Assim como aproximadamente 87% dos filhos dos produtores rurais no estado de Santa Catarina, quando criança lembro que meu pai me dizia: “Filho, tens que abandonar a agricultura pois não vamos conseguir sobreviver com este preço da saca de arroz”. Tempos difíceis, mas de aprendizado único. Naquela época, diversas vezes os professores falavam na escola que o futuro do Brasil era no campo. Aí eu pensava: Como isso será possível se meus pais nem me deixaram plantar arroz porque não conseguiremos sobreviver? Como falam de futuro se, no presente, preciso deixar de fazer o que mais gosto para ganhar o pão de cada dia?

Porém ambos estavam certos. Para meus pais, pois antes do Plano Real era difícil a vida no campo e não existiam tecnologias para aplicação na agricultura, e para meus professores, que já na década de 80 tinham a visão de que para o país progredir, só tinha uma saída: A evolução agrícola.

O tempo chegou. Hoje a agricultura é valorizada. Em propagandas de TV, em matérias de jornais e revistas.

Mas o agronegócio é só valorização? Os problemas acabaram? Claro que não, temos desafios diários a serem superados. O desafio é maior se for considerada a diversidade de situações. Quando se analisa o cenário em que se insere a agricultura, observa-se que alguns problemas são diferentes para cada região, estado ou município, por exemplo, dificuldades de comercialização pela distância dos mercados consumidores, esgotamento da terra nas áreas de produção, minifúndios inviáveis economicamente, concorrência externa, entre outros.

Existem, porém, problemas comuns que afetam a maioria dos pequenos e dos médios produtores rurais, como índice de analfabetismo, poucas opções de financiamento de qualquer outro tipo de crédito e controles inexistentes de suas produções (entre outros).

Se observarmos o que Crepaldi já dizia nesta mesma década de 80: “O produtor rural ainda não assumiu o papel de administrador ou tomador de decisões no próprio campo de seu domínio, sentindo-se cada vez mais necessitado de conhecimentos gerenciais. O produtor rural requer, como prioridade básica para ele, o auxílio na definição do que produzir, como produzir, quando produzir e para quem vender”.

E, neste momento tão especial que estamos vivendo na agricultura, o produtor já assumiu esse papel?

Por acreditar na importância de uma boa gestão da safra, principalmente para os pequenos produtores rurais e devido à alta competitividade do setor e, ainda, por crer nos benefícios que a implantação e a utilização que um sistema rural pode trazer, resolvi escrever este artigo.

O êxito do empreendimento não consiste apenas em alcançar elevados níveis de produtividade por meio do emprego de técnicas produtivas modernas e dispendiosas. É fundamental saber gerenciar a produção obtida para alcançar o resultado almejado, que no final é sempre a maximização do lucro.

Na prática, não é o que acontece na maior parte das regiões onde a agricultura é gerida por pequenos e médios produtores rurais. A maioria dos produtores desconhece a contabilidade de sua propriedade e demonstra pouco interesse gerencial, mas acha importante o controle de seus gastos e concorda com que o conhecimento de quanto rende o cultivo de determinado produto possibilitaria maiores investimentos e, por consequência, mais dinheiro no bolso.

O Fluxo de Caixa

Para um bom gerenciamento e crescimento rural, o produtor necessita conhecer em primeiro lugar seus custos de produção. O problema é que esses custos normalmente só são conhecidos após o fechamento do ano agrícola, ou seja, época em que as principais decisões já foram tomadas. Uma ótima ferramenta para ajudar os produtores rurais durante o ano agrícola é o fluxo de caixa. Mas o que é isso? De forma simples, é o controle de todo dinheiro que foi gasto ou investido na safra e todo dinheiro que entrou no bolso do produtor.

Além disso, com um bom acompanhamento é possível gerar previsões para os próximos meses e até mesmo para as próximas safras.

Com a gestão correta do fluxo de caixa, é possível tomar uma decisão, quanto ao capital disponível para pagar as despesas e quanto dinheiro será destinado para aplicações em outros investimentos, como maquinário e sementes.

No entanto, para a elaboração correta do fluxo de caixa, é necessária uma boa organização da propriedade, tendo controle sobre todas as movimentações financeiras e um bom conhecimento do processo produtivo, para prever as ações mês a mês.

O ideal é lançar as despesas e as receitas em contas agrupadas, como combustíveis, fertilizantes, sementes/mudas, agrotóxicos, entre outros, permitindo organizar as informações para facilitar os cálculos e a tomada de decisão.

Em algumas propriedades rurais, esse controle é feito apenas pelo extrato bancário, em que o produtor monitora, muitas vezes no canhoto do cheque, onde gasta seu dinheiro e, pelo saldo positivo da conta, quanto dinheiro entrou.

Porém este tipo de controle mostra apenas o que aconteceu, sem possibilidade de alterar algo antes que o fato aconteça. E através de uma consultoria especializada e um sistema de computador para ajudar nesses controles, o produtor rural poderá efetuar alterações em sua safra vigente ou programar sua próxima safra simulando gastos e alterando processos, sempre visando sobrar mais dinheiro no final da colheita.

Hoje, é possível monitorar a propriedade rural por meio de satélites, dando ao produtor uma análise detalhada do cultivo. As máquinas estão cada vez mais modernas, existem tratores e colheitadeiras com ar condicionado, computador de bordo e até máquinas que andam sozinhas.

É muito importante que os proprietários agrícolas, juntamente com os profissionais que atuam na área técnica dos mais diversos setores e atividades na agricultura, sejam conscientizados de que o processamento de dados como ferramenta de trabalho poderá gerar retorno igual ou maior às demais áreas.

Basicamente, a informática deverá buscar a melhoria da qualidade e da produtividade de qualquer atividade na agricultura, tornando o setor cada vez mais forte e atrativo para os jovens.

Hoje, com o auxílio dos filhos que tiveram que sair da lavoura para “trabalhar com computador” na cidade, meu pai consegue saber com mais assertividade o que plantar, quando plantar, acompanhar custos e aumentar “seu dinheiro no bolso”. E isso é muito gratificante.

*Anaías Hafemann, analista de Agronegócios da Senior

 

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