A batalha e os sapos

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   Muita calma nesta hora é o que se recomenda aos dois finalistas federais e a acreana Marina Silva, desmontada por Dilma e seu time, mais o outro interessado, Aécio Neves. É verdade que Marina nada apresentou em seu curto período de campanha. Falou, falou e ficou difícil saber-se o que ela programava. Foi, porém, quem mais cobrou programas dos dois adversários, ambos disputando a posição de inimigo da própria. A calma, entretanto, não pode parecer medo e protelação, assim como a pressa pareceria só um temor. Na verdade, se temos uma situação nova, que não ocorreu no passado de Fernando Henrique e Lula da Silva, sempre surge a primeira vez.

A decisão de Marina é importante para a presidente atual e o senador das Minas gerais. Mas é, além do interesse generalizado dos brasileiros, uma posição que Marina tem de estudar com tranquilidade, pois aí está seu futuro. Ficar à margem, como ocorreu há quatro anos, ela não deve repetir sob pena de receber o carimbo de murista permanente. Dilma, de quem ela já foi colega de Ministério, deve responder pela desconstrução da ambientalista. Aécio ajudou, é claro, mas não com tanto ímpeto. O PT, dizem o óbvio, não perdoa. Se para não levar um susto maior se fez necessário passar por cima de Marina, que se faça a operação. Em jogo está a República e o PT quer dar início já ao 16º ano continuado no Planalto.

Por sua vez, Aécio soube aproveitar o final da campanha para situar-se melhor. E conseguiu com brilhantismo. Abandonado de modo geral, falando quase sozinho, foi o responsável pelo isolamento de que reclamara – nem o telefone bate. Deu volta por cima e, no mais, todos acompanharam os finalmentes.

E Lula, indaga-se, como ficará nisso tudo? Tranquilo, acreditamos. Para isso, é necessário partir-se do ponto de que Lula deverá ser candidato do PT em 2018. Seria agora caso Dilma fraquejasse. Mas é evidente que ou Lula vai para uma função de destaque em instituição internacional, muito difícil como se sabe, ou ajuda Dilma a permanecer quatro anos mais. Mas será que Lula vai preferir ser candidato de Dilma ou teria preferência por enfrentar o mineiro Aécio Neves, ele na oposição. Evidente que esta seria uma posição mais desejável. Não se pode, porém, querer marcar o ex-presidente como um traíra do seu próprio partido e de sua própria candidata.

Lula é um socorrista. Líder inconteste do PT, limpou terreno e assumiu o comando único da legenda. Faz e desfaz, sendo o líder partidário mais temido do nosso momento político. Não tem por costume deixar um companheiro (a) ao relento. A impressão que se tem é que Lula poderá, isto sim, pegar a estrada, com Dilma embaixo do braço e recoloca-la nos Palácios que ele já já ocupou e que propiciou a Dilma a mesma ocupação.

Com Lula ou sem líder petista, Aécio e Dilma precisam responder por si e sair pela estrada. Ambos não podem dividir o país entre o norte/nordeste com Dilma e o sul e mais alguma coisa com Aécio. Um dos dois será presidente (ou presidenta). Será punido aquele que patrocinar ou vacilar diante de uma possível divisão. Não precisam se dar as mãos, mas a torcida maior, de todos nós, será pela boa administração que terá início em 1º de janeiro próximo. Ainda que seja necessário engolir sapo. Tantos já fizeram isso, por que não os candidatos (um dos) e os brasileiros de modo geral?

* Ayrton Baptista, jornalista.