A farra, o descalabro

986

O Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira (17) a proposta orçamentária para 2020, conforme o substitutivo elaborado pelo relator-geral, deputado Domingos Neto (PSD-CE). Na sessão conjunta de deputados e senadores, o montante a ser destinado para o Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC) foi o único item discutido em separado, por pressão de deputados do Novo.

O partido é contrário ao financiamento de campanhas e apresentou destaque para tentar reduzir a R$ 1,363 bilhão a previsão aprovada pouco antes pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), de R$ 2,034 bilhões, como queria o Poder Executivo. A iniciativa recebeu o apoio dos senadores da Rede, mas acabou derrotada na Câmara por 242 votos a 167 e nem sequer foi analisada no Senado.

“Campanhas têm que ser mantidas por quem acredita na política e na democracia, por pessoas que apoiam os candidatos, e não pelo povo, que já paga muito imposto e vê pouco resultado nos serviços públicos”, afirmou o líder do Novo na Câmara, deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), ao pedir a aprovação do destaque.

Olho no Judiciário

Em sua delação, o ex-governador Sérgio Cabral, que acumula 12 condenações, somando 267 anos de prisão, deverá alcançar políticos, empresários, banqueiros e até sua própria mulher Adriana Ancelmo, hoje com namorado novo. Só que todas essas travessuras de Cabral são mais do que conhecidas e não deverão se converter em chance de alcançar a liberdade. A chance maior de Cabral está no Judiciário.  Ele é peça-chave na nomeação de quatro ministros do STJ e um do Supremo. No ano passado, o STF autorizou a polícia a negociar delações à revelia dos procuradores – e o acordo de Cabral é com a PF. O que vier à tona deixará o Supremo de saia justa.

Outro lado

Mais velha de oito filhos, Heloisa de Carvalho, quatro anos depois de ter publicado uma carta aberta a seu pai Olavo de Carvalho revelando episódios de uma infância traumática, está lançando (pré-venda) um livro, em parceria com o filósofo Henry Bugalhi, com o título Meu Pai: o Guru do Presidente – a face ainda oculta de Olavo de Carvalho. Conta de vínculos a seitas esotéricas, abandono de mulher e filhos até uma vida desregrada, revelando passado polêmico de um “homem que tem decisões de governo no Brasil e escolhe a dedo que fica e quem sai dele”.

Embaixada

Olavo de Carvalho está recomendando a Jair Bolsonaro que nomeie Filipe Martins para a embaixada do Brasil em Buenos Aires. Ele é pupilo do guru de Virginia e assessor especial do presidente para a área internacional (manda mais que Ernesto Araújo). Olavo acha que seria um “estorvo diplomático” na sala do governo de Alberto Fernándes (mais a vice Cristina Kirchner).

Mais propaganda

A JHSF continua fazendo grande campanha nos jornais em torno do empreendimento Fazenda Boa Vista, que decola devagarinho. A propaganda é de páginas inteiras e agora, o triatlo foi banido das peças publicitárias. Zeca Auriemo chegou à conclusão que futuro compradores não querem concorrer a nenhum campeonato de atletismo. Agora, tem slogan: “É Boa Vista, é igual, é diferente?”. Uma preciosidade.

Assinatura de fé

As igrejas evangélicas Sara Nossa Terra (2 milhões de fiéis e 1,2 mil templos) e Assembleia de Deus (12 milhões de fiéis e 100 mil templos) vão ajudar Jair Bolsonaro a conquistar 492 mil assinaturas para a oficialização do partido Aliança pelo Brasil. A Universal de Edir Macedo não entra nessa: já tem o PRB.

Candidata

A juíza Heloisa Lima da Silva é o nome mais cotado para assumir a 1ª Vara da Infância do Rio, no lugar de Pedro Henrique Alves. Ela está em alta: no paralelo, o governador Wilson Witzel lançou, por sua conta, a candidatura da juíza à prefeitura do Rio no ano que vem.

“Dress code”

Seguindo tendência geral, Candido Bracher, Itaú-Unibanco liberou o “dress code” no banco. Hoje é fácil encontrar funcionários circulando de jeans, camiseta e – quem diria – até bermuda na sede da instituição. A gravata foi abolida no dia a dia dos principais bancos. Agora, só em ocasiões especiais. Muitos circulavam sem o acessório no almoço de final do ano da Febraban – Federação Brasileira de Bancos. Nos bancos públicos, novos ares: Pedro Guimarães, presidente da Caixa, percorre o país fazendo até “lives” com funcionários e clientes.

