Por Glauco Requião, advogado, consultor em sustentabilidade e CEO do Postura Sustentável.

Nos últimos tempos temos ouvido muito as pessoas falarem da importância dos valores para o sucesso profissional pessoal e das empresas. Valores estão na boca dos gurus que ensinam fórmulas de sucesso, nos relatórios de sustentabilidade das empresas e em seus planejamentos estratégicos. Mas valores não são apenas palavras bonitas. São ações, práticas pessoais e coletivas que interferem no relacionamento das pessoas e produzem efeitos.

 

Filosoficamente podemos afirmar que os valores humanos são os fundamentos éticos e espirituais que constituem a consciência humana. São eles que tornam a vida algo digno de ser vivido. Eles definem princípios e propósitos valiosos e objetivam fins grandiosos.

 

Colocando isso no mundo empresarial, podemos dizer que os valores corporativos devem criar uma cultura organizacional, em que estes devem ser os pilares de sustentação de sua identidade corporativa, guiando o sucesso empresarial. A cultura organizacional ou cultura corporativa passa então a ser o conjunto de hábitos e crenças estabelecidos através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização. Ela refere-se ao sistema de significados compartilhados por todos os membros e que distingue uma organização das demais. Não é, portanto, imposta pela cúpula da organização, nem tampouco o resultado simples da soma dos valores individuais existentes na empresa.

 

Para formar nossas convicções – e consequentemente os valores – precisamos perceber que os valores são formados por escolhas. E são elas que definem exatamente o que somos, pois ao atribuirmos valores às mais diversas possibilidades que se apresentam em nossas vidas – escolhendo isto ao invés daquilo – constituímos nossa identidade. Dada a importância dessas escolhas, surge a necessidade de termos uma boa formação pessoal para identificarmos os valores correspondentes às necessidades que vivenciamos.

 

Interessante é também entender a complexidade desse processo de escolhas de nossos valores. Como sujeitos morais participamos de um interessante processo cíclico em que ao realizarmos nossas ações, ao mesmo tempo elas podem modificar nossos objetivos e fazer com que nossas realizações reincidam sobre nós mesmos. Estas ações formam a conduta humana de cada um. Este comportamento é influenciado por uma série de inclinações e tendências modificadas pelos hábitos adquiridos (virtudes e vícios) e ainda por sentimentos, emoções e paixões, afetando a pessoa positiva ou negativamente.

 

Lembrando que ao mesmo tempo também somos convidados a conviver com os outros, sendo assim afetados por eles. Esta é a diversidade, que traz aspectos positivos e negativos da nossa humanidade, exprimindo valores que fazem parte do indivíduo, do coletivo e do patrimônio da humanidade.

 

Portanto, saber onde buscar a troca de informação numa sociedade é fundamental. Esses valores que escolhemos para nossas vidas tem o poder de transformar toda a sociedade quando ordenados para o bem comum. Por isso que o mundo corporativo começa a voltar suas atenções àqueles que possuem suas vidas alicerçadas em valores verdadeiros. Afinal como bem observou o especialista em sustentabilidade, Ricardo Voltolini, em recente artigo: “Se você se rebela diante de qualquer forma de desperdício – de tempo, energia, água e outros recursos naturais – e gosta de fazer mais com menos, por convicção, festeje. Chegou a sua vez… Se você compreende que a atividade empresarial gera impactos socioeconômicos positivos e negativos e que é seu dever reduzir ou eliminar os segundos, está pensando exatamente como as melhores empresas e os mais respeitados líderes… Se você valoriza a diversidade por princípio, convive bem com a divergência de opiniões, evita julgamentos baseados em preconceitos, pratica virtudes aristotélicas como a verdade e considera a transparência um valor importante, então possui diferenciais de comportamento crescentemente bem-vindos”.[1]

[1] Ricardo Voltolini “Valores definem uma carreira de valor”