federal do Paraná. Mas os nomes não prosperariam: o Itamaraty não aceita a indicação de cidadãos que tenham ou tenham tido quaisquer vinculações com governos municipais, estaduais ou federal. Os candidatos não podem ter sequer “rasto” de ligação política.

A indicação só andou a partir do anúncio oficial feito por Abdo na Igreja Antioquiana (ortodoxa) de que estaria aceitando nomes para eventual indicação a substituto seu no Consulado da República da Síria.

Foi quando surgiu – e se consolidou, em seguida – o nome de Jorge Abdulla.


AQUELE ABRAÇO, LERNER

Jaime Lerner: o criador e a estação tubo e expresso

Na tarde desta terça, 19, na sede do Instituto Jaime Lerner, amigos de todas as idades, raças, cores e crenças (e também descrentes) vão abraçar Jaime Lerner, que estará completando 80 anos. Que viva, pelo menos, 100 anos, o “stolat” dos poloneses, expressão que os pais – dona Elza e seu Felix, in memoriam – do mago urbanista devem ter ouvido muito na Polônia natal.

Ilana e Andréia, os netos, os irmãos e cunhados e sobrinhos e primos estarão lá.


SEGUNDO A IPSOS, CORRUPÇÃO NÃO É BEM ACEITA

Adhemar de Barros: saqueador do erário.

Pesquisa da Ipsos sobre Atitudes Corrupção. O monitoramento revela que para 70% dos entrevistados, é possível governar sem corrupção. Além disso, 73% discordam da frase “o que vale são políticos e partidos que roubam, mas fazem”.

O estudo completo está neste link:

https://www.dropbox.com/s/3orvztbix1kjal2/Ipsos%20Pulso%20Brasil_Atitudes%20corrup%C3%A7%C3%A3o.pdf?dl=0

FRAGILIDADE

O ex-governador Adhemar de Barros, fundador do antigo PPS, encarou o sinônimo de “rouba mas faz”. Depois dele, perdeu-se a conta de homens públicos – da esquerda, da direita ou de quaisquer outras posições que foram saqueando o erário.

A ação do MPF e da PF não foi a primeira ação organizada de combate à corrupção. Foi, com certeza, a que se mostrou à Nação em momento de extrema fragilidade da vida pública, a partir do governo Dilma.


“AMIGO DE GRAÇA”, REQUIÃO PODE SER O VICE DE LULA EM 2018

Roberto Requião: em lugar de Gleisi

Reportagem de 2007 de “O Estado de S. Paulo” já pintava Requião como “amigo de graça” de Lula. Coincidência ou não, no mesmo ano, o hoje presidiário Sérgio Cabral definia o então presidente da República como seu “amigo de infância”. Coisa que obviamente nunca foi, mas o clima era esse de cordialidade e folguedo.

SOVIETE DOS JARDINS

Requião agora surge como o vice de Lula na chapa presidencial de 2018.

Não mais Luiz Marinho ou Fernando Haddad, este dono de capilaridade eleitoral que não excede a região ‘soviética’ dos Jardins. Aquele, porque não ia além do ABC paulista. Requião, sim, tem os predicados culinários que Lula tem apreciado em sua cozinha política. Fosse um filme e Lula estaria para Michael Corleone assim como Requião para Luca Brasi.

Fernando Haddad: baixa densidade

ENTORTA-DEDOS

São irmãos gêmeos nos ideais bolivarianos e no controle da imprensa. Em seu habitat natural, o palanque, Lula gosta de disparar ataques à mídia.

Requião prefere o corpo a corpo, o embate físico, o entorta-dedos. Ai de ti, gravadorzinho.

PRATO DE MAMONA

Com Requião na condição de vice, Lula ganha o centurião que nunca teve.

Pronto, inclusive, a provar a comida do rei, ainda que o prato seja mamona. O senador do Paraná sempre acalentou um sonho: queria ser o Chávez brasileiro. Se Lula, for eleito será o Maduro. Antes tarde do que morto.

JAQUETÃO AZUL

Requião quer instituir o jaquetão azul nas cerimônias oficiais. Lula cansou de ser petista. Ora em diante, será lulista.

BOM DIA PARA CAVALOS

Se Bolsonaro achou que estava sozinho, eis o ex-governador do Paraná pronto a desafiá-lo. Sempre no estilo “deixa que eu chuto”. Ambos são dois lados da mesma moeda. Falam grosso, batem duro e cumprimentam cavalos. Requião, aliás, adora uma estrebaria. Inclusive a da Sorbonne.

Não, não é daqueles que saem por aí dizendo preferir o cheiro do cavalo ao do povo, como fez o finado João Baptista. Mas suas cavalgaduras ganharam fama em sua última passagem pela Granja Canguiri. Aquela que transformou em residência oficial com pendura no erário.

VELHO TACAPE

Lula queria ver Gleisi Hoffmann na vice. Contudo, como ela também anda embaraçada no intrincado novelo sem fim da Lava-Jato, o ex-presidente achou mais conveniente dividir o espaço exíguo de sua sombra política com o velho tacape do MDB de guerra.

AO PÓ RETORNARÁ

Alvíssaras ao Paraná: dois de seus senadores podem disputar os cargos públicos de maior relevância do país: o de presidente, com Alvaro Dias (Podemos) e o de vice com Requião (PMDB). Se Lula for condenado em segunda instância no TRF da 4ª Requião em 24 de janeiro, o peemedebista ao pó retornará. Mas não sem antes solidarizar-se ao “amigo de graça”, a quem certamente definirá como um prisioneiro político, vítima de um golpe, injustiçado das gentes, retirado do pleito porque combateu o poderoso capitalismo, a Rede Globo e a elite desse país paupérrimo. Não necessariamente nessa ordem.