4 motivos para não utilizar o ERP para controlar pedidos

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Por Fernando Barros

Para a maioria das empresas B2B, o ERP (Enterprise Resource Planning) é o centro do negócio. Afinal, com ele é possível gerenciar diversos processos dentro de um único sistema. No entanto, fazer o gerenciamento de pedido neste canal não é a melhor escolha. Saiba porque:

Origem do ERP

O ERP foi um sistema criado na década de 70 para gerenciar todos os processos da manufatura. Desta forma, era possível que os fabricantes controlassem as grande quantidades de insumos que seriam transformados em componentes de seus produtos finais. Por isso, esse sistema se mantém ainda hoje voltado ao controle do estoque e de todo o processo de fabricação.

Com o passar dos anos, foi incorporando a outras áreas, como finanças e RH. Esse movimento o tornou essencial para o gerenciamento da empresa de forma global, como única fonte de informações. Abrange não somente manufatura, mas também os crescentes processos de negócios, como inventário, logística entre outros.

Como consequência, o próximo passo seria incluir nos sistemas ERP um módulo de gerenciamento de pedidos de vendas. Porém, talvez o caminho não fosse tão simples assim.

O gerenciamento de pedidos

Fazer o controle de pedidos on-line não é somente acompanhar as entradas de demandas. Um sistema de gerenciamento de pedidos deve fornecer uma visão abrangente das vendas. Dessa forma, a empresa tem a capacidade de processar os pedidos eficientemente, contribuindo, inclusive, para a manutenção do relacionamento com o cliente.

Cada vez mais, sistemas de gerenciamento de pedidos têm se tornado omnichannel, ou seja, os fabricantes conseguem receber, processar e atender pedidos por meio de diversos canais de vendas. E é neste quesito que o ERP começa a não atender às expectativas.

Sistemas ERP não são capazes de reproduzir a experiência que um cliente tem com um sistema de gerenciamento de pedidos. Além da maior fraqueza: não são capazes de se adaptarem facilmente às mudanças tecnológicas, principalmente à tecnologia móvel.

Razões para não controlar pedidos B2B pelo ERP

#1 ERPs não foram criados para gerenciar pedidos

Como já falamos, os sistemas ERP não foram criados para gerenciar pedidos, mas, sim, processos manufatureiros de fabricação, incorporando outros aspectos da gestão da produção. Somente na última década houve uma mudança de mindset, que começou a dar ênfase no cliente, surgindo o CRM e o gerenciamento de pedidos. Ou seja, muitas soluções de gestão de pedidos fornecidas por ERP são, na verdade, complementos, ou até mesmo não estão incluídos nos aplicativos. Isso mostra como a sua inserção foi tardia, bem como ainda não atendem às necessidades específicas de gestão de vendas.

#2 ERPs são lentos em dispositivos móveis

Como a origem do sistema está nos processos de negócios que não são voltados para o cliente, ele acaba sendo mais lento no processo de mudanças e incorporação de novas tecnologias.

Um dos vários motivos para essa difícil adaptação é que, quando implantados, os ERPs sofrem diversas alterações que os tornam sistemas de grande robustez. Isso dificulta adicionar novas funcionalidades, como adaptação à dispositivos móveis, o que é um forte argumento contra o uso para as transações comerciais no B2B.

#3 ERP não tem capacidade omnichannel

O canal mobile não é o único canal de vendas que os ERPs não conseguem atender. Clientes B2B esperam sempre a melhor experiência no momento da compra. Pelo fato de no Brasil as tributações nas negociações entre estados serem diferentes, é preciso que haja uma personalização para cada comprador.

Por isso, as vendas on-line precisam ser customizadas. Realizar tais customizações são complexas e difíceis de serem aplicadas. E, havendo mudanças tributárias, novas configurações serão necessárias, encarecendo ainda mais o sistema.

#4 ERP não proporciona boa experiência do usuário

Todo cliente gosta de ter à disposição um sistema de compra fácil, intuitivo e funcional em diversos canais. E este é um ponto-chave que os ERPs não conseguem atender. Eles possuem aquela velha interface, muitas vezes desajeitada e mal estruturada. Ou seja, não é eficiente como deveria ser para atender aos clientes.

Por conta destes quatro fatores, muitos gerentes, principalmente os mais jovens, preferem ignorar os ERPs e gerenciar seus pedidos por meio de planilhas e aplicativos.

*Fernando Barros é CEO da Atma, plataforma de comércio eletrônico especializada em soluções de inteligência de negócios B2B