Etel Frota, a heroína

Poeta e a autora do recém-lançado romance O Herói Provisório, Etel Frota, nesta quarta dia 11, tornou-se a 12ª mulher a ocupar uma cadeira na Academia Paranaense de Letras. Existente desde 1922, a casa, até, hoje “imortalizou” Adélia Maria Woellner, Chloris Casagrande Justen, Marta Morais da Costa, Luci Collin, Clotilde de Lourdes Branco Germiniani, Maria José Justino e Cecília Vieira Helm. Antes: Pompília Lopes dos Santos (1900-1993), Helena Kolody (1912-2004), Leonilda Hilgenberg Justus (1923-2012) e Flora Munhoz da Rocha (1911-2015).

‘ É, ao mesmo tempo, uma alegria e uma responsabilidade. Estou muito grata  aos acadêmicos que me honraram com os seus votos, assunto para vaidades e inspirações. Sei, porém, que assumo hoje publicamente o compromisso de manter minha produção à altura de tal prestigiamento, assunto para trabalho e transpirações”,  declarou Etel Frota ao saber que foi eleita para ocupar a Cadeira 22, ao receber 19 votos; concorreu com Márcio Renato dos Santos e Carlos Magno Corrêa Dias.

A Cadeira 22 já foi ocupada por Carlos Stellfeld (1900-1979), Metry Bacila (1922-2012) e João José Bigarella (1923-2016). A Academia, refundada em 1936,  é presidida por Ernani Buchmann.

A escritora, paranaense de Cornélio Procópio (PR), nasceu em 1952, e em 1980 passou a morar na capital do estado. Ela conta que apenas depois dos 40 anos de idade, muitos deles dedicados à medicina, começou a escrever poemas e letras de canção, voltou a estudar música, e desde 1999, atua de forma exclusiva como escritora (poeta, letrista, roteirista) e com algumas incursões pela dramaturgia.

Em 2002, lançou “Artigo Oitavo”, livro+CD de poesia escrita, falada e cantada, com prefácio de Thiago de Mello, concepção gráfica de Paola Faoro e produção musical de Rodolfo Stroeter. Trilha executada por André Mehmari, Caíto Marcondes, Lydio Roberto, Rodolfo Stroeter, Sérgio Justen, Teco Cardoso, Participações de Cacá Carvalho, Cris Lemos, Liane Guariente, Mônica Salmaso, Nice Luz, Suzie Franco.

 

“Desde que comecei a escrever poesia, tenho sido publicada por suplementos culturais e antologias”, observa a escritora. Ela destaca os poemas “Quíron”, “O louco da rabeca” e “Um outro soma”, recentemente inseridos no livro “Blasfêmeas: Mulheres de Palavra” (Editora Casa Verde), do qual também participam mais 63 escritoras brasileiras da cena contemporânea.

Já a sua produção como letrista abrange uma enorme gama de gêneros musicais – do erudito à música caipira; de parceiros (no Brasil e Escandinávia) – de Zé Rodrix a Måns Mernsten, passando por Iso Fischer, André Mehmari, Consuelo de Paula, Davi Sartori; de intérpretes – de Nasi a Maria Bethânia, passando por Viola Quebrada, Kátia Teixeira, Carla Visi, Marianna Leporace, entre dezenas de outros.

 

Etel Frota acompanhou, em 2016, o lançamento do projeto musical “Flor de Dor – Tao do Trio canta Etel Frota” (Cris Lemos, Fernanda Sabbagh, Suzie Franco; direção musical Vicente Ribeiro), que reúne parte de sua obra. “Por este trabalho, recebi o Prêmio Grão de Música 2016, e o grupo foi indicado ao 28º Prêmio da Música Brasileira, como melhor grupo vocal da MPB”, orgulha-se. No último ano vem atuando como colaboradora do jornal Folha de S.Paulo.

O Herói Provisório, seu primeiro romance, editado pela Travessa dos Editores, foi lançado em Curitiba e na FLIP 2017 – Festa Literária Internacional de Paraty (RJ).

Atualmente, Etel Frota segue trabalhando em letras de canção e roteiros inéditos. Também está reeditando seus dois livros e dando vida a novos projetos:  “A menina que engoliu uma estrela”, romance infanto-juvenil, “Santosha” (livro de poesia) e nas letras para um novo projeto musical,  “Canções do dia seguinte”.

 

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