Marina: pentecostalismo e meio ambiente

Era a crônica da morte anunciada. Com Lula fora do páreo, o seu oposto perfeito, o capitão Jair Bolsonaro perde o fôlego. É o que aponta a pesquisa Datafolha publicada nesse fim de semana. No cenário em o que petista não aparece, não é o partido do Bolso (naro) quem cresce, nem o Partido do Bolsa (Família) que respira com um poste abençoado (Haddad ou Jaques Vagner), mas Marina Silva, a incógnita, quem surge para ocupar um lugar que, ao que parece, não é mais da esquerda ou da centro-esquerda; mas de uma legenda que se pretende alternativa, seja lá o que isso queira dizer. Convenhamos, nem Marina sabe.

CURRÍCULO OU FOLHA CORRIDA

Lula, legitimado pela esquerda, sobrevivia graças ao seu currículo.

Bolsonaro porque inspirava os piores instintos ao eleitor brasileiro, incluindo aqueles de escancarado irracionalismo que iam dar na intervenção militar e na doce ditadura – eis uma razão para que o sadomasoquismo da trilogia “Cinquenta Tons de Cinza” tenha feito da dona de casa E.L. James uma milionária com obra pueril. Não se pega leve com essa gente. Eles gostam de farda, coturno e chicotinho nas nádegas.

DE MARX AO NEOPENTECOSTALISMO

Em uma palestra na Unibrasil, em Curitiba, certa vez, Marina Silva, que é bom lembrar, pertence à Rede, surpreendeu ao falar daquele Brasil por desbravar: a região Oeste. Para uma ambientalista que agora inclui em sua pauta o desenvolvimento sustentável é um progresso e tanto.

Lula: liderança inconteste; Jair Bolsonaro: saudade da ditadura…

O problema, o grande problema, é que ela passou longos 30 anos à sombra do PT. Sua desilusão é recente: vem do primeiro governo Dilma, quando foi ministra e, desde então, não se sabe o quanto distanciou-se e o quanto reelaborou conceitos que passam por Marx em algum momento e vão dar no neopentecostalismo.

EMPATE TÉCNICO

O fato é que em qualquer cenário proposto pelo Datafolha no qual Lula aparece fora da corrida presidencial, Bolsonaro e Marina Silva estão empatados tecnicamente (17% x 15%), com a margem de erro de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.

CORO DOS CONTENTES

Mais: o quadro agora abre-se para outras possibilidades e caminha para uma disputa em que o ex-ministro Joaquim Barbosa, o tucano Geraldo Alckmin, o pedetista Ciro Gomes e o senador paranaense Alvaro Dias (Podemos) surgem para abiscoitar votos e, no mínimo, desafinar o coro dos contentes.

NÓS CONTRA ELES

A tendência é o centro. Que Bolsonaro tire o ‘equino da depressão pluviométrica’, ou o cavalinho da chuva. O radicalismo do “Nós” contra “Eles”, que tem por base as teorias do alemão Carl Schmitt – um fascista do bem, se é que isso existe – está longe de ser a moeda corrente da vez em um cenário de recuperação econômica. Lula usou e abusou do conceito. Deu no que deu. Não será Bolsonaro que, invertendo os ponteiros, terá resultado idêntico, ainda mais se tratando de um reacionário gestado na caserna.

Um brucutu anacrônico adorado pelo patriotismo das redes sociais, refúgio comum daqueles que o Dr. Samuel Johnson definiu muito bem.

LÍDER INEGÁVEL E IRREFUTÁVEL

Lula está preso e não deve sair tão cedo da cadeia. Talvez a sua condição de mártir que ele tratou de envernizar quando passou dias no Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo caminhe, enfim, para o esquecimento.

Donos de argumentações desonestas, inclusive aqueles que sobejam em academicismos de botequim, insistem que parte dos manifestantes que montaram vigília em torno do prédio do sindicato, foram pagos com churrasco e cerveja. Bobagem. Fosse assim e o Nordeste não se inclinaria pelo voto em branco, como aponta a mesma pesquisa Datafolha.

CRIME COMUM

A condição de líder popular de Lula é inegável e irrefutável. Ele não sai candidato porque é um preso condenado por crime comum não por crime político como os presidentes e ex-presidentes que o precederam. Talvez haja por aí uma estátua para Prestes (certamente há). Talvez haja também uma estátua para Plínio Salgado (certamente há). Mas, ao que se saiba, não há estátua para aqueles que, mesmo líderes incontestes, fizeram erguer, pedra sobre pedra, uma reputação controversa, como a de Lula, envolvendo o chamado ‘deus Mamon”.

BERNARDI E ARNS

Ontem em Curitiba pelo menos dois políticos não escondiam estarem “muito satisfeitos” com a performance da “mística” ambientalista Marina Silva em sua caminhada de candidata à Presidência: Jorge Bernardi, que quer ser governador pela Rede, e Flávio, que almeja voltar ao Senado, também pelo partido de Marina.

