O Atlético ganhou do Fluminense na última quarta, em Curitiba, e com isso encaminhou a vaga para a decisão da Copa Sul-Americana. O placar do jogo, 2 x 0, deixa os paranaenses em uma situação mais confortável para o jogo da volta, no dia 28, no Maracanã.

A vitória, além de deixar a torcida mais confiante, mostra que o Rubro-Negro tem um time de qualidade, que está pronto para fazer frente a qualquer outra equipe do país. Mesclando a experiência de alguns atletas e a juventude e velocidade de outros, o Atlético tem mostrado que nem sempre é preciso um elenco estrelado, com uma folha de pagamentos milionária, para ganhar partidas.

Aliás, é importante ressaltar que Atlético e Fluminense são os times com a menor média de idade entre os 20 participantes do Campeonato Brasileiro. Ou seja, buscaram soluções caseiras e que deram retorno.

Além da baixa média de idade, o que chama a atenção na trajetória do Furacão são os altos e baixos vividos ao longo do ano. A equipe começou o Campeonato Paranaense com um time reserva, com atletas das categorias de base e outros que precisavam pegar ritmo. Isso não é nenhuma novidade, pois já faz alguns anos que o Atlético não utiliza a sua equipe considerada principal na disputa do campeonato estadual.

Essa decisão, embora aprovada pela diretoria e por muitos torcedores, sempre deixa aquela incógnita do que esperar durante o ano, pois a equipe principal acaba demorando um pouco mais para estrear.

Uma mostra disso pode ser observada neste 2018, pois mesmo com o título de campeão paranaense, o Atlético não engrenou com o time principal. Algumas vitórias foram expressivas, como o 3 x 0 em cima do Newells Old Boys, no primeiro jogo da Sul-Americana, e o 5 x 1 em cima da Chapecoense, na estreia do Campeonato Brasileiro. Mas a verdade é que a equipe comandada pelo técnico Fernando Diniz nunca encaixou uma grande série de vitórias e de jogos sem perder. Foi só com a saída do técnico que o Furacão finalmente deslanchou.

A entrada do técnico Tiago Nunes e, consequentemente, de alguns atletas do chamado time B, fizeram com que o Rubro-Negro fosse um novo time, saindo das últimas posições do Campeonato Brasileiro e chegando a encostar na disputa pelas vagas para a Libertadores de 2019. Foi um trabalho de recuperação na tabela e psicológica de muitos jogadores, que antes eram criticados e agora recuperaram o bom futebol.

O trabalho desenvolvido por Fernando Diniz não foi de todo ruim, muito pelo contrário. A ideologia do ex-comandante é sentida ainda hoje no estilo de jogo do Atlético, com mais toque de bola e com saídas pensadas, evitando o famoso chutão para a frente. Porém, para que o trabalho dele dê frutos é necessário tempo, muito tempo. Mudar a cabeça e o estilo do futebol praticado no Brasil não é algo rápido, precisa de anos para dar certo.

É preciso um trabalho desde cedo nas escolinhas do clube, implementando um estilo de jogo e insistindo com ele, mesmo que custe algumas derrotas. Os resultados não serão tão cobrados quanto no time profissional, por isso é mais fácil de dar certo.

Se algum clube brasileiro, com uma boa categoria de base, investir na montagem de um esquema fixo, treinando os garotos desde cedo, conseguirá ter sucesso no futuro. Essa é uma das receitas de sucesso do Barcelona, com a famosa “La Masia”, a academia de jovens talentos do clube espanhol.

Todos estão cansados de saber que, no futebol brasileiro, os resultados é que mostram se o trabalho está sendo bem executado ou não. Essa máxima foi desafiada pelo Atlético neste ano. Fernando Diniz foi um “mal necessário” para o clube. É difícil dizer se sem o trabalho dele o Furacão estaria onde está hoje, afinal o trabalho de Tiago Nunes, o atual comandante, é considerado excelente, admirado por inúmeros torcedores e jornalistas e comentaristas de futebol.

O que se tem certeza é de que se a equipe se recuperasse alguns jogos antes, estaria em melhores condições na tabela do brasileirão, brigando por, quem sabe, uma vaga no G4.

Enfim, a classificação para a final está engatilhada. Basta o Atlético ter calma e jogar a pressão para cima do Fluminense. Se passar para a final, terá como adversário uma equipe colombiana (Santa Fé e Junior Barranquilla fazem a outra semifinal) e totais condições de vencer a competição.

O jovem time atleticano, seu jovem treinador e o futebol paranaense merecem essa!

Libertadores

A Copa Libertadores da América começa a ser decidida neste sábado, dia 10 de novembro, e está mexendo com os ânimos dos amantes do futebol. Isso se deve ao fato de que, pela primeira vez na história, dois times de uma mesma cidade estão disputando o título: Boca Juniors e River Plate.

Essa final, que está sendo chamada de “A maior da história”, envolve, praticamente, toda a Argentina, pois pesquisas recentes mostram que os dois times juntos têm a preferência de 70% da população do país vizinho.

A comoção é tanta que as partidas viraram motivo de preocupação até para a área de saúde pública argentina, pois a paixão pelo futebol é tão intensa quanto no Brasil e, por isso, a Fundação Cardiológica da Argentina tem veiculado alertas sobre o risco de infartos.

Independente de quem for o vencedor, temos duas certezas. A primeira é que serão dois excelentes jogos para aqueles que amam o futebol. A segunda certeza é que Buenos Aires vai tremer!