A força dos fatos

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Do total, R$ 1,73 bilhão foram de recursos diretos do Tesouro – 67,7% mais do que o aplicado em 2015. Outros R$ 4,05 bilhões foram das estatais, como Copel (R$ 3,2 bilhões) e Sanepar (R$ 579,8 milhões), Cohapar (R$ 64,9 milhões), Fomento Paraná (R$ 69,9 milhões) e Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (R$ 45,8 milhões), com aumento de 125,6% na mesma base de comparação.

Como ignorar investimentos em casas populares, saneamento básico e energia elétrica? É impossível dissociar os investimentos das empresas estatais do Governo do Estado, que é seu controlador e detentor do poder que determina suas ações. Chega a ser risível a tentativa de dissociar o governo de suas estatais quando se trata de investimento e, em outro texto, imputar ao governo problemas relacionados ao aumento da tarifa de energia, à falha no fornecimento de água ou coleta e tratamento de esgoto. Essas duas versões não podem conviver num mesmo veículo. Só alimenta o vício primário do “há governo, sou contra”, que impede o reconhecimento de boa gestão e desmoraliza a capacidade de crítica onde ela é correta e necessária.

Tchau, Gleisi!

Se o favoritismo da chapa ‘Renan-Eunício’ se confirmar na eleição no Senado, Tasso Jereissati passará a presidir a Comissão de Assuntos Econômicos. Gleisi Hoffmann, ré no STF por corrupção e lavagem de dinheiro, deixará o comando da CAE.

Dono da bola

Marcelo Cattani é considerado o homem mais influente no entourage do prefeito Rafael Greca. Não há decisão que não passe pelo seu crivo. Seu poder, que se alastra por outras secretarias, como a de Governo, aumenta ainda mais a partir de agora, quando ele passa a acumular cargos no primeiro escalão. Além de secretário da Comunicação Social, desde ontem preside a Fundação Cultural de Curitiba (FUCUCU).

Entrega tudo

O advogado do operador dos mensalões petista e tucano Marcos Valério vai entregar ao Ministério Público de Minas pelo menos 48 anexos da delação que ele se propõe a fazer. Os anexos são relatos preliminares. Segundo o advogado Jean Robert Kobayashi Júnior, Marcos Valério vai entregar os anexos com documentos inéditos sobre o mensalão do PSDB, esquema de desvio de recursos públicos para reeleição do então governador Eduardo Azeredo, em 1998 – o tucano já foi condenado a 20 anos de prisão no caso, mas recorre em liberdade.

                Livrou uma

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o arquivamento de inquérito contra o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).  O senador foi acusado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de ter solicitado e recebido R$ 2 milhões de origem ilegal durante sua campanha para o Senado, em 2010. Segundo Costa, o dinheiro teria sido entregue pelo doleiro Alberto Youssef, que, por sua vez, negou ter intermediado a entrega dessa quantia. Diante da divergência, Costa e Youssef participaram de uma acareação, na qual mantiveram suas respectivas versões.

Aviso

Cansados de cobrar uma solução para o grande número de assaltos no bairro Campo do Santana, em Curitiba, moradores tomaram uma atitude inusitada e decidiram ‘alertar’ passageiros do transporte coletivo sobre a criminalidade na região. Próximo a um ponto de ônibus, foi colocada uma placa com a mensagem “Cuidado, risco de assalto”.

Agora é Lula

Em viagem para Sevilla, na Espanha, a ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT) falou pela primeira vez que não disputará mais uma candidatura à Presidência da República e diz que agora o candidato é Luiz Inácio Lula da Silva. “Não serei eu, será Lula da Silva o candidato”, disse Dilma em entrevista á Rádio Sevilla, da rede Ser.

15 disputam

Partidos políticos e o mundo jurídico se movimentam intensamente para tentar emplacar um nome para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) aberta com a morte de Teori Zavascki. Esta será a única indicação feita pelo presidente Michel Temer em seus pouco mais de dois anos de governo, caso nenhum ministro decida se aposentar. Entre os nomes citados por políticos e juristas estão o de três mulheres e 12 homens.

STF convoca Odebrecht

Os 77 executivos do Grupo Odebrecht começaram a desembarcar nesta quarta-feira em Brasília para a última etapa da homologação da “delação do fim do mundo” na Operação Lava Jato. Na terça-feira, a pedido da Procuradoria-Geral da República, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Carmem Lúcia, deu sinal verde aos assessores do ministro Teori Zavascki para continuar o processo da colaboração.

Brasil e a corrupção

Levantamento divulgado pela ONG Transparência Internacional aponta que o Brasil fechou 2016 ocupando o 79º lugar num ranking sobre a percepção da corrupção no mundo composto por 176 nações. O índice brasileiro foi 40 pontos dois a mais que o registrado no ano anterior, mas o país ainda ficou três posições abaixo do 76º lugar alcançado em 2015. A escala utilizada pela entidade varia de 0 (altamente corrupto) a 100 pontos (muito transparente).