 

Previsão 2020

Malgrado o novo “dress code” que impera entre funcionários dos principais bancos brasileiros, as nuvens para eles estão mais do que cinzas em relação ao próximo ano. Estima-se que, no primeiro semestre de 2020, cerca de quatro mil funcionários serão demitidos entre os chamados bancos grandes.

 

Guest star

Luciano Huck aparecerá na novela Amor de mãe: ao se tornar um músico de sucesso Ryan (Thiago Martins) aparecerá no Caldeirão do Huck. Nada de Lata Velha ou Quem quer ser um milionário.

 

Vai quebrar

Quem diria: jornais americanos publicam primeiros sinais da complicada situação da Boeing que, sem ajuda do governo dos Estados Unidos, poderá ir à falência. Essa condição de penúria da grande empresa foi devidamente detectada às vésperas da Boeing concluir a compra da Embraer.

 

Novos acordos

Às vésperas da entrada em vigor das novas regras da Previdência, a Procuradoria-Geral federal vai fechar o ano com cerca de 200 mil novos acordos com aposentados. A economia de R$ 300 milhões. É um volume 66% superior ao registrado no ano passado, em torno de 120 mil acordos selados. Mesmo assim, o carry over de ações judiciais no INSS é de cerca de seis milhões de caso.

 

Reforma modesta

Nada de ampla reforma: Jair Bolsonaro fará algumas modificações no ministério no começo de 2020. Na lista dos favoritos estão Abraham Weintraub, da Educação, Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria do Governo, só para começar. Também Luiz Henrique Mandetta (Saúde) poderá sair para concorrer à prefeitura de Campo Grande. Tarcísio Vieira (Infraestrutura) é “imexível”, como diria Antonio Magri.

 

Farra

Somando-se R$ 810 milhões do Fundo Partidário mais dos R$ 2 milhões assinados por Bolsonaro para Fundo Eleitoral, os políticos terão uma verdadeira festa no ano que vem para o financiamento de campanha de prefeitos e vereadores. Os que defendem essa dinheirama de recheio dos partidos chamam os fundos de “financiamento da democracia”.

 

Resistência

Fora da cadeia o ex-presidente Lula começa a articular as candidaturas para prefeituras do ano que vem. Só que começa encontrar algumas resistências. Assim como Fernando Haddad, que não quer sair candidato à prefeitura de São Paulo, Benedita da Silva não quer concorrer no Rio. Em pesquisas extraoficiais, ela aparece em sexto lugar. Mais: o sonho de Lula é ter uma chapa no Rio composto por Benedita e na vice Marcelo Freixo (Psol).

 

Menos

Veterano ministro do Supremo Tribunal Federal aconselhou, esta semana, depois de uma entrevista considerada um desastre, ao presidente do STF, Dias Toffoli que procurasse “falar menos”. Praticamente em nome dos demais, esse ministro, lembrou, muito delicadamente, que sua fala no plenário (quatro horas) sobre prisão em 2ª instância foi igualmente catastrófica (ninguém entendeu o que ele queria dizer) e que isso tudo começava a englobar a imagem da própria Corte.

 

Blindou

As buscas e apreensões de dez alvos ligados a Flávio Bolsonaro estavam programadas para ocorrer há seis meses. O Ministério Público só conseguiu agir agora porque a investigação foi paralisada pelo Ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo, que blindou o filho de Jair Bolsonaro.

 

Retardando

Estados e municípios estão ganhando tempo com o efeito protelatório dos recursos contra sentenças que impõem revezes ao erário. Estima-se que, hoje, Estados e municípios devam R$ 113 bilhões em precatórios. A dívida atribuída a São Paulo é de R$ 23 bilhões.

 

Rainha Valquíria

Ex-bolsonarista, Lobão acaba de compor nova música em inglês com o título Valkiria Queen (Rainha Valquíria) que é como ele costuma se referir a Olavo de Carvalho. A letra diz sem tradução livre: “Ele é um lambe-bolas de tirano/elogiando ordem e controle/por engenhocas, criando paranoia/ Toda a fraude que ele vê e tolera/é a fraude que ele se tornou/ apenas para se contentar com uma coroa de bananas/ e um trono de mentiras em nome de Deus”.

