Data para julgamento de Lula arrefece alta do dólar no fim do pregão

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A notícia de que o Tribunal Regional Federal agendou para 24 de janeiro o julgamento do ex-presidente Lula, na Operação Lava Jato, fez com que o dólar negociado para janeiro arrefecesse a alta experimentada durante toda a sessão desta terça-feira, 12. A moeda, que vinha subindo 0,60% às 17h30, chegou a ser negociada no terreno negativo, com queda de 0,06%. Mas fechou em leve alta de 0,03% a R$ 3,3125. Naquele momento, as negociações do dólar à vista já estavam encerradas.

Mais cedo, o dólar acelerou os ganhos com aumento do pessimismo em torno da aprovação da reforma da Previdência neste ano. Desta vez, as declarações vieram do próprio presidente Michel Temer, que admitiu que a pauta poderá ser apreciada pela Câmara em 2018, e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que garantiu que, se a proposta não for votada agora, vai trabalhar para que seja levada à votação no ano que vem. Essas afirmações funcionaram como gasolina na fogueira e impulsionaram a moeda americana, que bateu sucessivas máximas.

O mau humor do mercado acabou por acionar o gatilho de “stop loss” de investidores que estavam vendidos em câmbio. Eles zeraram posição comprando a moeda, o que deu mais um empurrãozinho para que a divisa superasse o patamar de R$ 3,3300 intraday. Na máxima da sessão, o dólar à vista atingiu R$ 3,3343 (+1,04%) e fechou a R$ 3,3260 (+0,79%), cotação mais alta desde 23 de junho deste ano, quando encerrou o pregão a R$ 3,3409. Na máxima desta terça-feira, atingiu R$ 3,3343 (+1,04%) e, na mínima, R$ 3,2985 (-0,04%). O giro foi de US$ 1,195 bilhão.

Para Bruno Foresti, operador de câmbio da Ourinvest, caso a reforma da Previdência não seja aprovada e isso implique um rebaixamento da nota de risco do Brasil, a cotação da moeda americana pode passar dos R$ 3,40. “Podemos ver o dólar caminhando nessa direção”, diz.

Mas não foi apenas a reforma da Previdência que esteve no radar dos investidores na sessão desta terça-feira. A possibilidade de um acordo entre deputados e senadores acerca da reforma tributária nos Estados Unidos ajudou a puxar o dólar para cima no período da tarde. Tanto é que, no exterior, a divisa americana subiu ante uma cesta de moedas fortes – compiladas pelo indicador Dollar Index – e de países emergentes e ligadas a commodities. As exceções foram o dólar australiano e o neozelandês que, até às 17h40, se apreciavam ante a divisa americana.

A queda do preço do petróleo também contribuiu para o avanço do dólar. O contrato de WTI para janeiro, negociado na Nymex, fechou com recuo de 1,47% a US$ 57,14 por barril. Já o Brent para fevereiro caiu 2,08%, na ICE, a US$ 63,34 por barril.