Por Daniele Akamine(*)

O mercado aplaudiu de pé a decisão da Caixa Econômica Federal de reduzir os juros em até 0,5 ponto percentual para o crédito imobiliário em operações com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Não bastasse isso, o banco também aumentou o limite de cota de financiamento de imóveis usados de 70% para 80%. Mas o melhor é que tudo isso já está valendo.

Esta é a segunda redução neste ano, já que em abril a CEF tirou 1,25 ponto percentual nas operações com recursos do SBPE. Foi a primeira vez, em 17 meses.

Mas o que está por trás dessa decisão? Dois objetivos me parecem claro. Ainda que as novas condições para o financiamento não sejam as mais baratas do mercado, um anúncio de uma instituição como a Caixa gera sempre espaço na mídia, o que encoraja potenciais compradores de  imóveis a partir para a compra a casa própria, movimentando o mercado. Contribuir com a retomada de investimentos no setor da construção civil é tudo que a economia (e o governo, claro) vem esperando ansiosamente.

Outra razão estaria no balanço do banco. No primeiro semestre, o desempenho da Caixa ficou a desejar, e agora seria a chance melhorar seus resultados de 2018 com a expansão da carteira de crédito num produto melhor rentabilidade.

Para os consumidores, a redução dos juros – somada à possibilidade de o financiamento bancar 80% do imóvel usado – é uma ótima notícia, sobretudo para quem está de olho em imóveis de maior valor, mas uma entrada de 30% do valor pesava o bolso. Que outras boas novas venham até o final deste ano, já que a Caixa tem R$ 82,1 bilhões disponíveis para o crédito habitacional até dezembro.

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(*)  Daniele Akamine é advogada, MBA em Economia da Construção e Financiamento Imobiliário, técnica em Contabilidade e sócia diretora da Akamines Negócios Imobiliários.