A arte essencial e eterna de Carlos Eduardo Zimmermann

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Carlos Eduardo Zimmermann: o genial artista dos jogos de luz, sombra, cores e movimento visual: obra eterna, que projeta a produção paranaense no mundo

Uma arte que envolve e ilumina o espaço e o espectador, que esquenta e ao mesmo tempo isola, particulariza a experiência do público. Uma arte que intriga com seus movimentos surpreendentes e irresistivelmente estéticos, com improváveis e impecáveis jogos de luz e sombra. Essencial como o ar, a arte de Carlos Eduardo Zimmermann eterniza sua presença sempre sensível, elegante e gentil no mundo. Valoriza o Paraná e o Brasil, diante dos olhos do globo.

Falecido na segunda-feira, 4 de junho, o artista plástico Carlos Eduardo Zimmermann deixa um legado artístico admirável para as atuais e próximas gerações. Seu talento, o modo como lida em suas obras com as formas, dimensões, cores, texturas e luz sempre se mostrou avançado, quebrando paradigmas e elevando a arte a um novo estágio, ao mostrar a cada criação sutileza, acurácia, apuro técnico e uma sólida formação, que incluiu a respeitada Royal College of Art, em Londres.

Com exposições marcantes e bem cuidadas, como aquela em comemoração aos 30 anos da Galeria Zilda Fraletti, em 2014. A galerista, uma das amigas de longa data e mais próximas de Zimmermann, conviveu com ele em Londres e posteriormente, nos anos 1980, iniciou o trabalho de consórcios de obras artísticas com o artista plástico. O nome da exposição de 2014 não poderia ser mais adequado: “Zimmermann | Criador de Atmosferas”.

Criador de atmosferas, talentoso, avant-garde e generoso, disposto a compartilhar sua paixão pelas artes. Apreciadora desde pequena das artes e do design, tive uma marcante imersão neste universo ainda jovem ao realizar uma matéria de TV, junto com as colegas Meri Rocha e Daniela Braga, para o curso de Jornalismo, nos anos 1990, sobre a exposição então em cartaz “O objeto e sua aura”, de Carlos Eduardo Zimmermann. Trilha sonora variada, com direito a Smashing Pumpkins, câmera na mão, P&B e cores, texturas, movimento, a entrevista com Zimmermann mostrando sua densa trajetória artística e o MUMA, na época Museu Metropolitano de Arte, no Portão, ainda hoje um dos mais belos espaços culturais de Curitiba.

A matéria realizada, com apoio impecável do estúdio de edição da PUCPR, rendeu a mim e minhas colegas nosso primeiro prêmio de Jornalismo, então para estudantes. Comunicamos agradecidas ao artista plástico da conquista da premiação e enviamos a ele a reportagem. Ele gostou tanto, que perguntou se poderia remeter à Royal College. Como ficamos contentes!

Durante a entrevista, o artista plástico se mostrou atencioso, elegante e extremamente generoso em uma grande aula sobre arte contemporânea. Este, certamente, foi o prêmio maior desta experiência, que me levou a aprofundar conhecimentos relacionados ao universo de arte, arquitetura e design, conduzindo-me muito tempo depois aos estudos de História da Arte na Itália e ao Mestrado em Literatura na Universidade Federal do Paraná.

Agora, ao partir, Carlos Eduardo Zimmermann, natural de Antonina, em 1952, nos deixa a todos, Brasil e mundo afora, sua infinita aura, nas artes e na vida.

Fotos: Divulgação / Galeria Zilda Fraletti

 

Uma das obras mais recentes de Carlos Eduardo Zimmermann, obra da série Vibrações, acrílica sobre tela, 2018

 

Sensível, atencioso e generoso, o artista plástico teve forte influência na formação de jovens para as artes, foi o meu caso, ao realizar uma premiada matéria de TV com colegas sobre sua exposição “O objeto e sua aura”, nos anos 1990

Crédito foto: Acervo pessoal

 

O artista plástico com a galerista Zilda Fraletti, amiga de longa data, na exposição “Zimmermann | Criador de Atmosferas”, em comemoração aos 30 anos da galeria, em 2014
Embrulho Vermelho, de Carlos Eduardo Zimmermann, pastel encerado sobre 100% Duratex, 2015
Cortina Com Nuvens, criação de 2018 do artista plástico, monoprint