Política ágil

A dificuldade de se escrever coluna política com antecedência é ser atropelado pelas situações focalizadas. Caso da renúncia do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que a coluna entendia deveria ser defenestrado junto com os outros nomes dispensados do ministério pela presidente Dilma. A coluna fazia menção a um suposto recuo da presidente em nome de uma tal de “governabilidade” sempre citada para manter partidos (partidos), como lembrou o presidente do PMDB do Paraná, Waldyr Pugliesi, na base de apoio. No caso do ministro Alfredo Nascimento (PR), com direito ao mesmo Partido da República (ex-PL – o professor Álvaro Vale fundador deste deve estar dando voltas no caixão), indicar outro nome para o cargo. Se tal indicação tiver participação do notório deputado Valdemar da Costa Neto, outro risco. Já que está enfrentando situações que passaram do período revolucionário à democracia adjetivada que se pratica por aqui, desde Sarney, ícone da Arena e do PDS, substituto pela fatalidade de Tancredo, entrando no novo regime com os mesmos nomes que construíram e sustentaram o regime ditatorial até chegar em Lula, a presidente Dilma poderia inovar: cargo técnico ocupado por pessoas de notório saber no setor. De preferência gente da casa. Funcionário do Dnit, que tem o que perder, ocupando DG e outros cargos de direção. A disputa interna evitaria que leviandades fossem cometidas. A turma que caiu, na mudança de governo, estaria de olho na que entrou! Nem precisaria Tribunais de Contas que também não fiscalizam. No máximo tais tribunais trabalhariam em cima de denúncias.

Burrice …

Curiosamente, num momento em que a liberdade de imprensa que deputados e figuras do governo pretendem tolher com uma nova tentativa de “lei da mordaça”, expõe mazelas na administração pública, é impressionante homens como Antônio Palocci e Alfredo Nascimento utilizarem artifícios infantis para esconder mal feitorias. Na esteira do que já fizera (e a impressão que se tem é de que ainda faz), Zé Dirceu, agora protegido pela obscuridade.

…reincidente

Imposto de Renda supostamente fraudado via empresa de filho, talvez pelo fato de ter nome diferente, caso de Nascimento cujo filho chama-se Gustavo Morais Pereira; propriedades em nome de laranjas; conversas telefônicas grampeadas, com ou sem ordem judicial e por aí vai a lista de besteiras.

Iniciativa louvável

Andou bem o Paraná ao transformar em lei a exigência de que Ongs, Oscips e outras entidades privadas que recebem benesses governamentais, sejam obrigadas a prestar contas mensalmente da aplicação de tais recursos. Entidades sem fins lucrativos que prestam excelentes serviços em áreas não cobertas pelo poder público, tem sido comprometidas por situações estranhas denunciadas por outras que fogem aos objetivos.

Decisão postergada

Por aqui, a não aceitação pelo STF do recurso que Maurício Requião impetrou, tentando inviabilizar a eleição que escolheu Ivan Bonilha para o Tribunal de Contas, na vaga que lhe pertenceu (ou ainda poderá pertencer quando o mérito da liminar que o afastou for julgado), além de ter dado legitimidade à eleição, pode sinalizar para uma posição definitiva do STF que só ocorrerá depois das férias do Órgão.

Perdas confirmadas

A confirmação de previsão da coluna há um mês, lamentavelmente sinaliza para os prejuízos da agricultura em função das ondas de frio. Num total de R$ 1,2 bilhão, segundo estimativa do Deral da Seab. Indicativo de que os preços de produtos agrícolas, especialmente hortigranjeiros, devem manter-se em alta.

Em choque

A boa nova é o pedido de 15 dias de Moscou em relação à restrição de importação de carne suína de três estados (o Paraná um deles) e a exportação de 20% antes do início da medida adotada pelos russos e o aumento de importação por Hong Kong e Argenina.

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