por Claudia Queiroz

Judas traiu Jesus, segundo registros da história. Mas e se ele não tivesse traído? A resposta é simples. A profecia cristã dificilmente teria sido cumprida e jamais saberíamos quem era o profeta de Deus! Então Judas foi fundamental para uma lição que gostamos de esquecer: aprender com quem nos faz mal.

Nem sempre os vilões estão uniformizados, identificados e tal… Às vezes, quem nos ‘judia’ faz parte do círculo de amigos próximos ou até mesmo é membro da família, cultivando aquela inveja crônica e silenciosa, cheia de competição ou algo parecido… Aliás, quem nunca??? Não importa. Saber conviver com eles é uma arte! São professores e podem ajudar a lapidar nosso caráter. Exigem um certo cuidado especial e só, como o que devemos ter para escolher rotas e destinos. Pedras, buracos, tropeços, quedas e machucados fazem parte do caminho.

Longe de colecionar malvados favoritos praguejando algum tipo de vingança, que tal digerir o veneno para desenvolver anticorpos e se fortalecer? Quando o perdão entrar no modo automático, tudo na vida ficará mais fácil. Isso não quer dizer que precisamos ‘abrir feridas’ ou agir com falsidade. Mas quanto mais importância dermos ao bicho papão, maior ele fica!

Essa atitude é uma fonte inesgotável de poder! O verdadeiro segredo para superar dificuldades e crescer sem fronteiras. Afinal, ninguém tem a vida que imaginou na infância e todos nós já pausamos ou deixamos pra trás lindíssimos roteiros com previsão de finais felizes, cenas inesquecíveis e incontáveis sonhos preciosos nas bagagens… Mas a diretoria disse bem alto, CORTA! E sempre que isso acontece, uma nova cicatriz nasce. Ela significa limite de dor.

Lembrar da batalha pode explicar uma derrota ou servir de pausa para a próxima… Questão de escolha, por isso merece respeito. Só então será possível planejar o próximo passo.

Voltando pra Jesus, a Páscoa nada mais é que a superação do sofrimento, medo, angústia, dor, vergonha, insegurança, mágoa e tantos outros sentimentos ardidos e latejantes, …, apesar dessa ser uma interpretação humana sobre os fatos. No entanto, sabendo exatamente quem era, Cristo não hesitou em passar pelo que tinha que enfrentar. Fazia parte da sua construção e serviria de legado aos seus seguidores… Então, diante da cruz, disse: perdoa Pai, eles não sabem o que fazem! Captou a mensagem?

A segurança vivida diante daquele momento extremo minimizou tamanho sofrimento pra Ele mesmo. E só não afirmo que a ressurreição foi um ‘tapa de luvas de pelica’, ‘beijinho no ombro’ ou um delicioso ‘tomou’  para a turma que duvidava Dele porque não quero caracterizar algum tipo de heresia. Mas sintonize sua frequência como quem quer ouvir uma voz no rádio. Tire ruídos, limpe os ouvidos, acabe com chiados!

Independente de qualquer coisa, siga com mais leveza. Deixe para lá o peso das frustrações, tristezas e tudo aquilo que rouba o download da sua nova versão (a melhor delas). E finalize, desfragmentando o disco rígido. Salve-se como puder. Até porque seu maior inimigo pode ser você!

*Claudia Queiroz é jornalista.