Renunciaram

O presidente e outros seis membros do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão do Ministério da Justiça, renunciaram a seus cargos. O conselho é o responsável por definir os rumos da política penitenciária no Brasil. O pedido de demissão coletiva veio após o ministro Alexandre de Moraes publicar uma portaria que altera o número de integrantes do conselho. A resolução aumentou em oito o número de vagas de suplência, forçando uma maioria de indicados pelo atual governo.

Teto para militares

O governo federal estuda criar um teto para o valor das aposentadorias de militares, no que seria um segundo passo da reforma da Previdência. Essa proposta, no entanto, enfrentará forte resistência da categoria. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, rejeita colocar como teto para os benefícios o máximo pago pelo INSS, R$ 5.531,31.

Dívida Pública

A Dívida Pública Federal, que inclui o endividamento interno e externo, encerrou 2016 em R$ 3,113 trilhões. Isso significa que estoque da dívida pública subiu 11,5% no ano passado, em relação a 2015. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 25, pelo Tesouro Nacional.

Planos de saúde

A região Sul do País encerrou 2016 com 95,85 mil beneficiários de planos médico-hospitalares a menos do que começou o ano. A queda, de 1,4%, foi puxada pelo Paraná, que perdeu 41,3 mil vínculos (-1,5%) no período analisado. Os números constam na Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), produzida pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). No Brasil todo, o ano de 2016 teve 1,37 milhão de pessoas deixando os planos de saúde privado, equivalendo a uma queda de 2,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro, explica que a variação se deve, em grande parte, ao cenário econômico negativo e à queda do nível de emprego do País.

Os codinomes

Relatório policial sobre mensagens apreendidas no telefone de Eduardo Cunha mostra que os suspeitos de participar de esquema de liberação de créditos na Caixa usavam vários codinomes para se livrar de grampos. Insones Cunha era “Carlos Lopes”. O operador Lúcio Funaro, hoje preso, “Spin”, “maluco” ou “Lucky”. Já o delator Fábio Cleto, então dirigente do banco, era “Gordon Gekko”, o milionário ganancioso do filme “Wall Street”, de 1987, dono da célebre frase “o dinheiro nunca dorme”.

 ‘Já ganhou’:

O clima é de “já ganhou” entre os apoiadores da reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que trabalha para ser reeleito em primeiro turno. Ele acha que pode superar os 400 votos, no dia 2. Somente os principais aliados (DEM, PMDB, PSDB, PPS e PSB) garantem 183 votos, sem contar aliados envergonhados (PT, PCdoB) e 117 dos 200 votos de partidos do “centrão” (PRB, PR, PP e PSC). Atual presidente-tampão da Câmara Maia quer garantir ao menos 28 dos 57 deputados do PT e do PSC (cinco em dez).

Abandonados

Até o PSD deixou pendurado na brocha Rogério Rosso (DF), suposto candidato próprio a presidente da Câmara, para apoiar Rodrigo Maia. Jovair Arantes (PTB-GO), também candidato a presidente da Câmara, foi abandonado pelo próprio partido, que decidiu apoiar o presidente. Ex-ministro de Dilma, André Figueiredo (PDT-CE) foi abandonado pelo PT e até pelo PCdoB, cujos doze deputados apoiam Rodrigo Maia.

Nova embromação

O ministro Alexandre de Moraes (Justiça) gostou da lorota da Força Nacional de Segurança Pública, que agentes e delegados da Polícia Federal chamam de “farsa nacional”, e criou um grupo semelhante para atuar em presídios. Vai estrear na penitenciária potiguar de Alcaçuz, para onde foram enviados… 30 policiais e agentes. Noves fora, nada. Não fará diferença diante dos 6.000 policiais militares do Estado.

Apenas factoide

A “força-tarefa” de presídios imita a esperteza de Lula, que inventou a Força Nacional para o governo fingir preocupação com a insegurança. Brasil afora, são pífios os resultados da Força Nacional comparados à atuação regular das polícias militares e civis.

Despreparo

A atuação da Força Nacional tem sido risível porque os policiais que a integram não estão familiarizados com o terreno, tampouco equipados.

Notícia falsa

O relatório da Polícia Federal sobre pagamento irregular a gráficas, na campanha de reeleição de Dilma Rousseff (PT), fez ressurgir a lorota de “ameaça de cassação” de Michel Temer. Isso é falso. Ministro do Tribunal Superior Eleitoral já esclareceu a esta coluna que, com os habituais pedidos de vista e recursos, antes do fim do governo Michel Temer não há a mais remota chance de o julgamento das malfeitorias na campanha de reeleição de Dilma transitar em julgado.