Flávio Arns e Jorge Bernardi

“AROLDO MURÁ, URGENTE” – NA BANDA B

Novidade: desde segunda-feira, 16, esta coluna informativa e opinativa passa a apresentar “flashes” urgentes na plataforma da Rádio Banda B.

A ideia é acompanhar, quando possível, a notícia enquanto ela acontece, com a agilidade compatível com o Jornalismo de qualidade da emissora mais popular de Curitiba e das de maior audiência da região Metropolitana.

 


GILBERTO CARVALHO PERDE TEMPO: MINISTRO DO STF NÃO MUDA

Ministro Alexandre de Moraes não muda de posição

Não adiantou a forte pressão que o ex-ministro Gilberto Carvalho e Luiz Marinho fizeram sobre o ministro Alexandre de Moras (STF), pedindo que reconsiderasse sua posição a favor da prisão de condenados em segunda instância. No domingo, num amplo texto assinado na Folha de São Paulo, Alexandre Moraes explicou, nas minúcias, os motivos porque defende – ardorosamente – a prisão em segunda instância.

Foi-se a esperança que Carvalho e também de ministros do governo Temer alimentavam de quebrar a maioria de ministros do Supremo a favor da prisão, que hoje preocupa a políticos de todos os naipes e a muitos condestáveis do Palácio do Planalto encrencados com a justiça.


CANDIDATOS (I)

RATINHO JR. NA REGIÃO DE LONDRINA

Ratinho Jr. em Londrina

Ratinho Júnior esteve na região de Londrina por dois dias e está fazendo uma série de encontros com lideranças empresariais e falando com a sociedade civil organizada, além do encontro da Rua Sergipe. O Deputado ainda visitou Rolândia e Cambé. Ratinho Junior se comprometeu, como deputado, a se empenhar em ações que incentivem sempre o comércio de Londrina e região.

Mais informações em: (http://ratinhojunior.com.br/) e (https://www.facebook.com/ratinhojunior/).

 

 

 


CANDIDATOS (2)

PARA OSMAR, BRASIL NÃO PODE ERRAR NAS ELEIÇÕES

Osmar Dias: advertências

Em palestra aos estudantes da UCP – Faculdade do Centro do Paraná, em Pitanga, o pré-candidato do PDT ao governo, Osmar Dias, alertou para a importância das eleições de outubro e ressaltou a necessidade de mudança no sistema político brasileiro. “A população tem que estar atenta como os políticos estão se comportando nesse momento. O Paraná não pode errar, o Brasil não pode errar, tem que colocar gente séria, competente, com experiência. Não é hora de apostar numa aventura, é hora de votar em quem a gente sabe que vai dar conta do recado, senão nós vamos colocar o Paraná e o Brasil mais próximo do abismo”, afirmou.

MUDAR O SISTEMA

Segundo Osmar, a eleição será a oportunidade de mudar o sistema político do país e do Estado, em que prevalece a barganha e o loteamento de cargos públicos. “Apesar da Lava Jato, os políticos continuam a barganha entre partidos. Para se fazer aliança tem preço, pra se fazer uma filiação de um deputado tem preço, isso é um leilão, é uma vergonha. Não dá para continuar com esse modelo de dar apoio político em troca de cargos no governo. Essa é a raiz da corrupção. Eu sou o candidato contra o modelo que está implantado hoje no Paraná”, disse.


GRAZIELA VEM EXPLICAR REVOLUÇÕES DAS SOVIÉTICAS

Professora Graziela Schneider: olhar de especialista; Wanda Camargo: ação cultural da UniBrasil.

Wanda Camargo, personagem saliente na vida da UniBrasil, especialmente da sua área de promoções culturais, está avisando: “E imperdível a conferência de Graziela Schneider”, programada para o dia 3 de maio.

Será no auditório Edla Van Steen do campus Tarumã, às 19 horas.

Doutora em Literatura Russa, Graziela falará sobre o tema “As revoluções das mulheres russas e soviéticas”.

Quem está ligado a temas soviéticos e russos e à questão feminista, terá oportunidade única de ouvir e inquirir essa doutora em Literatura Russa. Ela também é a organizadora de alentada antologia de artigos, ensaios, reportagens sobre o tema Mulheres Russas e Soviéticas.


“MULHERES DECIDIDAS” PEDEM PAZ EM PARANAGUÁ

Parte do grupo “Mulheres Decididas”, de Paranaguá

– Combater a violência, convocar representantes da sociedade em geral para a discussão e reação quanto à falta de segurança. Exigir programas públicos de combate ao uso de drogas e de acolhimento aos dependentes e famílias em vulnerabilidade social, esta foi a tônica da noite de domingo, quando cerca de 1000 pessoas foram ao Santuário do Rocio, na “Missa Pela Paz”.

54 HOMICÍDIOS

Preocupadas com o litoral do Paraná, onde neste ano já ocorreram 54 homicídios, sendo 33 só em Paranaguá, centenas de pessoas foram ao bairro do Rocio na “Missa Pela Paz”. O chamado foi da equipe do Santuário, replicada na imprensa, nos grupos de ‘whats’, associações de bairro e ONG´s.