 

Precavido

Com mandados de busca e apreensão contra Fabricio Queiroz e outros parentes, incluindo ex-mulher do presidente Bolsonaro, a defesa de Flávio Bolsonaro se reuniu em caráter urgente. Os advogados do filho do chefe do Governo querem ter acesso integral aos mandatos expedidos para estudar medidas cabíveis para defender Flávio.

 

Juntos

Na terça-feira (17) no jogo da seminal do Flamengo contra o Al-Hial (o time carioca venceu por 3 a 1), alguns parlamentares se juntaram para ver o jogo do Mundial de Clubes 2019. E algumas cenas surpreenderam. Uma dela foi conversa descontraída entre Marcelo Freixo (Psol) e Carlos Jordy (PSL). Os partidos são rivais.

 

Vai ser difícil

Parece que o presidente Jair Bolsonaro não está muito confiante de que conseguirá as 492 mil assinaturas físicas necessárias para a criação oficial de seu partido. Mesmo sabendo que existe um apoio por parte das Igrejas Evangélicas, ou até mesmo uma convocação dos seus seguidores das redes sociais.  O Capitão acha muito difícil conseguir este volume de assinatura até março, prazo para concorrerem as eleições municipais. E comentou com um aliado: “Pelo jeito vai ter de recolher assinatura no braço. Se for no braço, vai ser difícil de fazer para março o partido. Muito difícil”.

 

Mudança

Em 2020, o programa de Fausto Silva será gravado: a ideia é gravar vários programas numa semana, o que significará corte radical de custos porque será menor o número de profissionais envolvidos e produção igualmente reduzida. O animador até gostou: terá mais tempo para se encontrar com o filho João, que mora e estuda na Suíça.

 

Põe na tela

José Luiz Datena não será candidato a prefeito, está cansado de programa policiais e “até de viver”: “Ficar velho é uma merda. Dá tudo errado. Você fica mal, tem problemas de saúde para cacete, começa a broxar, dar problema para a família. Não vejo graça nenhuma”. Aos 62 anos, Datena diz que nem assiste mais jogo do Corinthians, seu time do coração.

 

De novo

O Google está repleto de denúncias contra a Coca-Cola devido a maior incidência de “corpos estranhos” encontrados em suas garrafas. Nos últimos tempos, essa hipótese mantida em números absolutos é de 117 citações por mês ou 3,9 por dia. A viralização dos “corpos estranhos” domina a internet e a Coca-Cola colocou um site e um 0800 para enfrentar a situação. Nos anos 70, movido a jornais popularescos, a Coca-Cola enfrentou sua maior crise. Afirmava-se que um funcionário caíra num tonel do produto e pedaços apareceriam nas garrafas.

 

Em defesa

O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) que estava em viagem na Turquia, prometendo se entregar hoje a Polícia Federal, ganhou uma grande defensora: Gleisi Hoffmann. “Considero Ricardo Coutinho um homem sério e que fez ótimos governos na Paraíba. A operação que decretou sua prisão hoje parece-me mais um exagero daqueles que tem sido praxe de setores do judiciário, envolvendo show midiático e interesses políticos”. Coutinho, à propósito teve uma passagem pelo PT.

 

Oração

Ontem (18) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de ter seu pedido de impeachment votado pelo Congresso americano, pediu para que rezassem por ele. Apesar de dizer que não estava preocupado com o julgamento, escreveu no Twitter: “Conseguem acreditar que serei impedido hoje pela Esquerda Radical, Democratas que Não Fazem Nada, E não fiz nada de errado! Uma coisa terrível. Leiam as transcrições. Isso não deve acontecer com outro presidente nunca mais. Façam uma oração”.

 

Alternativa

Empresas procuram sempre alternativas para diminuir os custos. Uma dela é o conhecido home office (trabalho em dentro de casa) Segundo levantamento do IBGE em 2018, 3,8 milhões de brasileiros trabalharam neste padrão, correspondendo a 5,2% do total de trabalhadores ocupados no país. Foi um aumento de 21,1% referente a 2017.  O levantamento acredita 2019 deverá seguir os mesmos parâmetros.

 

Frases

“O vocabulário usado pelo presidente é típico de gente como Fujimori, Erdogan e aquele maluco lá da Venezuela, o Hugo Chávez.”

Wilson Witzel, governador do Rio