Judicializou geral

Fiel aliado de Michel Temer, o deputado Carlos Cadoca (PDT-PE) critica recursos à Justiça na eleição para presidente da Câmara: “Mais uma vez, nos deparamos com o excesso de judicialização da política”.

Precedente no STF

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) defende a reeleição do presidente-tampão da Câmara, Rodrigo Maia, assim como no Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski foi reeleito ao término do seu mandato-tampão após o presidente Joaquim Barbosa se aposentar. Cármen Lúcia atendeu pedido da OAB permitindo que juízes auxiliares do ministro Teori Zavascki trabalhem em delações da Odebrecht. O presidente da OAB, Cláudio Lamacchia, celebrou a decisão.

Viola desafinada

Os tucanos andam desafinados. Na hora de prestar homenagem ao ministro Teori Zavascki, Aécio Neves (MG), Cássio Cunha Lima (PB) e Antonio Imbassahy divulgaram notas distintas. O clima azedou. Além dos protestos contra a decisão do PT, comandada pelo presidente Rui Falcão, de liberar aliança com a base de Temer para o comando da Câmara e do Senado, petistas negociam com dirigentes do PSol uma entrada em peso no partido para assegurar candidaturas nas próximas eleições. Os descontentes estão, agora, deixando de lado as costuras por uma nova legenda. Creem que ela não teria musculatura em 2018.

Crê quem quiser

Na reta final da corrida pela reeleição à presidência da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) quer provar aos colegas que, embora seja o candidato do governo, é “independente”. Em encontro com a bancada do Rio, disse que, na votação do projeto de renegociação da dívida dos estados, atuou contra os interesses do presidente Temer. Os deputados ouviram calados, mas comentaram entre si que Maia, por vezes, atua como líder do governo. Dos mineiros, com quem se reuniu na sequência, ouviu que a Câmara precisa investir em um plano de comunicação para melhorar sua imagem.

Toque de recolher

Cotado para a vaga no STF, Ives Gandra Filho segue uma rotina rígida. Tem hora para voltar para a residência da Opus Dei onde vive e, se ultrapassa, é procurado. Quando recebe mulheres em seu gabinete, a porta é mantida aberta.

Linha-dura

Políticos estão assombrados com a possibilidade de Edson Fachin assumir a Lava-Jato no STF. Dizem que ele não mede impactos de suas decisões e lembram que, após votar para afastar denunciados da linha sucessória, recebeu denúncia contra Renan Calheiros, o que quase apeou o peemedebista da presidência do Senado.

Reforme a reforma

Para pôr musculatura nacional contra a Reforma da Previdência, o PT prepara uma série de eventos em todo o país, com sindicatos e movimentos sociais. À frente, está o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas. O primeiro será dia 3, em Recife e Caruaru.

O que vale para um

A pressão do Rio Grande do Sul por socorro do governo federal às contas do estado é acompanhada com lupa por outros governadores. Muitos veem interesse direto do ministro da Casa Civil, o gaúcho Eliseu Padilha, em dar uma mãozinha para ajudar o correligionário José Ivo Sartori e tirar algum capital político da situação.

Amarrações

Tucanos tentam se entender sobre o nome do partido para a Mesa da Câmara. Cresce articulação para nome de fora de São Paulo. Izalci Lucas (DF) diz que tem 25 dos 48 votos da bancada. Mariana Carvalho (RO) corre por fora. Em conversa com deputados sobre as rebeliões em presídios no país, Temer contou que assistiu à série da Netflix “El patrón del mal”, sobre a vida do traficante Pablo Escobar. Foram destacadas as semelhanças entre as duas realidades.

Conversa fiada

A campanha de Jovair Arantes (PTB-GO) para presidente da Câmara disparou que o governo pretende nomeá-lo ministro. Não passa de ilação. O Palácio do Planalto nem cogita uma vaga para Arantes.

Nova direção

Os três maiores partidos da Câmara já definiram seus líderes para 2017. No PMDB, Baleia Rossi (SP) foi reconduzido. O PT elegeu Carlos Zarattini (SP) e o PSDB escolheu Ricardo Tripoli (SP).

Pergunta na delegacia

Tem remédio um governo, como o do Rio de Janeiro, que é acusado de fraudar até compra de tornozeleiras eletrônicas?

Frases

“As pessoas têm hora e vez, tudo tem hora e vez, a vez já foi a minha. “

Dilma Rousseff, na Espanha, ao dizer que não será candidata à presidência.

“Você ama, ama, ama o seu país. E o país te tortura, te prende, te tira as coisas. Que diabo é isso? ”

Tom Jobim, um brasileiro de valor, que se vivo fosse completaria, ontem, 90 anos