Para Paulo Pimentel, o presidente Médici era, antes de tudo, um ‘imbecil’

Paulo Pimentel com Aroldo e outros entrevistadores: memória histórica (Foto: Annelize Tozzetto)

O ex-governador do Paraná, Paulo Pimentel, costuma definir aliados e, principalmente adversários, em apenas uma frase. Sobre Jaime Lerner, diz que, como governador, foi um grande prefeito. Já acerca do general Emílio Garrastazu Médici, terceiro presidente na vigência do regime militar, é mais conciso e ácido: “Era um imbecil”.

Claro que Pimentel faz essa afirmação a uma distância histórica segura. Se repetisse tal comentário no ano de 1971, quando esteve cara a cara com o presidente da República, seria cassado ou, ainda pior, preso. A segunda parte do depoimento que a coluna resume foi feita por Paulo Pimentel, dia 26, segunda, aos entrevistadores do livro “Encontros do Araguaia: os grandes construtores do Paraná no século 20”, de que sou o organizador, e cuja edição está prevista para 2018.

DIRETAS PARA GOVERNADOR

Que se conte o episódio. Médici convocou Ney Braga e Paulo Pimentel à Brasília. Ney havia ocupado o governo de 1961 a 1965, Pimentel de 1966 a 1970. Ambos foram eleitos pelo voto direto. Mesmo com o golpe deflagrado em 1964, Castello Branco, o primeiro presidente militar, havia mantido as eleições do ano seguinte, sem mácula.

A questão agora era outra. Os próximos governadores seriam indicados pelo Planalto e Ney e Pimentel apostavam em Pedro Viriato Parigot de Souza, um engenheiro, professor da Universidade Federal do Paraná e presidente da Copel por uma década.

Médici, no entanto, os surpreendeu. O novo governador do Paraná seria Haroldo Leon Peres, anunciou. Ora, eles protestaram, mas não havia o que demovesse o presidente daquela ideia. Era decisão tomada. Como Ney e Pimentel insistiram, ele concordou em nomear Parigot vice-governador.

PARCERIA DO BARALHO

O motivo pelo qual Médici queria fazer de Haroldo Leon Peres governador era frugal. Soube-se depois que a mulher do presidente, dona Scila, costumava jogar baralho com a esposa de Leon Peres, dona Helena. Da amizade nascida sob o regime militar surgiu o desejo do ditador Médici, um homem da linha dura do Exército, de fazer um “mimo” para a mulher e nomear o marido de sua amiga como governador. Coisa de republiqueta. Pimentel diz que foi durante uma recepção no Palácio Itamaraty que a esposa de Perez (dona Helena) recebeu a notícia. Médici parou em frente a ela na fila de cumprimentos e perguntou: “Você sofre do coração”. Diante da negativa, ele respondeu: “Então eu vou lhe dar uma notícia: seu marido vai ser governador do Paraná”.

UM MILHÃO

Era uma situação bizarra que, segundo Pimentel, mostra quanto danoso foi o regime militar em seu aspecto político. Nomeado em 1971, Peres governaria por apenas 252 dias. Foi obrigado a renunciar depois que o empreiteiro Cecílio Rêgo de Almeida revelou gravação feita durante passeio na praia de Copacabana em que Perez pedia 1 milhão para aprovar uma obra.

Pedro Viriato Parigot de Souza: era o preferido; General Médici: não sabia o nome de quem escolheu no lugar do preferido por Ney e Paulo

As razões pelas quais Pimentel define Médici como um imbecil (incurável) tem fundo naquela reunião em que ele anunciou sua decisão. Ao citar o nome do político escolhido, Médici se confundiu e disse Leopoldo Perez. Ora, Leopoldo era um político do Amazonas, distante do Paraná por léguas e mais léguas.

FOI O PRIMEIRO. E O PIOR

Pimentel encarregou-se de corrigi-lo: “Presidente, o senhor deve estar falando do Haroldo Leon Peres, um deputado de Maringá”. Médici fez um gesto com a mão: “Esse mesmo”. Ele não sabia quem era ele, não sabia a quem estava destinando a administração de um estado, tampouco media as consequências do que significava impor um governador a uma população acostumada a eleger ela mesma os seus administradores. Foi o primeiro governador do Paraná nomeado pela ditadura. O pior.


