Osvaldo Nascimento Juniors.’.

Temos aqui em nossa Coluna VINO VITA EST, trazido até vocês caros leitores (as) informações diversas sobre o mundo bacante, sobre as regiões produtoras deste fruto maravilhoso no mundo, A UVA, sua geografia, história, cultura, e principalmente sobre os tipos de uvas que somos brindados pela natureza e pela técnica hoje desenvolvida pelo homem em produzir cada vez mais, com mais qualidade, e com preços cada vez mais acessíveis ao degustador hodierno. Já mencionamos o Imperador do vinho, Robert Parker, que diz que não se precisa gastar muito dinheiro, para se ter vinhos de qualidade à sua disposição, hoje o mercado, oferece produtos de alta qualidade, com preços de USD 10, a USD 25,00, até por menos, dependendo das promoções, e com uma grande variação de uvas.

Mas dentre sua história e tradição, hoje vamos abordar um complemento do vinho, que avançou nos séculos aprimorando-se cada vez mais por seus estudiosos, para tornar mais fácil seu transporte, e mais fácil de você degustá-lo em qualquer lugar, O VIDRO. Não foram fáceis, das ânforas de cerâmica, os potes de barro glosurados, achados nas pirâmides dos Faraós, com mosto de vinhos, recipientes metálicos cinzelados, provando que o vinho precedeu em muito o vidro do qual se fizeram as garrafas e os cálices, às meias garrafas de hoje, o caminho foi longo.

O vidro, como tantas realizações humanas, tem origens envoltas em mistério. É provável que os primeiros vidros tenham aparecido a partir de lavas vulcânicas, em contato com materiais e condições favoráveis à sua formação. Foram descobertas pontas de flechas e utensílios cortantes, datando de tempos pré-históricos.

Conforme pesquisas por nós realizados em várias obras sobre o assunto, citamos Orlando Borges Schroeder, em seu livro Iniciação Ao Vinho, prefaciado pelo não menos Antonio Houaiss da Academia Brasileira de Letras, da Mesopotâmia e Egito, nos ficaram contas de vidros e posteriormente os primeiros recipientes. A Alexandria aperfeiçoou vidros coloridos e na Babilônia presume-se tenha surgido o ferro de soprar vidro. A Roma de Augusto, sempre o Império Romano, lá por 24 A.C já havia chegado a considerável domínios sobre a técnica de fabricação do vidro, avanços esses que a queda do Império Romano, em 450 D.C pelos bárbaros, levou ao esquecimento.

Na idade Média notabilizaram-se os vidros de Veneza, Murano, Bolonha, Ferrara e Gênova.

No século XV descobre-se o cristal. Os ingleses com a introdução do chumbo obtêm cálices de pouca espessura e admirável transparência. Surgem os vidros tipo”crown” (coroa)- mais grossos, servindo no fabrico de garrafas, o o “flint”, mais fino e transparente do qual derivam cristais e lentes hoje usados.As garrafas tiveram sua evolução a partir de recipientes de pouca altura, baixas, atacarracadas, algumas com alça para segurar. O passar do tempo as fez mais delgadas, altas e cilíndricas.Este aprimoramento pode ser bem  acompanhado nas garrafas do Champagne e Vinho do Porto, preservadas em museus.O processo especial de preparação do vinho Champagne determina o uso de garrafas mais resistentes, portanto de paredes mais grossas.Inicialmente as garrafas eram marcadas por relevos circulares no próprio vidro, só mais tarde apareceram os rótulos de papel.Com a evolução do vidro começa a fabricação de taças. Embora não sendo de vidro nem de uso corrente e profano, merecem atenção os cálices litúrgicos da igreja católica. Em geral dourados constitui alguns, verdadeiras obras primas de ourivesaria.

A pequena concha prateada, tastevin, apresentando o fundo com relevos e saliências, é o instrumento símbolo dos Sommeliers e degustadores. Algumas confrarias o portam na ponta de uma fita que envolve o pescoço, complementado as vestes rituais usadas nas cerimônias.

Os cálices venezianos e os demais, seguindo o espírito da época, eram extremamente  elaborados, tinham as hastes longas, ornadas de arabescos em forma de fita e com tampa.Estas peças de museu permitem acompanhamento evolutivo do cálice de vinho. Com o tempo e seguindo as demais artes, o cálice ficou mais simples e ganhou funcionalidade. As peças coloridas foram perdendo o sentido, hoje são mais elementos ornamentais do que cálices de uso corrente. O vinho aprimorou-se, livrando-se de impurezas e o degustador preferiu a límpida transparência dos cristais.

A grande variedade de vinhos fez aparecer diversidade de cálices, quase um cálice para cada região. Houve o despertar da criatividade estimulada pela funcionalidade ou evolução regional dos estilos, trazida pelo tempo.O cálice do Champagne é bom exemplo evolutivo: inicialmente um cone invertido de paredes translúcidas, semi-opacas, passou a ter haste mais longa, transformou-se em taça, alongou-se nas flautas e presentemente é o elegante cálice em forma de tulipa, matéria histórica e cheia de lendas que veremos na próxima matéria. As hastes mais longas afastam o calor da mão do balão superior, contendo o vinho, as mais curtas o aproximam.

Para os tintos de Borgonha foi criado o cálice mais amplo, mais aberto. Em Bordeaux predominam os menos amplos e abertos.Os brancos do Reno e do Mozela, foram contidos nos elaborados e coloridos Römer ou nos mais simples alsacianos, igualmente de hastes longas, às vezes verdes para os Mozelas e marrons para os Reno.

O degustador tem, porém especificações essenciais. O cálice de vinho deve ser simples, tão transparente e fino quanto possível, de maneira a quase fazer esquecer a existência de qualquer interferência entre o apreciador e o precioso líquido. Deverá o cálice apresentar-se limpo, impecavelmente limpo,. Não empregar na limpeza sabão ou detergente, a não ser que se possa depois lavar e enxaguar abundantemente, enxugando cuidadosamente sem pôr as mãos na parte interna.

Como vocês viram quanta profundidade numa taça de vinho, este é o mundo vínico, com suas nuances e história.  Portanto ao degustar o seu vinho, observe a taça que o recebe, quantos séculos de história a precede, a evolução da técnica do vidro aos cristais, chegando hoje às taças de cristais Riedel, consideradas o máximo para degustação do líquido bacante.

O vinho é a única coisa que é, ao mesmo tempo, a agricultura e alta cultura.O vinho é a expressão do amor possível entre o homem e a terra, Um depósito cultural de cada lugar.

AVOE. Brado de evocação à Baco por seus súditos.

Osvaldo Nascimento Juniors.

Advogado, empresário, Enófilo, Sommelier, Consultor, Colunista e Palestrante de Vinhos, autor do livro VINUM VITA EST – A HISTÓRIA VISTA PELO VINHO, pela Editora Prismas de Curitiba, um convite ao leitor(a) a uma viagem histórica e didática ao mundo apaixonante de Baco e Dionísio- Adquira o seu pelo fone (41)996889252 ou osvaldopinheiro@gmail.com prreço R$ 65,00 –