Vem chegando o final do ano e, com ele, chega ao fim também a temporada futebolística no Brasil. Com mais duas rodadas para serem jogadas no Campeonato Brasileiro e a final da Copa Sul-Americana (que terá um brasileiro envolvido), as equipes já começam a projeção para o ano que vem.

Com exceção do brasileiro envolvido na final do torneio continental (Atlético-PR e Fluminense disputam a vaga), os clubes devem entrar em férias no início de dezembro, tão logo acabe o Brasileirão, que tem a última rodada prevista para o dia 02 de dezembro.

A configuração do atual calendário permite que os atletas tenham, mais ou menos, um mês de férias, até que tenham que se reapresentar aos seus clubes. Isso tem sido regra há algum tempo no Brasil, pois jogadores, dirigentes e CBF entraram em acordo sobre o período de descanso. Já é um grande avanço, mas está longe de ser o ideal.

Não que as férias tenham que ser estendidas, mas assim que retornarem, os atletas já entram em uma nova espiral de jogos e treinos, pois na metade de janeiro os Campeonatos Estaduais já começam a ser disputados. Alguns clubes evitam colocar os seus principais jogadores já no início, dando a eles um período de pré-temporada, com mais treinos visando a parte física e exames para analisar possíveis problemas com a musculatura e lesões.

Aqui no Paraná, o Atlético já abdicou de disputar o Campeonato Paranaense com o seu time considerado titular. Há alguns anos o Furacão joga o estadual com times mistos, ou seja, coloca jovens talentos das categorias de base e alguns jogadores que precisam de ritmo de jogo ou de aprimoramento em algum fundamento. Algumas vezes alguns atletas do “time principal” são chamados para complementar o elenco.

Essa atitude não é bem encarada por muitos, que veem um certo descaso do Atlético para com a competição. Mas, agindo dessa forma, o clube consegue deixar o elenco principal mais descansado e focado em competições maiores, como a Copa do Brasil ou, eventualmente, a Libertadores da América. Os dirigentes do Furacão já afirmaram que em 2019 irão seguir pelo mesmo caminho.

Pensando na preparação dos times, essa atitude do Atlético deveria ser seguida por todos os clubes que disputam as duas principais divisões do Campeonato Brasileiro, pois assim teriam tempo suficiente para uma boa pré-temporada, evitando a disputa de jogos intensos no início da temporada, ainda mais com o calor do verão brasileiro.

Um outro ponto que tem se discutido bastante é sobre a real importância desses campeonatos. Existe uma disparidade muito grande entre a qualidade técnica das equipes que os disputam, sendo assim, um estadual impede que se meça a real força de um time. Isso já foi observado inúmeras vezes. Não é raro ver um time que se sagrou campeão estadual brigando para não ser rebaixado no Brasileirão.

Também é discutível a valoração financeira dos campeonatos. Os estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, conseguem pagar valores considerados bons para as principais equipes. Mas isso se deve ao fato da venda dos direitos para a televisão, que investe bastante. Já nos outros estados, esses valores não são tão satisfatórios assim para os times.

A pouca lotação dos estádios também merece ser levada em consideração, já que muitos torcedores não consideram atrativos os jogos e, por isso, não vão acompanhar no campo. Mas isso tem sido observado também no Campeonato Brasileiro, então podemos dizer que a situação econômica do país, aliado ao alto preço dos ingressos, tem responsabilidade nesse quesito.

Mas é importante lembrar que a crítica aos campeonatos estaduais não quer dizer, necessariamente, que eles tenham que acabar. Pelo contrário, eles devem se reinventar, buscar novas formas de disputa e alongar a competição durante o ano.

Os estaduais são importantes, pois movimentam os clubes menores e, consequentemente, a economia da cidade em que estão sediados. Existem mais de 600 clubes profissionais no país e apenas 60 disputam as três principais divisões, ou seja, menos de 10% do total de equipes do Brasil. Com base nesses números, percebe-se que os estaduais precisam continuar existindo, pois acabam gerando emprego para muitos jogadores e, algumas vezes, revelam talentos.

Uma forma que possibilitaria um calendário maior para essas equipes seria a exclusão dos times que jogam nas séries A, B e C do Campeonato Brasileiro. Essas equipes “maiores” poderiam entrar direto em uma fase final, como já foi feito há alguns anos aqui no Brasil. Como o número de equipes nestas divisões é diferente por estado, cada Federação teria liberdade de criar suas regras, sempre reservando as vagas das equipes maiores. Aqui no Paraná, por exemplo, Atlético, Coritiba, Paraná, Londrina e Operário entrariam em uma fase final, junto com os melhores colocados do Campeonato Paranaense.

As Federações estaduais poderiam conversar com a CBF sobre o calendário, deixando que as disputas dos campeonatos (estaduais e nacional) corressem de maneira paralela, deixando algumas datas para que as equipes das principais divisões do Brasileirão pudessem jogar a fase final dos estaduais.

Enfim, essa seria uma possibilidade, mas existem outras maneiras de fazer isso dar certo, é preciso que se tenha boa vontade de todas as partes envolvidas para encontrar a solução. Ela existe, basta querer!