Tratamentos hormonais exigem cuidados

 

As mulheres, historicamente, acumulam funções com seus empregos, cuidando da casa, dos filhos, e de si mesmas. Por isso, estão sempre em busca de novas formas de ter mais energia para dar conta do recado.

 

Porém, médicos alertam para uma terapia que tem crescido muito no Brasil: o uso de hormônios, principalmente a testosterona. Com a promessa dar mais disposição, ânimo e ainda deixar músculos mais bem definidos e reduzir a gordura corporal as mulheres a têm buscado. “Esses resultados realmente acontecem, mas o os efeitos em médio prazo no corpo da mulher são muito perigosos”, explica a endocrinologista da Unimed Curitiba Fernanda Malucelli.

 

Segundo ela, esses efeitos podem ser desde os mais simples como aumento dos pelos, aparecimento de acne e voz mais grossa, até casos mais graves como alteração no fígado e nos glóbulos vermelhos, fazendo com que o sangue fique mais grosso. “Isso pode gerar coágulos no corpo, problemas vasculares e até mesmo AVC”, comenta Fernanda.

 

Além disso, outro resultado do uso de testosterona é a alteração na fertilidade. “Quando quer engravidar o hormônio interfere, dificultando o processo. E se, apesar da dificuldade alguma mulher engravidar enquanto está usando o hormônio, precisa parar imediatamente, pois pode afetar o desenvolvimento sexual do bebê”, ressalta. Segundo a médica, são muitos efeitos colaterais graves para um resultado que pode ser conseguido com alimentação saudável, sono adequado e exercícios físicos. “É claro que é mais demorado, mas também é mais seguro”, afirma.

 

Menopausa

A ginecologista Rosane Frecceiro da Unimed Curitiba explica que, na menopausa, a reposição hormonal é bem importante. “Porém, o tratamento deve ser personalizado e deve ter como objetivo a melhora na qualidade de vida da paciente que, normalmente, tem acima de 60 anos”, ressalta.

 

Para a médica, o uso da testosterona na menopausa possui efeitos bastante positivos. “Ela melhora a libido, memória, densidade óssea, força muscular e ajuda a reduzir o percentual de gordura. Todavia, ela deve sempre estar associada ao uso do estrogênio, que é o hormônio feminino”, destaca.

 

A endocrinologista Fernanda afirma que, quando é necessário receitar testosterona na menopausa, a dosagem é baixa. “Nas academias, por outro lado, vemos dosagens muito altas que podem, inclusive gerar intoxicação e hepatite medicamentosa”.

 

Ela explica ainda que muitos repositores hormonais importados são comercializados como suplementos e não como medicamentos, fazendo com que seu uso seja liberado, o que é bem grave.

 

“A gente percebe muito no consultório a busca pelos hormônios, pela ideia que as pessoas têm. Hoje, com a internet o paciente já chega na consulta para pedir algo, praticamente com o diagnóstico pronto só pedindo a receita, e isso é muito perigoso. Informação é sempre bom, mas tem que ser informação de qualidade”, conclui.

 

 

 

 

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