Naquela tarde, nem era tarde, fui bebericar de costume no boteco periculum in mora, circunstanciado ao centro e à rodoferroviária.

Naquela tarde, nem era tarde, fui bebericar de costume no boteco periculum in mora, circunstanciado ao centro e à rodoferroviária, região considerada paraíso dos mangueadores, dos trombadinhas facínoras, imunes e impunes delinqüentes.

Vi passar o homem da mala, que tomou uma, deixando a mala sossegada na entrada da porta do bar, aparentemente, nem aí com a mala, ele, igualmente, um mala. Não me dava conta que algo sinistro pudesse contingenciar aquela mala que ele arrastava pela mão, às vezes a observava de soslaio.

Era uma mala igual parecida com aquela que continha o corpo da menina. Coincidência ou não, após a sincronicidade de trágicos acontecimentos, por indução, dedução e abdução, começo a refletir e concluir sobre a mala e o velhaco despreocupado com o crash da bolsa e a vitória de Barak Obama. Delirium tremens, vi a mala andar sozinha. E não só andava de fato, como algo parecia mexer lá dentro.

O perfil do cara: velho, transeunte, mal arrumado, de fisionomia carregada, não era negro, e não me lembro se, além da pinga ou copo d'água, ele pediu um pastel ou bolinho de carne.
Algo muito estranho aquela mala e o mala.

E pensar que pagamos impostos, como taxas de IPTU já em dívida ativa, taxas para o lixeiro, já embutidas na conta da Prefeitura, e que pagamos iluminação pública, luz et cétera e tal, além deeventuais propinas para as polícias públicas e privadas…

Que mundo cão!, com todo respeito à minha cadela Nani, 13 anos de idade, inofensiva, inocente, sempre virgem, sem útero, operada de câncer, já não enxerga mais…

Então parou um desses guardas "ecológicos" do poluído trânsito curitibano para multar e matar sua fome de multa, pois a multa, para ele é o pão. Multou a motoqueira, uma pobre vendedora da cerveja Schinkariol. Não deu tempo de dissuadir o cara decidido a multar.

Usei de todos artifícios conferidos à minha cidadania, com base no respeito, no bem maior, que seria o de não multar. "É rapidinho, seu guarda, ela já vem, foi comprar o cartão de estar…", mas o cínico servo do Diretran caneteou em torno de 50 pilas a contribuinte.

Fiquei sabendo que a empresa pública, que se locupleta até à tampa com as multas e os juros sobre os lucros tributários, "propina" esses periquitos (as) da rua. E também não falta alpiste para os pardais de tocaia nas avenidas.

O prêmio propinorum para o fiscal seria: a cada 25 (vinte e cinco) multas diárias, por ele caneteadas, o servo fiel, mas inútil, ganha 5% do montante arrecadado. Lembrando-se que multas podem chegar até ou mais demil reais.

Enquanto isso, faltam periquitos e pardais, "fiscais" e "policiais", ecológicos ou não, propinados ou não, para investigar o conteúdo das malas.
Tá certo isso, senhores do Ministério Público?

José Aparecido Fiori joseafiori@hotmail.com, jornalista.