Lubomir Ficinski: Urbanista, antes de tudo

Lubomir Ficinski: a cidade como paixão (Foto de Hugo Harada/Gazeta do Povo)

Morreu ontem em Curitiba o arquiteto e urbanista Lubomir Ficinski, 84, um dos nomes mais significativos do urbanismo paranaense. Foi parte da equipe de Jaime Lerner, desde quando Lerner iniciou, no começo dos 1970, a revolução urbana que iria projetar a cidade no mundo.

Filho de poloneses, Ficinski pertencia a um restrito clã de gentlemen de sua etnia: ao contrário da maioria dos descendentes de poloneses que para cá vieram, ele era identificado como “homem fino, culturalmente diferenciado, às vezes lembrando um lorde inglês”, como disse ontem à coluna um ex-professor do Curso de Engenharia da UFPR.

ANTES, ENGENHEIRO

A primeira formação de Lubomir foi a de engenheiro civil. Pertenceu ao grupo de engenheiros que inaugurou o Curso de Engenharia da UFPR, nos anos 1960, do qual faziam parte Lerner, Rafael Dely, etc. Conhecia Curitiba em seus detalhes, sabia detectar “as possibilidades urbanísticas a adotar na cidade, como poucos outros”, observou o mesmo professor aposentado.

Foi presidente do IPPUC, assessorou governos municipais por diversas vezes, e teve seu grande momento em âmbito estadual ao implantar a desenvolver as metas do ParanáCidade, organismo do Governo estadual. Foi seu presidente a convite de Lerner, em 1996. Na administração Ney Braga, por indicação de seu amigo Saul Raiz, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado.

Polêmico, por vezes tido até como “teimoso”, Lubomir jamais fugiu da luta quando estivessem em jogo temas urbanísticos do Paraná. Por 12 anos foi consultor do Banco Mundial, o que o levou a permanentes viagens para a montagem de projetos internacionais.


Cleto foi essencial para o renascimento do ‘Ouro Verde’

Cleto de Assis – um idealista.

Cleto de Assis, hoje ocupando a função de secretário do Conselho Estadual de Educação, é notável exemplo de homem público que, tendo ocupado posições relevantes na vida do país, continua, aos 76 anos, “lutando pelo pão de cada dia”. Serviu ao país, não se serviu dele.

HOMEM MÚLTIPLO

Artista plástico de importância reconhecida, fundou jornal, foi artista gráfico e joalheiro, também líder universitário, presidindo diretório acadêmico da Escola de Belas Artes; secretário de Imprensa do segundo governo Ney Braga, depois, no governo Itamar Franco, ocupou diretoria do MEC.

NA HISTÓRIA DA UEL

Ao lado de Oscar Alves – então reitor da UEL – tendo Cleto, como diretor de Cultura da universidade, este liderou o movimento para que a Universidade de Londrina adquirisse o Cine Teatro Ouro Verde, expoente da história da cidade.

Nesta sexta, 30, o Ouro Verde – que um dia foi destruído pelo fogo – será reinaugurado pelo governador Beto Richa. A carta que Assis me manda e o link que ele sugere seja acessado dão bem a ideia da importância do papel de Cleto para a reinaiuguração festiva:

A CARTA

Caro Aroldo:

Na próxima sexta (dia 30) irei a Londrina, para participar da solenidade de reinauguração do Cine-Teatro Ouro Verde, cuja aquisição, em 1978, ajudei a concretizar. A historinha toda está contada em meu blog https://cdeassis.wordpress.com/2012/02/13/cine-teatro-ouro-verde-vive-a-sua-maior-tragedia/

Se servir de dica para sua coluna, sirva-se do texto e das imagens. CLETO DE ASSIS, Curitiba

No blog “Banco a Poesia”, em 13 de fevereiro de 2012, ele contou como o Cine chegou às mãos da UEL:

