Com o tema Indústria Audiovisual 360°, a Max 2018,  que recebeu mais de três mil pessoas na Expominas, em Belo Horizonte,  amplificou as possibilidades artísticas com a exposição Mineral, que apresenta cerâmicas sonoras do artista plástico Máximo Soalheiro. O evento aconteceu no mês passado, mas a instalação pode ser apreciada até novembro no Museu de Artes e Ofícios, o único do gênero no país.

As cerâmicas de Máximo Soalheiro foram moldadas após vinte anos de pesquisa entre os minerais, extraídos do solo mineiro, que melhor pudessem fornecer sonoridade. Suas dezenas de peças, em formatos orgânicos, são afinadas com alta precisão. Soalheiro pesquisou tanto a matéria-prima,  como os processos de queima e vitrificação. Na sala expositiva, estão os vidros com amostras de agalmatolito e peças disponíveis para que o visitante também possa tocar, literalmente.

Máximo Soalheiro, cuja obra dialoga com outras manifestações artísticas, conta: “A música sempre fez parte do meu trabalho e cheguei a iniciar estudos na área, que depois deixei para me concentrar nas artes visuais”. E explica que o material cerâmico eleito produz sonoridade rica, que se sustenta no ar, com altura definida e a afinação se faz através de uso de água.

“Há oito anos foi realizado um primeiro ensaio com as peças. A aproximação com músicos criativos e com formação acadêmica fez o projeto avançar até o atual estágio”, lembrou às véspera do inesquecível concerto realizado na nobre Sala Minas Gerais, com direção musical de Pedro Durães.

Segundo Máximo Soalheiro e Pedro Durães, é possível ter certeza, ao abrir o forno, que a cerâmica produzida emitirá a nota esperada ou bem próxima do ideal. Os vasos são cilíndricos de diferentes alturas, espessuras e diâmetros. E  são microafinados com água adicionada no interior de cada coluna.

A audição na Sala Minas Gerais faz lembrar toque de sino. Mas Pedro Durães explica: “Em termos acústicos, o material vibratório é a própria parede do objeto e não o ar, como nos instrumentos tradicionais de percussão em cerâmica. São gerados os sons harmônicos, ou seja, afinados e com grande sustentação temporal. E por ser modular, os objetos podem ser agrupados de diversas maneiras, gerando escalas musicais e sonoridades particulares, o que expande as possibilidades de repertório”.

Incrível e inesquecível: as cerâmicas se tornam instrumentos musicais capazes de  se harmonizar com a voz humana, com as cordas do piano e instrumentos de sopro. O repertório pode ser versátil, como os talentosos músicos (Camila Rocha, Davi Fonseca, João Paulo Drummond, Kristoff Silva, Leandro César, Pedro Durães, Juliana Perdigão e Yuri Vellasco)

 demontraram – de Debussy a Caetano, passando por Hermeto.