*por Claudia Queiroz

Depois de anos de histórias cheias de encanto, aquela frase clássica dos contos infantis vai ganhando novos significados. ‘Foram felizes para sempre, até que…” Inventaram o divórcio? A maternidade solo? O sexo casual? A independência financeira? Os pets?

Muitas pessoas, em determinados momentos da vida, escolhem viver sozinhas por incompatibilidade de interesses. Não se têm direito ao tédio ou resignação. Parece que ambos precisam da felicidade ‘perfeitamente planejada’ com toda a intensidade, até que as redes sociais os afastem…, e ‘puf’, aquela propaganda vira passado real e o grande público fica ‘órfão’ de postagens fofas na ‘pseudo ilha de Caras’.

Uma grande amiga estreia a solteirice ‘empoderada’, como se ir mais rápido sozinha fizesse mais sentido que chegar mais longe acompanhada. Outra, contenta-se com namoros virtuais. Tem também a que não permite nem escova de dentes descartável ficar mais que um final de semana na casa dela. E ainda a que ensaia o divórcio há anos.

Ah, mulheres!!! São tantos dramas traduzidos em discursos convenientes, que hoje percebo que é uma questão de tempo para que elas descubram que tudo isso logo vai passar. Somos o berço do mundo, as donas do ninho, as que acolhem com palavras doces, comidinhas gostosas e abraços quentinhos. Basta abrirmos mão da natureza feminina para desequilibrarmos todo o resto.

A alma feminina nunca esteve tão instável. Mistura agonia culpada com saudades teimosa de algum glorioso passado recente sempre que algo dá errado com os planos traçados.

Tantas dificuldades foram superadas e caminhos desbravados ao longo da história da humanidade, que muitas mulheres insistem em continuar lutando pela busca do ‘próprio poder’ eternamente. Só que este mesmo poder já mora dentro de nós! Enquanto isso, na outra ponta, homens cheios de ‘mimimi’, supersensíveis, medrosos, inseguros e frágeis. Não sabem mais como lidar com tantas ‘mulheres de fases’.

O dia em que as mulheres perceberem que o fascínio está na dualidade, encontrarão forças para equilibrar felicidade e razão. Porque lágrimas irrigam a tolerância, perdas refinam a paciência, falhas promovem serenidade, dores esculpem o prazer, obstáculos abrem janelas da inteligência, …, e a maternidade ensina a maestria do improviso, afinal, depois de experimentar a incondicionalidade do amor por uma cria não há mais tempo pra ‘vontades fracas’.

No universo paralelo da fantasia, alguns autores de ‘best sellers’ abusam de joguinhos sádicos, como fetiches de amor, em literatura que vira cinema. Promovem o marketing da ilusão. Só isso! Vendem romances nublados, que disfarçam batimentos de corações egocêntricos. Sofrimento desritmado com o compasso da baixa autoestima. Fórmulas conhecidas e repetidas da relação entre poder e submissão para pessoas carentes e doentes. Somos?

Em contrapartida, a personagem Malévola, versão da Bela Adormecida, traz uma mensagem profunda, recheada de ética e moral. A malvada perde as asas para criar raízes! O beijo de amor verdadeiro veio da ‘bruxa’ que passou a vida cuidando da princesa e não de um príncipe encantado. Mas aqui entre nós, de nada adianta apedrejar o pobre coitado que estava disposto a beijar uma donzela enfeitiçada. Aliás, sempre achei esquisito imaginar que alguém daria um beijo numa pessoa sendo velada…, mas contos são contos… Não posso mudar.

No entanto, chamo a atenção para as facetas femininas. Escolhas, consequências e versões em vidas cheias de altos e baixos. Precisamos de mais treino e maturidade para redigir a própria história, que merece orgulho quando somos conscientes das decisões que tomamos, independente de erros e acertos. Aplausos! Porque a melhor plateia suspira, cúmplice de alma.

Claudia Queiroz é jornalista.