“Com a preocupação de um final triste para o Cine Ouro Verde, falei com o reitor Oscar Alves, da UEL, e ele telefonou ao ministro Ney Braga, externando também seu desalento com a possível venda do edifício a um grupo privado. Adiantou que eu voltaria a Brasília no dia seguinte e relataria ao ministro os detalhes da situação. No mesmo dia de meu retorno ao MEC, procurei o ministro e expus o problema. Ato contínuo, ele pediu à secretária para localizar um dos proprietários, Manoel Garcia Cid, que logo estava ao telefone. Solicitou ao Neco informações sobre os valores em negociação, além de um prazo para que o poder público pudesse apresentar uma proposta de aquisição do cinema e conservar seu objetivo cultural. Em seguida, fez ele mesmo uma ligação direta para o governador Jaime Canet Jr. e informou-lhe sobre a questão, já com a sugestão de que o MEC entraria com a metade do valor e o governo paranaense com a outra parte, a ser paga em prazo maior. O governador mostrou-se relutante, em princípio, pois já estávamos em 1978 e ele deixaria o governo em março do ano seguinte. Foi a deixa para que Ney Braga lhe dissesse que, então, estava tudo resolvido, pois ele, como ministro da Educação, daria a primeira metade e a segunda parte seria paga pelo governador Ney Braga, que viria a substituir Canet.”…

Cine Ouro Verde, em Londrina, que se reinaugura neste dia 30.


Centro de Estudos Bandeirantes pode estar vivendo seus últimos dias

Waldemiro Gremski: olhar histórico

Fundado em 1945, o Centro de Estudos Bandeirantes (CEB), pertencente à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) pode estar vivendo seus últimos dias. Informações dão conta de que o prédio de colunas majestosas e três pavimentos, localizado na Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba, pode ser tombado pelo patrimônio histórico do estado e as atividades do CEB transferidas para a sede da PUC no Rebouças, na área que que abriga a Escola de Medicina e o Centro de Simulação Clínica da universidade. Não há confirmação oficial, mas informações colhidas junto a assessores da PUC acenam para essa possibilidade.

REAÇÃO CATÓLICA

O CEB foi criado em 1929 por um grupo de intelectuais paranaenses, composto de profissionais religiosos, políticos, médicos e advogados, para reagir à crise do catolicismo frente às teses que dominavam o debate científico-filosófico no início do século XX. “A Igreja Católica reuniu pessoas que pudessem fazer pesquisa, escrever artigos e livros e criar jornais na cidade para reagir àquela realidade”, disse o atual presidente do CEB e reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Waldemiro Gremski, em depoimento ao jornalista Diego Antonelli, publicado na Gazeta do Povo.

REDUÇÃO DE CUSTOS

O cenário agora é outro. Há por parte da administração da PUCPR, comandada por diretores contratados pela Congregação Marista, uma política de redução de custos, que perpassa pelos prédios históricos sob a tutela da Católica. O CEB é uma de suas vítimas. Por conta de seu valor patrimonial e histórico, o prédio permanece, mas as atividades do centro e seu acervo serão transferidos para o Rebouças. Só resta lamentar que a crise econômica que assola o país priva a cidade de acesso a edificação de tal importância.

Prédio do Centro de Estudos Bandeirante: mudança à vista


Crise política

Senadora diz que Brasil virou o país do Kinder Ovo: ‘Todo dia tem uma surpresa’

POR ANCELMO GOIS

29/06/2017 06:30 (O GLOBO)

O país do Kinder Ovo

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), diante das incertezas do nosso dia a dia, concluiu que o Brasil virou o país do Kinder Ovo. Todo dia tem uma surpresa. Faz sentido.

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Menina é chamada de ‘Já morreu’ após aparecer na ‘Folha Universal’ e será indenizada

POR ANCELMO GOIS

29/06/2017 07:00

Deus castiga

A Igreja Universal do Reino de Deus terá que pagar R$ 20 mil a uma menina carioca chamada Angélica.

É que o jornal da igreja, a “Folha Universal”, usou uma foto dela em matéria sobre vítimas da dengue no Rio. Segundo a ação, Angélica passou por constrangimentos na escola, onde ganhou o apelido de “Já morreu”. A decisão é da 13ª Câmara Cível do Rio.


Adilson Arantes e a médium

Adilson Arantes

Um leitor desavisado acessou a um dos mais procurados portais de notícias do Paraná, o Portal da Rádio Banda B, e levou “um susto”. Tudo porque começou a ler notícia – assinada por Adilson Arantes – sobre uma médium que, supostamente fala com personalidades mortas, como Ayrton Senna. Mais surpreso ficou ainda ao imaginar que “Adilson estaria de volta à Banda B”, quando se sabe que o jornalista tem hoje público cativo na Rádio Ouro Verde e Rádio Difusora.

Lendo com mais atenção, viu que os créditos indicavam informação postada em 2112.




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