ALVARO E DANIEL

A igreja ficou lotada, a dupla Álvaro e Daniel reforçou o ministério de canto, a Pastoral da Educação trouxe muitos professores; tudo para fazer uma oração especial pedindo paz (veja abaixo) e ouvir a pregação do Missionário Redentorista Joaquim Parron.

POBREZA E DROGAS

Na sua fala, o padre Parron disse que todos sabem os motivos que fazem a violência crescer: problemas econômicos, pobres cada vez mais pobres, consumo de drogas lícitas e ilícitas, falta de políticas públicas sociais. “Temos que exigir das autoridades que sejam responsáveis pelo combate à violência, juntamente com a igreja e tantas outras organizações que trabalham e lutam pela paz” afirmou o religioso.

ELAS ESTÃO NA LUTA

Representantes do grupo denominado “Mulheres Decididas” no WhatsApp também estavam no encontro. Josi Isaías, participante do grupo, afirmou que a missa foi um ótimo encontro de pessoas que batalham pela cidade “todos deveriam dar atenção a estes acontecimentos importantes, só juntos poderemos resolver o problema da violência que assola a sociedade” disse, “A missa foi perfeita e entendo que outras entidades religiosas também poderiam abraçar esta causa” completou ela.

O reitor, Joaquim Parron, deixou claro que esta não foi uma ação única, “foi só outro passo, vamos continuar tratando deste problema e propondo ações para de forma real combater a violência”.

Após a missa da Paz em que o padre Joaquim Parron falou sobre as causas da violência

LUIZ CARLOS MARTINS DE VOLTA AO SEU MELHOR ESPAÇO

Luiz Carlos Martins: no microfone

Recuperado de um quadro de dores lancinante, provocadas por fissura na terceira vértebra da coluna, e depois de procedimento cirúrgico, Luiz Carlos Martins voltou nesta segunda, 17, ao seu melhor mundo, o microfone da Rádio Band B.

Salve o Luiz, dono das manhãs curitibanas e RMC.

 

 

 

 

 


A DESUMANA DESIGUALDADE BRASILEIRA

Celso Tracco

Por Celso Tracco (*)

A exploração sistemática do ser humano por outro ser humano se consagrou como uma forma de vida, principalmente a partir da revolução agrícola e do adensamento da humanidade em povoados e cidades, ocorrida há cerca de 10.000 anos. A revolução agrícola fez com que o homem, pela primeira vez na sua história, conseguisse armazenar alimentos. A partir de então aqueles que, por algum motivo detinham o poder fosse pela força fosse pela posse dos recursos alimentares, passaram a explorar, escravizar, dominar, aqueles que passavam fome e não tinham o que comer. Esta prática era eticamente aceita pela sociedade de então. Os poderosos tinham poder porque seus deuses assim determinaram, portanto eram divinos. Nasceram para mandar. Os subjugados eram considerados seres inferiores e deveriam reverenciar seus senhores com gratidão por poderem comer as migalhas oferecidas por eles.

REVOLUÇÃO FRANCESA

Teoricamente, esse sistema de vida teve um fim com a Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), que se propunha a dar um fim ao regime monárquico. Infelizmente, em nosso país, passados 240 anos, ainda vivemos sob a égide de um estado de privilégios monárquicos, apesar de, no papel, vivermos em uma República.

MONARCAS DESPÓTICOS

É vergonhoso que altas autoridades ajam como monarcas despóticos. Alguns exemplos recentes: Juízes das altas cortes suspendem julgamentos importantes porque precisam se ausentar por compromissos particulares; juízes retomam matérias já julgadas, simplesmente porque assim o desejam; representantes do Congresso se atribuem feriados e período de férias que nenhuma outra classe trabalhadora possui; alguns, usam aviões da Força Aérea para tratarem de assuntos pessoais, como realizar implantes de cabelo ou assistir a uma festa de casamento; governadores tomam helicópteros do estado, para visitarem suas propriedades de fim de semana ou para buscar seu animalzinho de estimação. Os exemplos acima poderiam ser cômicos se não fossem trágicos e pior, eles estão respaldados pela legislação ou por normas legais.

NÃO SOMOS IGUAIS

Por trás desses atos estão milhares de outros que delapidam a moral da sociedade, que tiram recursos dos menos favorecidos, que não permitem investimentos sociais. Não, não somos todos iguais: não temos Liberdade porque não temos segurança nas ruas; não temos Igualdade por que não temos 15 salários por ano e nem férias de 60 dias; não temos Fraternidade, porque a situação que vivemos gera um clima de ódio e de extremismos. O Brasil continua sendo o país dos privilégios monárquicos.

(*) Celso Luiz Tracco é economista e autor do livro Às Margens do Ipiranga – a esperança em sobreviver numa sociedade desigual.

Pobreza absoluta no Brasil
Revolução Francesa